Audiência das plataformas de streaming cresceu na quarentena
Audiência das plataformas de streaming cresceu na quarentenaFoto: Reprodução/Pixabay

O mercado cultural foi um dos mais afetados pela pandemia da Covid-19. Como ficar em casa e evitar aglomerações são algumas das principais maneiras de evitar a propagação da doença, teatros, cinemas, livrarias, casas de shows e galerias precisaram fechar suas portas. Por outro lado, a arte acabou virando ferramenta para sobreviver a quarentena. Afinal de contas, é dos livros, discos, filmes, séries e lives musicais que tantas vezes vem o auxílio para a saúde mental de milhões de pessoas em confinamento.

As plataformas de streaming de audiovisual, que já vinham numa onda de crescimento nos últimos anos, surfaram na contramão da crise. A audiência de serviços como Netflix, Amazon e Globoplay cresceu 20% desde o início da pandemia, de acordo com um relatório da Conviva, empresa que monitora o setor ao redor do mundo. O aumento faz todo sentido, já que, sem sair de casa, o público tem mais tempo livre para maratonar filmes e séries.

A jornalista Taciana Aymar, de 32 anos, viu na quarentena uma oportunidade para finalmente conferir as produções que estavam na sua lista há muito tempo, mas que antes não conseguia parar para ver. “Desde que fiquei com 100% do tempo livre, passei a ocupá-lo quase todo com atividades que eu gosto de fazer e acabava não tendo tempo no dia a dia normal ou, quando tinha tempo, não ficava com vontade de fazer por já estar cansada”, explica.

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Taciana tem dedicado de 3 a 4 horas por dia ao streaming. Séries e filmes de comédia, drama ou terror, além de programas de makeover, culinária e documentários, estão entre as suas preferências. A literatura também tem feito parte da sua rotina. “Estou buscando apenas os livros que são de meu interesse particular, nada relacionado ao meu trabalho. Comecei a ler a coleção de Sherlock Holmes. Já estou no segundo livro e amando”, revela.

O passatempo favorito do analista de sistemas Damásio Ramos, 27 anos, tem sido cascavilhar no catálogo da Netflix produções de outros países e pouco conhecidas. “Recentemente, descobri que há uma quantidade enorme de filmes indianos. Vi alguns que achei bem legais. Também gostei bastante de uma série colombiana, chamada ‘Fronteira Verde’, que fala muito sobre a Amazônia”, conta. Ele também conseguiu matar a curiosidade sobre a obra do romancista japonês Haruki Murakami lendo os livros "Sono" e "1Q84".

"One Day At a Time", série da Netflix - Crédito: Divulgação



Um dos papéis que a cultura vem desempenhando nesses dias atípicos é o de distrair mentes sobrecarregadas. Em quarentena com a mãe e o padrasto, a estudante de Direito Maria Luísa Castro, 19 anos, busca nos livros, filmes e séries um refúgio. “Não acho muito saudável ficar o tempo todo de olho no noticiário. A gente precisa se informar, mas deve haver um equilíbrio, para que as notícias ruins não causem ainda mais pânico”, acredita. Por isso, na hora de escolher algo para ver em família, ela prefere fugir dos temas relacionados a doenças. “Uma das coisas que vi e mais me marcou foi a série ‘One day at a time’, na Netflix. É uma comédia que aborda muitos assuntos importantes e, ao mesmo tempo, é divertida”, comenta.

Saúde mental

Segundo a psicóloga Eduarda Ferrari (CRP 02/17312), é comum que questões emocionais, como ansiedade, surjam devido ao isolamento social. “Ansiedade é um sentimento normal natural do ser humano. É ela que prepara o nosso corpo para vivenciar experiência novas e antecipa uma situação de desafio ou perigo. Também está relacionada à vontade de querer controlar o futuro, como o que estamos vivendo é um momento de muitas incertezas, a pessoa pode acabar deixando de viver o presente”, relata.


Eduarda vê com bons olhos o consumo de filmes, séries, livros e músicas em tempos de quarentena. “Esses hábitos são fundamentais, principalmente no período atual, para a saúde mental. Por isso, costumo sempre recomendar para meus pacientes, além de atividade física, alimentação saudável e tentar manter uma rotina”, diz.

A também psicóloga Bianca Barbosa (CRP 02/22930) ressalta que, mesmo fora de um contexto de pandemia, a cultura é um componente essencial para a saúde mental. “Quando entramos em contato com o potencial criativo da arte, ativamos um canal de escoamento de emoções através da identificação entre o que sentimos e o que percebemos naquela produção, inclusive podendo dar vazão a emoções que por algum motivo não estavam encontrando outra forma de expressão”, pontua.

 

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