Ex-vice da Caixa é demitido por justa causa por assédio sexual e moral após apuração da CGU
A pena de demissão é a maior dentro do setor público na esfera administrativa
O ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal Antônio Carlos Ferreira de Sousa foi demitido por justa causa após investigações comprovarem a prática de assédio moral e sexual. A demissão, assinada pelo ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), foi publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira.
Os atos ocorreram durante a gestão do ex-presidente da Caixa Pedro Guimarães indicado para comandar o banco no início do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2019. Sousa ocupou as Vice-Presidências de Estratégia e Pessoas e de Logística e Operações. Procurado, ele ainda não se manifestou.
Leia também
• "Foi assustador": onda de assédio sexual no Caminho de Santiago coloca mulheres peregrinas em risco
• Editora suspende a publicação de livros de Silvio Almeida
• Noël Le Graët: justiça arquiva acusação de assédio sexual contra ex-presidente da Federação Francesa
As acusações de assédio sexual e moral foram feitas por meio do canal Contato Seguro do banco. As denúncias apontavam perseguições a empregados, destituições de funções sem justificativa e práticas reiteradas de assédio sexual, segundo nota da CGU, que conduziu a investigação. A pena de demissão é a maior dentro do setor público na esfera administrativa. Procurada, a Caixa ainda não se manifestou.
"De acordo com a investigação, o assédio moral se manifestava por meio de tratamento desrespeitoso, humilhações constantes, ameaças e constrangimento aos trabalhadores. Já o assédio sexual incluía condutas como elogios inadequados, insinuações de cunho sexual e convites insistentes, gerando intimidação e desconforto às vítimas", diz a nota da CGU.
Sousa é funcionário de carreira e, portanto, será demitido mesmo que tenha entrado por concurso. Ele foi afastado da vice-presidência em julho de 2022, após o escândalo ser revelado pelo site Metrópoles. Guimarães foi demitido e auxiliares diretos sem vinculo com a Caixa também perderam os cargos.
O caso foi apurado pelo Ministério Público do Trabalho e, na esfera criminal, pelo Ministério Público Federal. As investigações resultaram em ações judiciais contra o próprio banco e ex-dirigentes.