Camila Queiroz, a Vanessa de “Verão 90”, da Globo
Camila Queiroz, a Vanessa de “Verão 90”, da GloboFoto: Globo/Divulgação

Camila Queiroz é do tipo que sabe exatamente o que quer. Mas, ao mesmo tempo em que é obstinada, a atriz consegue manter a doçura de sua personalidade e um olhar extremamente interessado sobre a profissão. Talvez, essa vontade de agarrar o mundo com as próprias mãos tenha sido crucial para que ela conseguisse, em tão pouco tempo, construir uma trajetória com tanto potencial.

Logo em sua estreia na televisão, chamou atenção como a protagonista Angel, em “Verdades Secretas”, personagem que lhe exigiu preparo psicológico e desprendimento para expor o corpo. No trabalho seguinte, provou sua versatilidade na pele de uma caipira em “Êta Mundo Bom!” e, mais uma vez, ganhou uma protagonista quando viveu a Luiza de “Pega-Pega”.

Agora, em “Verão 90”, Camila tem a oportunidade de experimentar um perfil nunca antes explorado com a esperta Vanessa. “É diferente de todas as personagens que já fiz e me colocou em um lugar como atriz que eu ainda não tinha buscado. É interessante porque Vanessa é uma vigarista, mas também é muito engraçada. A gente ri, chora, sente raiva, tudo ao mesmo tempo. Ela é uma explosão dentro de mim”, compara.

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Pouco a pouco, Camila vai se inteirando da rotina de gravações da atual novela das 19 horas. Mas a atriz já pôde perceber que dificilmente ficará na zona de conforto com o papel. Isso porque, a cada novo bloco de capítulos que recebe, se dá conta de que Vanessa muda bastante. “Ela é uma camaleoa, é como se tivesse uma personalidade por cena, o que eu acho ótimo”, observa.

Casada com Klebber Toledo, Camila tem um importante aliado no dia a dia de trabalho. É que o ator também está no elenco de “Verão 90”, na pele de Patrick. Por isso, os dois podem estudar o texto juntos, além de trocar impressões sobre a novela. Mas o encontro dos personagens de ambos na ficção ainda não tem previsão de acontecer. “Por enquanto, a gente nem se cruzou nas cenas”, constata.

Entrevista

A sua personagem está sempre tentando se dar bem em “Verão 90”. O que mais chamou sua atenção em relação a ela?

Vanessa é a vigarista da história, ela é muito divertida. Eu estou adorando fazer porque é uma coisa que eu nunca tinha experimentado, talvez um lugar até mais maduro dentro de mim.

Em que sentido?

Porque Vanessa tem suas maldades, mas que talvez nem sejam maldades. Eu não sei nem como explicar isso. Ela não faz para prejudicar o próximo, ela sempre faz para se dar bem. Eu acho que essa é a diferença entre a vilã e a vigarista. Vanessa é vigarista. Eu quero tirar esse rótulo de vilã e mocinha. Não tem mais isso, acho que todo mundo hoje em dia é bom e ruim em algum momento. Eu estou me divertindo e aproveitando o texto, que é muito rico de informações.

A estética dos anos 90 faz parte de todos os aspectos da novela: figurino, caracterização e cenários. Como você avalia a influência desse período na sua personagem?

O figurino da minha personagem é bem próximo ao tempo de hoje porque muitas coisas voltam. A moda dos anos 90 está muito presente de novo, no nosso guarda-roupa. Da turma toda, a Vanessa é a que menos usa o figurino colorido. A paleta de cor dela é preta e branca. No máximo, ela tem uma jaqueta de paetê, mas está sempre com as cores mais discretas. Porém, com figurinos bem ousados.

Você acha que sua personagem será odiada pelo público?

Acho que, em algum momento, a Vanessa vai ser odiada, sim. Mas vai ser óbvio de entender o porquê e eu não tenho nenhum medo disso. Com a Angel, de “Verdades Secretas”, eu vivi as duas vertentes. Consegui sentir um pouco do ódio das pessoas porque a mãe dela se matou e aí culparam a filha e também senti que as pessoas amavam a personagem. Estou deixando acontecer, mas ansiosa para ter a resposta do público.

Você costuma se assistir no ar para aperfeiçoar seu trabalho no decorrer dos capítulos de uma novela?

Sim. É bom a gente poder ver e entender o que está fazendo para saber o que pode melhorar. A gente faz a cena achando que está fazendo uma coisa, mas, no vídeo, a câmera ou pega mais ou pega menos aquilo que você quis passar. Agora, também estou na expectativa de entender quem é a Vanessa.

