Em recuperação, Casas Bahia reduz prejuízo no 1º tri e vê potencial de voltar ao lucro este ano
Companhia reestrutura dívida de R$ 4,1 bi. Nos primeiros três meses do ano, somou perdas de R$ 261 milhões, com queda de 14% nas vendas. Executivo prevê antecipação da reação
A Casas Bahia — que reúne a varejista de mesmo nome e o Ponto e recentemente anunciou uma renegociação de sua dívida de R$ 4,1 bilhões — reduziu o seu prejuízo líquido em 12% no primeiro trimestre deste ano, na comparação anual, para R$ 261 milhões. As vendas caíram 14% no mesmo período, somando R$ 6,35 bilhões em receitas.
Apesar de ainda estar no vermelho, a companhia oficialmente espera voltar a ter lucro no próximo ano, agora que chegou a um acordo com os credores por meio de uma recuperação extrajudicial. E o sinal do seu principal executivo é de que as previsões atuais podem ser conservadoras.
Quando foi montado o plano de reestruturação, a ideia era ter a companhia lucrativa a partir de 2025, disse o CEO, Renato Franklin, em entrevista na quarta-feira. “Mas há uma chance de antecipar isso.”
— Estamos com boa expectativa para o segundo trimestre, podemos antecipar resultados que esperávamos mais para o final do ano — afirmou o executivo à agência Bloomberg.
O prejuízo líquido de R$ 261 milhões no primeiro trimestre deste ano ficou abaixo da perda de R$ 375 milhões esperada por analistas no consenso Bloomberg. No mesmo período do ano anterior a varejista teve perda de R$ 297 milhões.
A empresa entrou com um acordo extrajudicial com seus principais credores no fim de abril para reescalonar o pagamento de dívidas de R$ 4,1 bilhões.
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O plano inclui carência de 24 meses para pagamento de juros e 30 meses para pagamento da dívida principal da empresa. “Isso aumenta nosso espaço para respirar e nos permite focar na empresa”, disse o CEO.
Mercado é cético
Os analistas de mercado, entretanto, veem até mesmo a previsão oficial de lucro em 2025 com ceticismo. Eles projetam que a Casas Bahia terá prejuízo líquido até 2027, segundo estimativas compiladas pela Bloomberg.
As varejistas no Brasil foram esmagadas pela concorrência online de empresas como MercadoLibre e Shein. Muitos contraíram dívidas para melhorar sua logística e infraestrutura de comércio eletrônico, mas depois enfrentaram dificuldades quando as taxas de juros subiram na batalha contra a inflação.
Franklin citou dados positivos sobre vendas de móveis, melhoria na emissão de cartões de crédito e otimismo em relação aos resultados do Dia das Mães, bem como progresso na redução de custos e negociações bem-sucedidas com credores, como razões para antecipar uma surpresa positiva nos próximos meses.
Ele disse que a empresa já concluiu o fechamento de lojas e também os saldões para limpar os estoques, o que lhe proporcionou resultados “mais limpos” no primeiro trimestre e tirou a pressão sobre as margens. A margem bruta da Casas Bahia foi de 30% nos primeiros três meses de 2024.
Franklin disse que a melhoria das condições macroeconômicas também funcionaria como um vento favorável, mas afirmou que a Casas Bahia não conta com isso.
— O plano é lucrar com esse cenário de demanda reprimida e taxas elevadas — disse ele, acrescentando que a varejista trabalha com taxa Selic de 10% no período de 12 meses.