Felipe Lopes, diretor da Vitrine Filmes, e a produtora Emilie Lesclaux, falando sobre o filme "Bacurau"
Felipe Lopes, diretor da Vitrine Filmes, e a produtora Emilie Lesclaux, falando sobre o filme "Bacurau"Foto: Léo Malafaia/Folha de Pernambuco

Há cinco semanas em cartaz nos cinemas, "Bacurau" já foi visto por 575 mil expectadores de todo o Brasil. Só no primeiro fim de semana de exibição, o longa-metragem arrecadou mais de R$ 1,6 milhão nas bilheterias. São números expressivos para uma produção nacional e independente, tornando o filme um dos grandes acontecimentos culturais do ano no País. Para falar sobre o planejamento por trás de tanto sucesso, a produtora Emilie Lesclaux e Felipe Lopes, diretor da Vitrine Filmes, participaram de um painel realizado REContent Conexão e Negócios, evento que integra a programação do Rec'n'Play, festival de inovação e tecnologia. A conversa ocorreu na tarde desta sexta-feira (4), no Apolo 235, uma das sedes do Porto Digital, no Bairro do Recife.

"Esse foi de longe o projeto mais complexo e desafiador que eu já enfrentei como produtora", revelou Emilie, que é francesa e vive na Capital pernambucana desde 2002. "Foi um processo muito complexo, envolvendo uma equipe enorme e algo que eu nunca tinha feito: trabalhar com muitos efeitos especiais e gráficos. Isso sabendo que, apesar de ter sido o longa mais caro que produzi, a situação financeira não era a ideal", complementou. Coprodução Brasil-França, o filme custou R$ 7,7 milhões e recebeu financiamento do Funcultura e do Fundo Setorial do Audiovisual, entre outros patrocinadores.

Responsável pela distribuição do longa em território nacional, a Vitrine apostou no potencial comercial de "Bacurau", traçando estratégias para que as exibições não ficassem restritas ao circuito dos cinemas de rua. "É um grande desafio fazer o público sair de casa para ver um filme que não é um desses blockbusters, mas a gente acreditava que seria possível levar a obra também para as salas de multiplex", contou Felipe Lopes. A produção já chegou a ocupar 286 salas simultaneamente e deve permanecer em cartaz por um longo período. O Cinema São Luiz, no Recife, ocupa o segundo lugar nacional em bilheteria, acumulando quase 19 mil espectadores até o momento.

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Em um momento de polarização, um dos desafios do filme era escapar de qualquer tentativa de boicote por conta de seu teor político. Os diretores Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles não se privam de criticar o atual governo em entrevistas, mas, durante o Festival de Cannes, em maio, não repetiram o protesto feito na exibição de "Aquarius", no mesmo festival, em 2016. "Com 'Bacurau' não foi a mesma coisa, porque já existe um entendimento internacional claro do que ocorre no Brasil. Não houve nenhuma autocensura. Só não fazia sentido denunciar o que todos já conhecem", esclareceu Emilie.

Humor

Outro caso de sucesso abordado durante o painel do REContent foi o do "Porta dos Fundos". A CEO da empresa, Tereza Gonzalez, falou um pouco sobre a trajetória da produtora de conteúdo, que nasceu em 2012 como um canal de humor no YouTube e hoje já conta com filmes, séries, programas de TV e espetáculos teatrais.

Tereza Gonzalez, CEO do

Tereza Gonzalez, CEO do "Porta dos Fundos", em painel do REContent - Crédito: Léo Malafaia/Folha de Pernambuco



O negócio não foi expandido apenas no quesito plataforma. Em maio, os sócios Fábio Porchat, Gregório Duvivier, Antonio Tabet, João Vicente e Ian SBF abriram uma filial no México, com inserção na televisão e na internet. Algumas das esquetes do grupo foram adaptadas por roteiristas mexicanos e gravadas no país. Um piloto já foi gravado na Espanha e o mercado dos Estados Unidos será o próximo alvo. "Todo mundo dizia que comédia não viaja. Escutamos de muito executivos que o humor é sempre local. Estamos conseguindo provar que não é bem assim", celebrou Tereza.

A televisão no futuro

Também movimentou a programação do Rec'n'play, nesta sexta-feira, a palestra "Futuro da TV e TV 3.0.". Quem comandou o bate-papo foi a gerente de tecnologia da Globo Pernambuco, Carolina Duca, no prédio do Porto Digital. A profissional conversou sobre as estratégias adotadas pela empresa de comunicação para se manter ativa no mercado, diante de tantos novos concorrentes.

De acordo com Carolina, a Globo busca se tornar uma empresa de "media tech", mas sem perder sua identidade. "Ela não quer ser conhecida mais só por seu conteúdo, mas também pela tecnologia. As duas coisas precisam se unir para dar uma vantagem competitiva", afirmou. Sem perder de vista o alcance da TV aberta, o grupo vem se preparando para os avanços tecnológicos na área. "No futuro será possível, por exemplo, usar a própria televisão para comprar um produto que aparece na novela", adianta.

Carolina Duca, gerente de tecnologia da Globo Pernambuco, comanda palestra no Rec'n'play

Carolina Duca, gerente de tecnologia da Globo Pernambuco, comanda palestra no Rec'n'play - Crédito: Léo Malafaia/Folha de Pernambuco



 

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