A escritora leva vivência para a sua escrita
A escritora leva vivência para a sua escritaFoto: Vinicius Brites/Divulgação

Das poucas certezas da vida, Thalita Coelho afirma que continuar sendo escritora é umas delas. A precisão literária veio desde muito nova, quando a autora costumava frequentar um sebo em Itajaí, no município de Santa Catarina, acompanhada pelo seu pai. “Sabe aquele clichê de pegar uma imagem e ir inventando uma narrativa. Sempre gostei muito de ler. Então tinha uma contato bem afetivo com a literatura e escrever foi meio que natural”, conta a escritora em entrevista à Folha de Pernambuco.

Aos 29 anos de idade, Thalita segue fortalecendo e visibilizando a literatura lésbica brasileira. Sua mais nova ferramenta de luta é "Desmemória", sua segunda obra no segmento. A escritora lança a pré-venda nesta sexta (01), no site Polen Livros (www.polenlivros.com.br), no valor de R$ 45. Além do livro físico, o leitor poderá garantir o ebook da obra e mais três cards com ilustrações do livro, feitas pela artista Scarlath Louyse.

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A chegada de "Desmemória" é marcada pelo desejo da escritora de contar histórias. Ao contrário de "Terra Molhada", seu primeiro livro poético lésbico, a obra carrega a narrativa de uma história de fantasia, protagonizado por mulheres que se amam. O novo trabalho percorre um caminho através de narração em primeira pessoa, contada pela personagem principal, Vic. A protagonista conduz a habilidade de absorver memória dos outros para que ela possa sobreviver. Logo no início da obra, Ana, esposa de Vic, entra em coma. A partir daí, a trama caminha em direção à história do casal, que vive um romance interracial.

“Xodó” da escritora, a obra reflete diretamente em sua vida pessoal. Não só pela novidade de explorar uma nova narrativa, mas também por marcar uma época importante em sua vida. O livro deu seus primeiros passos em 2013, ano em que autora ainda não se entendia lésbica. “Foi muito doido, porque eu comecei a escrever um romance lésbico estando dentro do armário, e foi uma questão pra mim na época, acho que inclusive pensar nele ajudou na minha descoberta. Eu não gosto de falar descoberta né, mas no meu entendimento sobre mim mesma, sobre os meus desejos”, explica Thalita.

Uma história difícil de denominar o gênero, já que envolve romance, ficção científica e fantasia. Mas é fácil identificar a importância da representatividade, seja em qualquer área da vida. Para a escritora, a obra chega para gerar identificação nas minorias: “Quando eu assistia e lia coisas quando era mais nova, eu tinha que ficar fingindo que tinha 'sapatão' no meio das histórias porque nunca tinha. Então é isso que acho que as pessoas podem esperar. É uma história que eu precisava, porque não é uma história sobre o sofrimento de ser LGBT, é uma história qualquer em que personagens LGBT, negros, os personagens que normalmente estão representados à margem na literatura, estão lá. Então é uma história sobre outra coisa, mas a gente tá lá”.

"Desmemória" chega aos leitores em época de isolamento social, como um afago a quem não perde uma boa leitura. “Acho que as pessoas também vão aprender a valorizar mais a arte. O pessoal antes ficava 'ah, não preciso do artista', mas absolutamente tudo que a gente está consumindo dentro dessa quarentena é feito por artistas, a literatura, a música”, pontua a escritora.

Desmemória

Desmemória - Crédito: Divulgação

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