Das características dos anos 90, a pluralidade da música é bastante presente em “Verão 90”. Quais são suas lembranças daquela época?

Sempre dançava “na boquinha da garrafa”. É O Tchan, Sandy & Júnior, Xuxa e Chiquititas fizeram parte da minha época. Assisti muito ao “TV Globinho”, costumava ver os desenhos antes de ir para a escola. Os anos 90 que eu vivi no interior de São Paulo foram muito diferentes dos anos 90 do Rio de Janeiro, que fervia, era quente. As pessoas eram mais livres e julgavam menos, não viviam de aparências e de redes sociais. A gente sempre está tentando voltar para esse lugar, mas parece que está cada vez mais difícil, a gente tem cada vez mais se envolvido com internet, com rede social e um mundo que não é real.

Você divide várias cenas com Jesuíta Barbosa e Gabriel Godoy. Como tem sido o dia a dia de trabalho com essa parceria a três?

Maravilhosa, a gente está se divertindo muito. A gente brinca porque tem o trio Patotinha e a gente diz que somos o trio Patotinha. É muito engraçado, as cenas dos três sempre são divertidas. Está sendo uma experiência muito nova e muito gostosa. E tem muito humor. Por isso que eu não acho que ela seja vilã. Eu deixo essa função de vilã para a personagem da Totia Meirelles, que realmente é ruim para o próximo. A Vanessa só quer se dá bem e acaba sendo muito engraçada nisso. Também tem o amor dela pelo Jerônimo, mas não é correspondido.

Muito se escuta falar sobre a continuação de “Verdades Secretas”. Sabe algo sobre isso?

Eu acho que essa é a pergunta que eu mais recebo todos os dias. Mas, se tiver, é para o ano que vem ou depois. Em 2019, será impossível porque o Walcyr Carrasco está para estrear uma novela das 21h, então até acabar e ele tirar as férias dele, não vai ser tão cedo. Mas tudo o que a gente sabe é o que está na internet. Ninguém falou nada sobre isso com o elenco até agora. É uma pena não ter nenhuma informação porque todo mundo me cobra e eu adoraria poder responder e dizer que realmente vai ter.

Camila Queiroz e Kleber Toledo

Camila Queiroz e Kleber Toledo - Crédito: Reprodução/Instagram



Amor construído

O romance entre Camila Queiroz e Klebber Toledo começou nos bastidores de “Êta Mundo Bom!”, exibida pela Globo em 2016. Na época, os dois formavam um par romântico, nas peles de Mafalda e Romeu. Porém, não foi logo de cara que eles se deram bem. Levou algum tempo até que percebessem uma sintonia. Mas, depois que engataram em um namoro, o caminho para o altar foi inevitável.

Casaram-se em junho de 2018 no civil e, em agosto, fizeram uma cerimônia em Jericoacoara, no Ceará. Porém, o trabalho acabou adiando os planos para a lua-de-mel, que vai ficar para depois da trama das sete. “A gente casou no dia 25 e, no dia 30, eu já estava me preparando para a novela”, explica.

Apesar de, por enquanto, não dividirem cena em “Verão 90”, Camila e Klebber gostam de estudar juntos em casa. De vez em quando, dependendo do cronograma de gravação, conseguem ir para o estúdio ou voltar para casa juntos. “É bom porque a gente tira dúvidas da novela e um da pitaco no trabalho do outro. É uma delícia”, destaca.

Velha infância

Nascida em 1993, em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, Camila Queiroz guarda com carinho as lembranças de sua infância, vivida na mesma época em que “Verão 90” é ambientada. Volta e meia, a atriz se recorda das festas de aniversário temáticas e das brincadeiras que eram “febre” entre as crianças, além das músicas mais escutadas. “A minha infância foi toda Xuxa, Sandy & Júnior, É o Tchan...”, diz.

Agora na pele de Vanessa, a atriz tem a chance de olhar de outra forma para o mesmo período: através das vivências de sua personagem. Para isso, passou por um laboratório antes de começar as gravações da novela em que conversou com outros atores sobre acontecimentos importantes da década e ainda fez aulas de danças que estavam em voga. “É muito bom hoje poder falar e viver os anos 90 de uma forma mais madura, buscando outras referências. É uma época diferente de hoje e, ao mesmo tempo, próxima”, analisa.

 

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