Vida Saudável

Ney Cavalcanti e Solange Paraíso

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Substituições simples reduzem o descarte
Substituições simples reduzem o descarteFoto: Diulgação

Cresce a onda de conscientização para o consumo consciente. Gostei quando li em algum lugar que “resíduo bom é resíduo não gerado”. Vocês já pensaram em quantas coisas descartáveis compramos e trazemos para casa, junto a tudo que entra em nossas despensas e cozinhas?

Em quantas embalagens de papel, papelão, alumínio e outros metais, plástico, vidro, etc. selecionamos, tudo em nome da modernidade e da praticidade, em detrimento, até, do que é mais saudável?...

É raro eu usar canudos. Até há pouco tempo, trazia para casa os canudos plásticos que usara para tomar água de coco na praia, lavava e reutilizava. Até o dia em que adquiri uns canudos inoxidáveis acompanhados de uma escovinha, vendidos em bolsinhas artesanais.
Aproveitei para presentear alguns amigos, até. Em contraponto a isto, lembrei de quando visitei os Estados Unidos e me hospedei em casas de amigos brasileiros. Numa delas, com dois adultos e três crianças pequenas, todos os pratos, copos, talheres, formas para o preparo de bolos, refogados e assados usados diariamente, eram descartáveis. Lavar louça, para aquela família, dava muito trabalho. Era estarrecedor!

Eu vim de uma cultura doméstica do “nada se perde, tudo se aproveita”. Até hoje, luto contra a tendência de guardar potinhos de plástico e de vidro e outras embalagens, evitando me tornar acumuladora (o que chega a ser quase tão danoso quanto praticar o desperdício).

O que dá para reutilizar ou doar, já faço. Sacos plásticos mais grossos, como os que embalam sabão em pó, são guardados para acondicionar latas para descarte; embalagens de material PET podem ser úteis para proteger vidros quebrados, agulhas, lâminas e outros materiais perfurocortantes, e assim por diante.

Na realidade, o consumo consciente já se inicia com a reflexão: será que preciso mesmo comprar isto? Conheço a origem? Posso escolher, por exemplo, um produto artesanal, ao invés de algo industrializado, mantido o critério da funcionalidade?

Quando se trata de roupas e sapatos, ou de outros itens do vestuário, quanto bem faz “destralhar” o que não se usa há um bom tempo, destinando a pessoas necessitadas, bazares e campanhas de solidariedade!

Com tudo que gira em torno da compra, armazenamento, preparo e conservação de alimentos, dá-se o mesmo. Uma lista de compras consciente considera a necessidade real em quantidade e quanto ao gasto de energia elétrica ou gás, ao tempo que despenderá, ao espaço disponível e às habilidades da pessoa ou da família.

O aproveitamento integral dos alimentos, utilizando cascas e talos em receitas criativas é uma das mais antigas iniciativas de consumo consciente. Uma tendência mais atual é o consumo das PANCs, ou Plantas Alimentícias Não Convencionais, cuja escolha requer conhecimento seguro de suas propriedades para uso humano.

A pegada do consumo de alimentos orgânicos in natura, ou mesmo de produtos beneficiados desta matéria prima, o interesse em visitar a produção agroecológica em seu nascedouro (como o SERTA e o Centro Sabiá, p. ex.), propiciam também o despertar da consciência. O “descasque mais e desembale menos” chegou para ficar, se depender de nossas orientações.

Dentro da perspectiva do consumo consciente, escolhi, há anos, ter minha própria iogurteira. Reaproveito sobras de alimentos “numa boa”. Aonde vou, levo minha água de beber numa garrafa durável. No trabalho, canecas de louça, comida levada de casa em utensílios duráveis (as peças principais dos meus talheres são datadas de 1980).

Feira de hortifrutigranjeiros e demais compras de alimentos, sempre em sacolas retornáveis. Reutilizo umas 2 ou 3 vezes os eventuais sacos plásticos que chegam lá em casa, mas ainda estou cogitando trocar os guardanapos de papel por uns mais duráveis. Um dia chego lá!

*É nutricionista e atua no Tribunal de Justiça de Pernambuco no Núcleo do Programa Saúde Legal e escreve neste espaço a cada 15 dias

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