Curadoria de Júlio Cavani quer mostrar amor como forma de resistência
Curadoria de Júlio Cavani quer mostrar amor como forma de resistênciaFoto: Léo Malafaia/Folha de Pernambuco

O amor, a afetividade e a libido são a inspiração da exposição "A Necessidade do Amor", que congrega doze artistas na Arte Plural Galeria (APG), no Bairro do Recife. Com curadoria do jornalista e crítico de arte Júlio Cavani, a mostra entra em cartaz hoje e fica disponível até o dia 14 de fevereiro. São quinze peças, entre pinturas, esculturas, fotografias e instalações. 

"Este foi o fio condutor que encontrei para unir diferentes temas, técnicas e gerações de artistas, dentro do contexto de tensão e de imposição da cultura do ódio que vivenciamos nos dias atuais", explica Cavani, que baseou-se em ícones históricos como o movimento hippie e o cantor John Lennon, além de líderes religiosos como Jesus e Buda, que celebraram a paz e o amor como forma de resistência.

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A maioria dos participantes integram o acervo permanente da galeria: Luciano Pinheiro, Rinaldo, Vacilante, Antônio Mendes, José Barbosa, Christina Machado, Valéria Rey Soto, Alcione Ferreira e Priscila Buhr. Outros três foram especialmente convidados para a exposição: André Nóbrega, Fefa Lins e Marcelo Silveira - este último desenvolveu a instalação "Álbum" especificamente para o evento, trazendo mais de 600 elementos vazados construídos a partir de fotografias antigas descartadas e adquiridas em brechós e afins. "Trabalho com um material que já foi esquecido, que sofreu ação de amor e desamor", pontua Marcelo, que recortou as faces das pessoas retratadas e questiona a responsabilidade de cada um diante do descarte da história e da memória.

Instalação de Marcelo Silveira questiona o descarte da história e da memória

Instalação de Marcelo Silveira questiona o descarte da história e da memória - Crédito: Léo Malafaia/Folha de Pernambuco

Enquanto na primeira sala as obras trazem um viés mais familiar, ligado à memória (caso, por exemplo, de "Transforma-ação", de Christina Machado, e de "Porta à Iemanjá", de José Barbosa, cujos símbolos remetem à maternidade), no salão maior a energia remete à sexualidade, embora haja peças abstratas entre as expostas.

Priscila Buhr, por exemplo, traz um tríptico que ela própria descreve como "um microconto fotográfico sobre a morte do amor" e é composto por uma delicada série de imagens contrapostas a versos da poeta Hilda Hilst.

"Voyeuristas", de Fefa Lins, é uma explícita pintura figurativa de duas mulheres nuas que posam diante de um aparelho celular, e causou polêmica ao ser exibida nas redes sociais da artista.

Resultado de uma combinação de técnicas como aquarela, bico de pena e colagem, as peças de Valéria Rey Soto remetem à flora, à natureza e ao feminino.

Fotógrafa Priscila Buhr descreve seu tríptico como sendo 'um microconto fotográfico sobre a morte do amor'

Fotógrafa Priscila Buhr descreve seu tríptico como sendo 'um microconto fotográfico sobre a morte do amor' - Crédito: Léo Malafaia/Folha de Pernambuco

"A Necessidade do Amor" congrega linguagens distintas, que acabam convergindo entre si e expressando atitudes de transformação através dos desejos ali expressados. É a primeira exposição da APG em 2020, e pode ser visitada gratuitamente de terça a sexta-feira, das 13h às 19h, e aos sábados, das 14h às 18h.

Serviço:
Exposição "A Necessidade do Amor", com curadoria de Júlio Cavani
Arte Plural Galeria (rua da Moeda, 140, Bairro do Recife)
Abertura nesta terça-feira (14), a partir das 19h.
Em cartaz até 14 de fevereiro de 2020

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