Uma Série de Coisas

Fernando Martins

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K-drama "Louvor à Morte" conta a história real entre o escritor Kim U-jin e a soprano Yun Sim-deok
K-drama "Louvor à Morte" conta a história real entre o escritor Kim U-jin e a soprano Yun Sim-deokFoto: Divulgação/Netflix

A cultura oriental vem despertando o interesse do público ocidental há anos. Em Pernambuco, mais especificamente em Recife e Olinda, eventos que disseminam a gastronomia, os costumes e conteúdos audiovisuais, existentes do outro lado do mapa, já se tornaram constante e é uma boa maneira de atrair não apenas quem é fã, mas também quem deseja conhecer mais sobre diferentes culturas, principalmente nos meses relacionados às férias.

No ano passado, por exemplo, a XXII Feira Japonesa do Recife celebrou os 60 anos da imigração japonesa em Bonito, município pernambucano. Já o Super-Con, outro evento de grande porte no nordeste, chega com sua 15ª edição nos próximos dias 20 e 21. Na ocasião acontecem diversos torneios e campeonatos de cosplay, k-pop, além de várias atrações nacionais e internacionais, relevantes na cultura asiática.

Mangás, músicas e personagens de animes são o carro-chefe quando o assunto é cultura pop asiática, mas graças à globalização causada por plataformas como a Netflix, o extinto DramaFever e o Viki, app grátis disponível para Android e iPhone (iOS), as séries e novelas asiáticas, mais conhecidas como Doramas, caíram no gosto dos brasileiros e faz muito sucesso. A palavra é de origem japonesa e em tradução direta significa “drama”, mas não está relacionada ao gênero, porque existem doramas de ação, romance, comédia, entre outros. A grafia pode variar de acordo com cada país da Ásia, por exemplo, a novela coreana é entendida como k-drama – o ‘k’ faz alusão à versão original, escrita ‘korea’ –. No Japão, a novela é chamada de J-drama, já em Taiwan é o TW-drama, etc. 

O formato do folhetim oriental é um pouco diferente do que os brasileiros estão acostumados. Quem nunca assistiu e quer começar, pode sentir um pouco de estranheza no início. Os doramas tendem a durar em torno de 60 episódios, exibidos uma ou duas vezes por semana. A narrativa também é bem específica, desenvolvendo clichês e situações caricatas, como famílias ricas, amor proibido e a intenção do beijo apaixonado e interrompido até o ápice do episódio.

MACHISMO E REPRESENTATIVIDADE

Existe um lado tenebroso dentro de grande parte das histórias desenvolvidas no oriente referente ao machismo e comportamentos abusivos dos personagens, tratados dentro da narrativa com certa banalidade. Garotos que puxam o braço da menina para conseguir atenção ou para força-la a ir para outro lugar, além da chantagem emocional “em nome do amor” ou homens que se passam por homossexuais para conseguir a confiança da mulher amada, são comportamentos frequentes e colocados em cenas sem o tom de crítica ou conscientização necessária, como é o caso de uma das novelas coreanas de maior sucesso entre os jovens, “Boys Before Flowers”, lançada em 2009.

Outra questão que é alvo de críticas está na pouca ou nenhuma representatividade LGBTQI+ nos dramas. Em algumas culturas, como na Coreia, é comum dois homens se abraçarem ou andarem de mãos dadas sem que isso esteja relacionado à sexualidade. Por isso, um casal homo afetivo pode passar despercebido nas ruas sul-coreanas. Ainda assim, verbalizar a orientação sexual ainda é um tabu a ser combatido. Dessa forma, o k-drama “Detectives of Seonam Girls’ High School”, antes de ser lançado em 2015, precisou passar por uma análise realizada pela Comissão de Padrões de Comunicação da Coreia porque argumentavam que, por conter um beijo entre duas garotas, seria uma violação à política de transmissão.

É possível perceber que as novelas com esse teor têm ficado um pouco de lado, dando lugar a dramas mais inclusivos e com protagonistas empoderadas e independentes, mas essa realidade está longe de se tornar a ideal, já que a TV do oriente reflete uma cultura tão antiga, hereditária e patriarcal.

ONDE ASSISTIR?

