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Maeve Jinkings fala sobre interpretar Cecília e viver casal lésbico no remake da novela "Vale tudo"

Cecília é casada com Laís (Lorena Lima) e irmã do vilão Marco Aurélio (Alexandre Nero), e no remake a relação das duas não terá rodeios.

A atriz Maeve JinkingA atriz Maeve Jinking - Foto: Reprodução/Instagram

Na novela " Vale tudo", de 1988, Cecília e Laís, interpretadas por Lala Deheinzelin e Cristina Prochaska, respectivamente, eram duas "amigas".

Donas de uma pousada em Búzios, moravam juntas e tinham uma relação de intimidade. Naquele Brasil pós-ditadura, a mensagem de amor romântico era velada, mas, para bom entendedor, aquelas cenas bastavam.

Agora, em 2025, no remake da novela, escrito por Manuela Dias, que estreia no dia 31 de março, Cecília (Maeve Jinkings) e Laís (Lorena Lima) são um casal sem aspas. A relação de amor das duas não vai ter rodeios.

"Se tem uma coisa que sobrevive no tempo é o amor homoafetivo, o amor entre duas mulheres" disse Maeve Jinkings, numa coletiva de imprensa realizada na manhã desta terça-feira, com parte do elenco, com a autora, Manuela Dias, e o diretor artístico, Paulo Silvestrini.

"Mas agora vamos falar num outro país, um país que muda, mas resiste a mudanças. Vivemos um momento, não só no Brasil mas no mundo, de saudosismo de obscurantismo. E tem a sensação de caminhamos tão pouco, no entanto caminhamos. Quando 'Vale tudo' estreou na versão clássica, o público naturalizava "homossexuais têm que morrer". Hoje em dia, existe, no mínimo, um constrangimento. Estou muito curiosa para ver como essas personagens vão nascer nesse Brasil de 2025"

Autora da nova versão, Manuela Dias falou sobre como o amor das duas, em 1988, foi retratado à luz da época.

"Na primeira versão de 'Vale tudo', não se referiam as duas personagens como namoradas. Existia um esforço de representatividade e que dialogava com o que a sociedade conseguia absorver naquele momento. É uma satisfação ver que a sociedade andou um pouco"

O casal na novela
Cecília (antes Lala, hoje Maeve) é irmã de Marco Aurélio (Reginaldo Faria/Alexandre Nero), o vice-presidente da TCA, empresa de aviação cuja dona é Odete Roitman (Beatriz Segall/Débora Bloch).

Homofóbico, o irmão nunca aceitou plenamente a relação entre Cecília e Laís e, possivelmente, não vai fazer gosto pelo casal na versão de 2025 também.

Em 1988, as duas tinham uma pousada em Búzios, mas já é certo que agora a cidade em que elas moram é Paraty, também no estado do Rio.

Mas o casal sempre estava e sempre estará no Rio, circulando pelo núcleo mais abastado da novela, composto por Marco Aurélio, Odete e companhia, e pelo mais simples, visto que as duas também ficaram e serão amigas de Raquel (Regina Duarte/Taís Araujo).

Na versão original, elas até tentaram contratar Raquel como chef de cozinha de um restaurante que queriam abrir na pousada.

Cuidado com spoiler abaixo
Na obra de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, as duas, no entanto, não têm final feliz. Por volta do capítulo 70, Cecília sofre um acidente de carro e morre.

Começa, então, uma briga pela pousada entre Laís e Marco Aurélio. No Brasil de 1988, o casamento homoafetivo não era legalizado, portanto, a união entre as duas não tinha valor legal.

Portanto, Laís não era tinha direito aos bens de Cecília — e o único irmão dela era o herdeiro. Só que Cecília havia feito um testamento passando metade da pousada para a companheira, o problema é que não houve tempo de lavrá-lo em cartório.

Apesar de o papel não ter valor legal na época, Marco Aurélio teve medo de que o papel caísse nas mãos da imprensa e alguma matéria mostrasse que ele estava "brigando" por metade de uma pousada, a contragosto da vontade da irmã.

Ele, então, pede que Maria de Fátima — a esta altura da novela, sua comparsa em trambiques — roube o documento.

Não se sabe, ainda, como esta questão será tratada, visto que a situação jurídica hoje em dia é completamente diferente de 1988. A união homoafetiva é legalizada no Brasil desde 2011.

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