Aelcio é só felicidade com a sua primeira exposição individual
Aelcio é só felicidade com a sua primeira exposição individualFoto: Jose Britto

As cores e alegorias do Carnaval de Olinda ganham contornos nada discretos na arte de Aelcio Santos. Aos 58 anos, o artista faz a sua primeira exposição individual, intitulada com o seu nome, com vernissage amanhã, às 10h, na Arte Maior Galeria (av. Conselheiro Aguiar, 1472, Lj 63 - Boa Viagem). O estilo naïf revela um fazer pautado na experimentação, na liberdade e, sobretudo, na sabedoria que vem do povo. Comparado a Bajado e inspirado na obra de Tereza Costa Rêgo, Aelcio celebra com o coração em festa este novo começo, que, segundo ele, veio na hora certa.

A carreira que começou aos 16 anos, desenhando figurinos, murais e estandartes para troças carnavalescas de OIinda, sua terra natal, agora será coroada com uma mostra individual, que reúne 30 das mais de três mil obras produzidas por ele. Muitas, aliás, destinadas a encomendas. "Eu não tenho um acervo grande em casa. Apenas quadros que fiz para mim", revela.

Aelcio Santos

Aelcio Santos - Crédito: Jose Britto

 

Olinda aparece nas telas não só no tom carnavalesco, mas através do cotidiano, que diz muito sobre o que é e o que representa a cidade, principalmente para um filho seu. Ao passo que Olinda é revelada em sombrinhas de frevo, maracatus e caboclinhos, também é desenhada a partir da atividade do pescador, da feira livre e da colheita da cana.

"Minha mãe, Neuza do Coco, comandava rodas de coco, que também reuniam muitos intelectuais. Então eu cresci neste meio", lembra, ainda recordando que veio da mãe o incentivo para que começasse a pintar. Aelcio é apaixonado por sua cidade, berço e destino do seu talento: "Não quero sair nunca de Olinda. Não deixo minha cidade por nada".

A curadoria da exposição leva a assinatura do marchand Sergio Oliveira. "Tem estilo próprio, dedicação e alma de artista", diz o curador sobre Aelcio. Uma definição que faz jus ao caráter incansável do seu fazer artístico. Os 10 anos no Museu do Estado de Pernambuco, trabalhando na montagem de exposições, garantiram um olhar apurado para técnicas e a inclinação de aprimoramento. Também lhe conferiu o sonho de um dia levar os seus trabalhos àqueles salões.

"Venda de Peixes" - Crédito: Divulgação

"Bloco O Homem da Meia Noite" - Crédito: Divulgação

 

Caminhando pelas obras da mostra, todas de acrílico sobre eucatex, é possível perceber uma riqueza de detalhes típica de quem está sempre atento. Em "Venda de Peixes", os clientes pegam os produtos embalados enquanto o gato repousa recostado na mesa. Enquanto no "Bloco O Homem da Meia Noite", Aelcio se vale de tudo o que Olinda representa ao imaginário de quem vem de fora. Efervescência. Alegria. E uma mistura entre sagrado, representado pelas igrejas, e profano, nas figuras carnavalescas. Olinda é intensa. E Aelcio sabe captar isso.

Aelcio é só felicidade com a sua primeira exposição individual
Aelcio é só felicidade com a sua primeira exposição individualFoto: Jose Britto
Obras de Aelcio Santos
Obras de Aelcio SantosFoto: Divulgação
Obras de Aelcio Santos
Obras de Aelcio SantosFoto: Divulgação
Obras de Aelcio Santos
Obras de Aelcio SantosFoto: Divulgação
Obras de Aelcio Santos
Obras de Aelcio SantosFoto: Divulgação
Obras de Aelcio Santos
Obras de Aelcio SantosFoto: Divulgação
Obras de Aelcio Santos
Obras de Aelcio SantosFoto: Divulgação
Obras de Aelcio Santos
Obras de Aelcio SantosFoto: Divulgação

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