Mesmo com a popularização desse tipo de conteúdo, ainda é difícil encontrar onde assistir no Brasil. O DramaFever era um serviço de streaming semelhante à Netflix, com programas e documentários asiáticos exclusivo para assinantes. A plataforma atuou por nove anos, mas foi fechada por questões comerciais, segundo a Warner Bros, dona da antiga empresa.

Como citado no começo do texto, outra opção é o Viki, um aplicativo disponível nas versões android, iOS e PC. Nele é possível assistir filmes, séries e novelas chinesas, japonesas, coreanas e taiwanesas.

E, claro, a Netflix tem investido bastante em animes, doramas e filmes estrangeiros. A empresa vem adquirindo um bom “cardápio” para quem curte romances orientais. A seguir, listei algumas produções indicadas pelos leitores que amam uma boa novela oriental. Vale lembrar que já indiquei algumas séries estrangeiras para quem quer sair do básico, aqui no FolhaPE. Conta nos comentários qual seu dorama favorito, caso não tenha mencionado aqui!

“Louvor à Morte” (2018)

A história contada em “Louvor à Morte” é baseada em fatos reais. A série é ambientada no período colonial japonês e dividida em apenas três episódios, expondo o romance entre o escritor Kim U-jin (Lee Jong-Suk) e a soprano Yun Sim-deok (Shin Hye-sun), mesmo ele já tendo um casamento arranjado por sua família. O caso ficou bastante conhecido na Ásia, tendo sido adaptado para o teatro e cinema.

Disponível em: Netflix.
Número de episódios: 03.
Duração: 60min/ep.
Veja o trailer na Netflix.

“Goblin” (2016)

Kim Shin (Gong Yoo) é um goblin imortal e tem como dever proteger as almas humanas. Diferente dos outros goblins, o protagonista não quer mais viver para sempre, mas só pode por fim à sua vida se casando com uma humana.

Disponível em: Viki.
Número de episódios: 19.
Duração: 1h15min/ep.
Assista no Viki.

“One More Time” (2016)

Às vezes temos vontade de voltar no tempo e tentar fazer tudo de outra forma ou tentar fazer certo o que deu errado? É nisso que se baseia o k-drama “One More Time”. O vocalista de uma banda indie larga a namorada e a banda por causa de uma grande oportunidade de emprego. Em certo momento da história, o protagonista morre e acorda no mesmo dia: 4 de outubro. Agora, ele precisa descobrir porque volta sempre para esta data e como faz para isso acabar.

Disponível em: Netflix.
Número de episódios: 08.
Duração: 30min/ep.
Veja o trailer na Netflix.

“Sky Castle” (2018)

A trama segue a vida de cinco donas de casa que vivem em um luxuoso prédio de apartamentos, chamado "Sky Castle". Elas tentam tornar seus maridos mais bem sucedidos e criar seus filhos como príncipes e princesas.

Disponível em: Viki.
Número de episódios: 20.
Duração: 1h/ep.
Assista no Viki.

“Descendentes do Sol” (2016)

Yoo Shi Jin (Joong-ki Song) é o capitão das forças especiais coreana. Ele conhece e se apaixona pela médica Kang Mo Yeon (Hye-kyo Song) quando ele e seu colega de trabalho acabam machucando um bandido. Durante os episódios, o casal precisa manter a relação ao mesmo tempo em que lidam com os obstáculos do árduo trabalho.

Disponível em: Viki.
Número de episódios: 19.
Duração: 1h/ep.
Assista no Viki.

*Fernando começou a assistir a séries de TV e streaming em 2009 e nunca mais parou. Atualmente ele acompanha mais de 200 produções e já assistiu mais de 6 mil episódios. A série mais assistida - a favorita - é 'Grey's Anatomy', à qual ele reassiste com qualquer pessoa que esteja disposta a começar uma maratona. Facebook: Uma série de Coisas. Instagram: @umaseriedecoisas. Twitter: @seriedecoisas_ YouTube: Uma Série de Coisas. Podcast: Pocbuster. Portal: umaseriedecoisas.com.br.

*A Folha de Pernambuco não se responsabiliza pelo conteúdo das colunas.

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