Festival Rec Beat, um dos principais da cena cultural de Pernambuco
Festival Rec Beat, um dos principais da cena cultural de PernambucoFoto: Reprodução/Instagram

Cultura underground, alternativa, fora dos padrões, revolucionária. Por algum tempo, remeter-se a festivais era falar sobre públicos afins reunidos em um mesmo espaço para compartilhar ideias e viver ‘dias de paz e música’, tal qual a década de 1970 foi para Woodstock. Movimento que, aliás, permanece como referência para outros tantos eventos que integram o calendário cultural Brasil afora e que abrigam diversidades de gerações musicais, ditam tendências e compartilham vieses da arte. Pernambuco está entre os palcos principais dessa pegada.

"Produzimos eventos que gostaríamos de ir, conectamos pessoas que a gente queria se relacionar", ressalta Maíra Miranda, diretora do Meca Brennand, listado entre as boas novas dos festivais que aportam no Recife e que viverá a sua segunda edição no dia 14 de setembro, na Oficina Brennand. Traz, entre outras atrações, a cantora Tulipa Ruiz.

A cidade agrada a idealizadores dos mais diversos fluxos da música, a exemplo, entre outros, do Guaiamum Treloso, Coquetel Molotov, Porto Musical, Rock na Calçada e do Abril Pro Rock (APR), este último responsável por trazer, em 1993, a cena independente local em meio ao "barulho" do Manguebeat.

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"A ideia era dar palco a toda uma geração que participava daquela cena do mangue dos anos 1990, com o propósito de levar público. Estamos na ativa até os dias atuais e com uma programação que mescla tendências do rock como o metal, o punk e o hardcore. Entendo que festivais têm que estar relacionados a bandas da cidade, dialogando com cenário do local, porque só assim eles fazem sentido", ressalta Paulo André, à frente do APR desde sua criação, assim como Antonio Gutierrez, o Gutie, criador e diretor do Rec-Beat, movimento concebido, também, com o propósito de amplificar vozes do circuito alternativo.

"Essa era a ideia, desde o início: fazer um festival com bom conteúdo artístico e servir de plataforma para novas bandas pernambucanas que eclodiam naquele âmbito. Esses eventos cumprem um papel importantíssimo para abrir espaços a novidades e experimentações", enfatiza Gutie. Opinião também corroborada por Ana Garcia, responsável pelo Molotov: "Fomentamos a cena independente, inserindo novos artistas no festival criando público que consome nova música e novas artes".

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Outras vibes...

... e outros ritmos têm tomado espaços que convergem em um mesmo propósito: atrair públicos diversos, para musicalidades variadas. Afinal, o que seria do rock se todos gostassem do reggae, que não teria vez se tivéssemos parado nos grandiosos tempos dos festivais de música brasileira - salve Elis, Chico, Gil, Tom Zé e Jorge Ben, que, atualmente, podem ser revividos em festivais que seguem na mescla entre as "novas e velhas" sonoridades.

"Unir tribos. Esta é a ideia do Wehoo: atrair públicos mistos com o melhor que temos da MPB à cena do rap. Queremos inovar com um festival que agregue no palco vários gêneros", justifica Eric Numeriano, promoter do estreante festival Wehoo [Atualização - a função de Eric Numeriano foi alterada neste post de “produtor” para “promoter” porque, após a publicação, a assessoria do festival informou que, na realidade, era este o seu único papel no evento: divulgar. Eric foi procurado pela reportagem depois de indicação de uma fonte de que ele seria o nome para informar sobre detalhes da festa. A sua fala foi reproduzida fielmente na matéria] , que tem na produção a Zeroneutro e Feelgood,e que chega com inspirações de um Tomorrowland (Bélgica) à estrutura de um Lolapalloza Brasil. A primeira edição do agito rola no dia 12 de outubro, no espaço chamado de Arena Wehoo, na avenida Agamenon Magalhães. Na programação, convivem em sintonia nomes como Jorge Ben Jor, Duda Beat e Diomedes Chinaski.

A moda
Se os festivais agradam ao público pelas descobertas, realizações musicais e pela amplitude que oferecem a outras formas de arte, também têm se tornado ponto de encontro fashion, com inspirações que vêm do Brasil e de fora. A moda que vai para o famoso Coachella, na Califórnia, também chega ao Recife. É o tênis, a pochete, os óculos escuros ou coloridos, o chapéu, as meias coloridas, os acessórios mais extravagantes. Uma rápida busca no Google por "look festival" dá conta do estilo que predomina entre os palcos das festas pelo mundo.

O que vale é parecer fashionista, mesmo que, muitas vezes, o estilo não faça parte do dia a dia. A regra é ser diferente. E, nesse caso, quanto mais, melhor.

O conceito
A maioria dos festivais de música independente revela uma preocupação com o meio-ambiente, com as ações e produtos sustentáveis. Alguns dos eventos, aliás, dão ingressos ou bons descontos para quem for de bicicleta. Geralmente, além dos shows, também incentivam o empreendedorismo criativo através de feirinhas com marcas artesanais. É mais do que um tipo de evento para curtir e encontrar os amigos. É, sobretudo, para repensar estruturas.





 

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