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Murilo Guimarães

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Vinhos míticos são produzidos nem Pomerol, França
Vinhos míticos são produzidos nem Pomerol, FrançaFoto: Divulgação

Ao decidir por esse tema e pesquisar nos meus arquivos, me surpreendi. Fazia mais de ano que não falava de um vinho mítico. Deixando para você a falsa impressão que havia esgotado a lista. Que nada, leitor. Tanto vinho emblemático por este mundo afora... A prova disso é este tinto, produzido no Château Pétrus, em Pomerol (Bordeaux).

Seu nome aparece nos registros a partir de 1837, mas, desde o século XVIII os vinhedos já estavam sob controle da família Arnaud. Sua fama começou com uma medalha de ouro - na época, de fato, uma honraria - na Exposição Universal de Paris, em 1878.

Na primeira metade do século XX, a sociedade passou gradativamente às mãos de Mme. Loubat. Que presenteou duas garrafas Magnum da safra 1938 para o casamento da rainha Elizabeth, em 1947. Jogada de marketing - amor à rainha inglesa não devia ser! - que reforçou sua já crescente reputação.

Após a morte de Mme. Loubat, o grande comerciante de vinhos de Pomerol, Jean-Pierre Moueix, que já negociava Pétrus para o exterior, assumiu o controle da empresa, hoje nas mãos de seus sucessores. São 11,5 hectares de vinhas, de solo privilegiado, com uma produção muito baixa, o que lhe auferem altíssima qualidade.

A reboque, um preço nas alturas - está geralmente entre os cinco tintos mais caros da França - com média de custo em torno de €3,000 / garrafa. Elaborado com 100% da casta Merlot, é a estrela solitária do château, pois lá não existe um 2º Vinho, como na grande maioria das vinícolas do mundo.

Sabe como lembrei de falar deste vinho, leitor? Recebi uma mensagem do “le blog Idealwine” sobre a venda de um lote de 16 safras de Pétrus (de 1999 a 2014). O que me direcionou a outro blog, de um tal Robb de Singapura, ofertando uma coleção vertical de 63 garrafas, uma de cada colheita, de 1945 a 2010 (exceção de 1956, 1965 e 1991, quando o vinho não foi produzido), mas incluindo as icônicas safras de 1945, 1947, 1961 e 1982.

Pela quantia de 355.000 Euros, ou seja, uma média de €5,635 / garrafa! O vinho é de fato fora de série, mas pagar, na média, mais de R$ 25.000,00 por garrafa... Pois é, amigo, o pior é que deverá ter comprador! Tem muita gente por aquelas bandas do mundo com dinheiro sobrando, né? O que me reporta, no contra ponto, à nossa realidade. Portanto, aos muitos que carecem de um pouquinho dele, meu solidário tim, tim, brinde à vida.

EM DESTAQUE
Degustação na Grand Cru

Serão 16 vinícolas de 6 países e terá lugar no restaurante The Black Angus, quarta-feira, dia 30/10, das 17 às 22h. Para não beber de barriga vazia, uma mesa de frios. Além do apurado aconselhamento de Marcos e Anderson. Imperdível. Mais detalhes pelo fone 3031.2097.

*É médico e enólogo. Escreve quinzenalmente neste espaço

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