Ana Lúcia Torre em cena com 'Num Lago Dourado'
Ana Lúcia Torre em cena com 'Num Lago Dourado'Foto: João Caldas

Oxalá, se por um descuido, a vida (também) imitasse a arte para levar aos seus "diariamentes" a delicadeza dos palcos. Preferencialmente os que protagonizam mundos reais e redirecionam conflitos e compreendem relações, tal qual o faz Ana Lúcia Torre, 74 anos, na montagem “Num Lago Dourado”, com apresentações amanhã e domingo, às 21h e às 19h, respectivamente, no Teatro RioMar.

Em cena ao lado de Elias Andreato, que também dirige o espetáculo e vive Norman Thayer, a atriz dá vida a Ethel Thayer, que, em viagem de férias em uma casa de campo, evidencia valores de família e entrelaça vínculos de amor, amizade e diálogos. "A ideia é mostrar um cotidiano que envolve conflito e ao mesmo tempo compreensão, exercício de paciência e preocupação de uns com os outros, com necessidades de estabelecer harmonias”, contou a atriz em conversa com a Folha de Pernambuco.

Adaptado do filme homônimo de Mark Rydell, de 1981, o espetáculo traz a narrativa de uma conturbada relação entre pai e filha alternando, também, com histórias intensas de outros personagens, a exemplo do carteiro que cresceu com a família e o adolescente, enteado da filha do casal, que, depois de alguns dias distante do universo virtual, apega-se a uma rotina construída pela convivência com outro ambiente e outros costumes - humanos e reais e por vezes tomados pela imersão em tudo o que é favorecido por um sinal de Wi-Fi.

"A personagem da minha filha vem até a casa de campo em que estamos passando as férias para apresentar o novo namorado, que tem um filho de 15 anos. O menino não tira o fone do ouvido. Eu tento falar com ele, sem sucesso, até que ele pergunta qual o Wi-Fi da casa e a gente diz que ali não pega sinal nenhum. Perceber a mudança pela qual passa esse garoto é um dos momentos mais interessantes da peça", ressalta.

Ana Lúcia Torre em cena com 'Num Lago Dourado'


Em cartaz desde 2016 e inicialmente com Ary Fontoura no papel de Norman Thayer - o ator foi substituído por Elias Andreato em decorrência de gravações de novela - "Num Lago Dourado" traz Ana Lúcia Torre de volta ao teatro, ambiente em que iniciou uma carreira artística permeada por personagens vividos com maestria e em diversos gêneros, sendo a comédia assumidamente o viés pelo qual ela não esconde predileção.

"Adoro uma comédia. Tenho um 'time' que acho interessante, me fascina, corro atrás dele", reconhece-se a atriz que chega a pouco mais de quatro décadas de trajetória esbanjando leveza e encantando-se por seus personagens dos palcos, do cinema e da televisão.

"Como dizem os artistas de minha geração: sou cria do teatro. A TV veio aos poucos e depois começou a se tornar forte. Assim como o cinema, veio um pouco mais tarde, mas também peguei gosto. Foi sorte durante o percurso ter passado por vários gêneros, me fez crescer bastante como artista e como pessoa", enfatiza Ana, que, no espetáculo (e na vida), funciona, também, como uma espécie de "fiel da balança" como ela mesma se denomina quando se trata de contornar conflitos: "As coisas podem ser resolvidas de uma forma mais graciosa, delicada, divertida. A vida apresenta situações difíceis e pesadas e se a gente entrar nisso, somos derrubados e nos faz envelhecer por dentro. Precisamos acariciar nosso interior e trabalhar carinhos com quem convivemos, isso inclui desde o caixa do supermercado, ao porteiro e o rapaz que vende frutas, até o seu filho, vizinhos. Se não for ampliando esse campo de delicadezas, não vamos recebê-las de volta".

Serviço
Espetáculo "Num Lago Encantado"

Amanhã (21h) e domingo (19h) no Teatro RioMar
R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia-entrada), na bilheteria ou no Uhuu
Ac. República do Líbano, Pina







 


 

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