Estaleiro Atlântico Sul
Estaleiro Atlântico SulFoto: Clemilson Campos/Arquivo Folha

Com a última entrega realizada em junho passado e sem previsão de novas encomendas, o Estaleiro Atlântico Sul vai suspender as atividades no Complexo Industrial Porto de Suape.

A Empresa, que chegou a empregar mais de 6 mil funcionários, já trabalhava há um certo tempo com o mínimo possível para dar conta da manutenção dos navios construídos, menos de 200 empregados.

Por meio de nota, no entanto, a empresa não admite o encerramento das operações. “As atividades do EAS foram reduzidas de forma planejada após a entrega da última encomenda firme recebida pelo estaleiro, no caso um modelo Aframax, entregue à Transpetro no último dia 24 de junho”, afirma documento, que completa dizendo que o estaleiro vem procurando alternativas para continuar suas operações. “As tratativas com os interessados estão em fase de desenvolvimento, portanto ainda não firmes”, finaliza material.

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O presidente do Porto de Suape, Leonardo Cerquinho não enxerga com surpresa com o anúncio da redução das atividades do EAS. “Eles já vinham reduzindo há muito tempo as atividades, tanto que essa última redução não tem mais o impacto do começo. Enquanto estado, estamos limitados em relação às ferramentas para ajudar o estaleiro a ter garantias de novas encomendas e financiamentos dos bancos federais, o que depende realmente da postura do governo federal”, diz Cerquinho.

Para o presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore, Sérgio Bacci, o anúncio do EAS vai de encontro com a realidade do setor naval brasileiro. “Não há como se manter aberto e operante sem encomendas. Não tem obra, não tem como pagar. Se não tiver uma mudança na maneira do governo Federal enxergar a situação do setor, dificilmente teremos estaleiro aberto ano que vem”, prevê Bacci.

Ele ressalta que é necessário alguma política que abranja o setor, que já empregou no País cerca de 84 mil pessoas e que atualmente conta com cerca de 17 mil. “Estamos tentando mostrar a importância desse setor, que teve um alto investimento no passado por parte do governo Federal, cerca de $5 bilhões, e que caminha para um fim triste”, comenta, lamentando a falta de diálogo com o ministério da Infraestrutura, pasta que integra o setor. “Não estamos tendo do governo boa vontade em nos escutar. Desde que assumiu, tentamos uma audiência com o ministro (Tarcísio Freitas), mas até a presente data, não obtivemos nenhum sucesso”, completa o presidente do Sinaval.

Sobre o assunto, a reportagem procurou o ministério da Infraestrutura, mas até o fechamento desta edição o mesmo não havia formulado uma resposta à nossa demanda.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Pernambuco, Henrique Gomes, o encerramento das atividades do EAS custou o emprego de mais de cem funcionários que ainda trabalharam no segmento de reparos do estaleiro pernambucano. “Em encontro semana passada, o Estaleiro formalizou que ficará com no máximo 35 trabalhadores que ainda estão na carência de estabilidade da Cipa até o próximo ano e que não tem previsão de retorno na fabricação de navios em Pernambuco”, diz o sindicalista que não verificar um futuro concreto para o setor no estado, enquanto o EAS afirma que “a diretoria continua a trabalhar com o objetivo de encontrar um caminho que melhor atenda aos interesses da Companhia e seus stakeholders, incluindo acionistas, agentes financeiros, e a comunidade pernambucana”, conclui nota.

Vard
Enquanto o EAS segue sem previsão de retornar as atividades, o Vard Promar que conta com cerca de 80 funcionários no estaleiro, também em Suape, tenta se manter firme no mercado. Segundo a companhia, o estaleiro, que em março perdeu a licitação para construção das quatro corvetas da Marinha Mercante, que inclusive está em análise para ser contestada no Tribunal de Contas da União (TCU), continua na busca de novas obras e segue mantido em Pernambuco pelo Fincantieri.

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