Trilogia do Feminicídio
Trilogia do FeminicídioFoto: Rogerio Alves/Divulgação

No Brasil, uma mulher é assassinada a cada duas horas. O dado alarmante, divulgado em levantamento recente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, evidencia a importância do combate à violência contra a mulher. Cumprindo o papel da arte nessa luta, o projeto "Trilogia do Feminicídio" leva ao Teatro Hermilo Borba Filho, a partir desta quarta-feira (04), três espetáculos que discutem o tema. Mais do que apresentar números, as peças dão visibilidade às histórias de vítimas do machismo cotidiano, através dos trabalhos de quatro atrizes da cena pernambucana.

Os três espetáculos serão apresentados na mesma noite, em horários seguidos, às 19h, 20h e 21h. As sessões serão repetidas nos dias 5, 11 e 12 de setembro, em ordens diferentes. Os ingressos custam R$10 (cada peça) e um item de higiene pessoal. Toda a renda arrecadada com a bilheteria será revertida em doações para mulheres encarceradas e crianças nascidas em prisões de Pernambuco.

O projeto, que conta com incentivo do Funcultura, é fruto da pesquisa realizada para outra montagem, estrelado por Eric Valença e Nínive Caldas. "Quando estávamos no processo de construção de 'Pezinho de Galinha', em 2014, estudamos muitos boletins de ocorrência. Isso ficou no meu registro e venho trabalhando isso. Logo em seguida, 'Carne ou Vodka' trazia uma narrativa de feminicídio. Considero muito urgente falar sobre isso", aponta Eric, que assina a direção das obras.

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Para a elaboração das novas dramaturgias, foram ouvidas vítimas de abusos, delegadas e profissionais de centros de acolhimento. A deputada estadual Gleide Ângelo, conhecida por seu engajamento contra a violência doméstica, foi uma das entrevistadas. Para ela, o projeto tem a tarefa de multiplicar informações fundamentais sobre o assunto.

Diretor e elenco de 'Trilogia do feminicídio'

Diretor e elenco de 'Trilogia do feminicídio' - Crédito: Rogerio Alves/Divulgação



"O feminicídio é um crime anunciado e evitável. Não é da noite para o dia, nem na primeira briga. É um ciclo com começo, meio e fim. Então, as pessoas precisam ter consciência do risco que correm em uma relação abusiva. Se não mudarmos a sociedade pela conscientização, a polícia por si só não muda. O teatro é uma forma interessante de chamar atenção para uma realidade muito dura e cruel para tantas mulheres, que não são ajudadas, mas sim julgadas", aponta a delegada licenciada.

"Tive a oportunidade de conversar com muitas mulheres, o que me fez conhecer outros mundos. De certa forma, estamos acostumados a ter contato com essas histórias só por meio da mídia. Vivenciar essa realidade mais de perto fortaleceu bastante a minha criação dentro do espetáculo", conta Gheuza Senna, que estrela o monólogo "Aparecida". A peça questiona a posição de uma mulher negra dentro do universo da polícia e da investigação dos crimes de feminicídio.

Nínive Caldas e Laís Vieira dividem a cena em "Triz", criado com base em conversas com psicólogas, assistentes sociais e advogadas junto ao Centro de Referência Clarice Lispector e a Secretaria Executiva de Ressocialização de Pernambuco. Já no solo "Coisas que acontecem no quintal" a atriz Tati Azevedo interpreta três personagens: uma mulher trans, a Pastora Adélia e Mainha, uma parteira e rezadeira.

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