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Com trama subestimada pela Globo, 'Órfãos da Terra' é novela das nove exibida às 18h

Com história centralizada no amor proibido de Laila e Jamil, de Julia Dalavia e Renato Góes, 'Órfãos' está em total sintonia com as novelas contemporâneas

Alice Wegmann interpreta Dalila em 'Órfãos da Terra'Alice Wegmann interpreta Dalila em 'Órfãos da Terra' - Foto: Divulgação/TV Globo

Depois de novelas bem-sucedidas e premiadas na faixa das seis, estava tudo certo para que a dupla Thelma Guedes e Duca Rachid subisse de patamar dentro da Globo e estreasse no disputado horário das nove. Celebradas após ganharem um Emmy Internacional de Melhor Novela por conta de “Joia Rara”, de 2013, as duas ofereceram à emissora uma história ambientada no universo dos refugiados, que logo foi candidata à faixa mais nobre de teledramaturgia.

No entanto, pouco a pouco, o projeto de “Órfãos da Terra” foi perdendo força nos bastidores. De “cara”, Amora Mautner - colaboradora de longa data das autoras - teve de deixar a direção geral para formar uma nova dupla com Walcyr Carrasco. Em seguida, seus protagonistas originais - Camila Pitanga, Bruno Gagliasso e Sophie Charlotte - foram escalados por outras produções. Por fim, depois de alterar a sinopse novamente para adequar ao formato de macrossérie das 23h, voltou para a fila das 18h.

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Mesmo conhecido por ter organizado a teledramaturgia da Globo, Silvio de Abreu parece não ter avaliado muito bem o trabalho de Duca e Thelma. Em pouco mais de um mês de exibição, “Órfãos da Terra” é mais novela das nove do que muitas que já passaram pelo horário, inclusive, a confusa “O Sétimo Guardião”, atual tiro no pé de Aguinaldo Silva que ocupa a faixa.

Com história centralizada no amor proibido de Laila e Jamil, de Julia Dalavia e Renato Góes, “Órfãos” está em total sintonia com as novelas contemporâneas: apesar de ser refém da cultura muçulmana que oprime as mulheres, a mocinha é totalmente dona de seu destino. Enquanto o herói rompe com o que está pré-estabelecido para viver esse amor em toda sua plenitude.

Entre os dois, está Dalila, uma vilã jovem e apaixonada, e seu pai, Aziz, um vilão inescrupuloso e violento para ninguém botar defeito, personagens de Alice Wegmann e Herson Capri. Em uma faixa um pouco mais livre para ousadias temáticas, esse quarteto poderia render muito mais em cena. A questão dos refugiados, inclusive, teria muito mais alcance e soaria mais prática do que conceitual. Afinal, por conta da exibição às 18h, muitas cenas da novela acabam tendo profundidade limitada por conta da classificação indicativa.

Por sorte, Duca e Thelma investem em um tom naturalmente panfletário, mas nunca didático. O que evidencia o belo trabalho de pesquisa das novelistas e o quão o elenco e direção estão familiarizados com o tema. Aliás, a estética fria e elegante de “Órfãos da Terra” acaba por evidenciar a maturidade profissional de Gustavo Fernandez. Em sua primeira novela como Diretor Artístico, ele prova que a promoção chegou de forma tardia. Na Globo desde 2004, quando integrou a equipe de direção de “Um Só Coração”,

Gustavo é um diretor a serviço da fotografia e da direção de elenco, pupilo de nomes como Ricardo Waddington e José Luiz Villamarin, mas sem a mesma vaidade. Tímido ao extremo e avesso aos holofotes, ele é muito elogiado nos corredores da Globo por conta de seu trato com o elenco. Sem gritos ou conflitos, consegue o desempenho desejado sem grandes desgastes.

Trama extremamente densa, “Órfãos da Terra” acaba sendo um verdadeiro palco para os atores brilharem e nomes como Eliane Giardini, Ana Cecília Costa, Marco Ricca, Emanuelle Araújo e Danton Melo, além dos protagonistas e antagonistas, parecem não desperdiçar nenhuma cena. Com fluidez pouco comum para tramas mais pesadas, a novela reflete o usual contraste entre Ocidente e Oriente de forma contundente e retira a faixa das seis do linear esquema “água-com-açúcar”.

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