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Crítica: 'Crô em Família' é comédia boba e sem profundidade

Protagonizado por Marcelo Serrado, que retorna ao personagem, 'Crô em Família' conta a história de um

Marcelo Serrado interpreta o personagem do título em 'Crô em Família'Marcelo Serrado interpreta o personagem do título em 'Crô em Família' - Foto: Eny Miranda/Divulgação

Depois da separação com Zarolho (Raphael Vianna) e da perda da guarda de sua filha, uma cadelinha adorável, Crô (Marcelo Serrado) está em crise: não sabe o que fazer da vida. O primeiro filme do personagem, lançado em 2013, teve uma boa repercussão no mercado, levando cerca de dois milhões de pessoas aos cinemas. É o que justifica o segundo filme de Crô, um ex-mordomo que ao herdar uma fortuna passou a ter fama e influência.

Dirigido por Cininha de Paula, "Crô em família", que estreia nesta quinta-feira (6) no circuito nacional, é exemplo do que há de pior na comédia nacional: um filme sem profundidade, mal executado em diversos níveis, bobo e esquecível. O humor surge na forma de pastelão e farsa, mas com personagens sem carisma e situações que se tornam engraçadas de um jeito não previsto no roteiro, pelo pouco sentido que possuem. Parece o caminho oposto ao de "Minha mãe é uma peça", por exemplo, em que um argumento simples se torna empolgante por causa do ator/personagem.

Por estar vulnerável com o divórcio, Crô é vítima de charlatões: pessoas chegam à sua casa, dizendo que são sua família, e Crô, desnorteado, acredita. Ele é convencido pelo que deve ser o pior argumento já escrito por um roteirista profissional. Liderados por Orlando (Tonico Pereira) e Marinalva (Arlete Salles), essa família planeja se infiltrar nessa mansão, roubar o cofre e matar Crô. A execução dessa ideia é uma sequência de eventos que na ausência completa de lógica e graça coloca "Crô em família" na categoria especial de filmes cuja existência deve ser questionada.

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Marcelo Serrado volta a interpretar o personagem do título, no papel de um gay que acredita ser sofisticado, dono de uma escola de etiqueta. Ele mistura francês com inglês, sem saber pronunciar corretamente as palavras, como se fosse chique e elegante. Ele organiza festas e encontros para aparecer na coluna social e fica irritado quando uma jornalista caçadora de cliques expõe sua vida cotidiana afirmando enfaticamente "ter compromisso jornalístico com a verdade".

A curta duração (menos de 90 minutos) é preenchida com piadas sem o ritmo e a empolgação que justificam o gênero. O roteiro inclui atores convidados e celebridades, como Fabiana Karla, Preta Gil, Jojo Todynho, Marcus Majella, Pabllo Vittar e Marcos Caruso (Seu Peru). É mais uma tentativa de ampliar o alcance do filme, dando aos fãs desses artistas a chance de ver essas celebridades em cena.

A novidade do filme está na participação de Jefferson Schroeder, ator e dublador que faz sucesso na internet. Ele interpreta Geni, assistente de Crô na escola de etiqueta. Se há algo de interessante no filme é através da fala dos personagens, pequenas migalhas de comédia na forma de tiradas cômicas nas gírias que de certa forma dominam as redes sociais.

Cotação: ruim

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