Fãs de Elon Musk compram ações da Tesla, que estão em queda
Crise de imagem do bilionário gera protestos e afeta desempenho na Bolsa, mas memória de ganhos passados faz com que investidores continuem comprando papéis da fabricante de carros elétricos
As ações da Tesla estão em queda livre. Suas vendas estão despencando globalmente. Até mesmo os investidores mais otimistas de Wall Street estão cautelosos. No entanto, um grupo segue comprando ações da fabricante de veículos elétricos como nunca antes: os fãs de Elon Musk.
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A Tesla sempre teve uma base fiel de investidores individuais que acompanham cada palavra de Musk no X, rede social comprada pelo bilionário. Esses investidores analisam a empresa minuciosamente em fóruns on-line e, na prática, funcionam como uma equipe de propaganda.
Mas seu nível atual de entusiasmo é surpreendentemente alto, mesmo para os padrões históricos. Investidores individuais compraram ações da Tesla por 13 sessões consecutivas, injetando US$ 8 bilhões no papel, segundo dados de negociação da JPMorgan Chase. Esse é o maior fluxo de entrada já registrado em qualquer sequência de compras desde 2015, o período mais longo analisado pelos dados.
“Já perdi várias oportunidades com a Tesla no passado. Agora que as ações caíram bastante, será que este é um bom momento para investir?”, escreveu um usuário na rede social Reddit. Outro afirmou estar “muito feliz” por comprar a ação na faixa de US$ 225 a US$ 230. As ações fecharam a US$ 236,26 na quinta-feira e subiram 4,4% para US$ 246,61 no início da tarde em Nova York.
O que torna essa onda de compras tão notável é que, ao longo desse período, o preço das ações da Tesla caiu 17%, eliminando mais de US$ 155 bilhões do valor de mercado da empresa.
Ganhos passados impulsionam investidores
“Tesla tornou alguns investidores novatos e intermediários extremamente ricos. Muitas pessoas se tornaram milionárias por causa dessas ações”, disse Nicholas Colas, cofundador da DataTrek Research. “As pessoas não esquecem disso e tendem a voltar para uma ação quando sentem que ela foi muito castigada.”
As ações da Tesla estão em queda acentuada desde meados de dezembro, quando atingiram uma máxima histórica impulsionada pelo otimismo após a vitória de Donald Trump na eleição. No entanto, essa euforia desapareceu rapidamente, com as ações caindo mais de 50% desde o recorde de 17 de dezembro, tornando a Tesla a segunda maior queda do índice S&P 500 neste ano.
A situação ficou tão grave que, na última quinta-feira, Musk buscou tranquilizar os funcionários da Tesla em uma reunião geral da empresa.
O entusiasmo dos investidores de varejo também foi visível no X, onde as ações da empresa foram amplamente mencionadas. No Stocktwits, outro fórum on-line para traders individuais, a Tesla liderou a lista dos ativos mais discutidos na sexta-feira.
Crise de imagem e queda nas vendas
O que ficou claro é que o que Wall Street via como uma vantagem para a empresa – o papel de destaque de Musk no governo Trump, como chefe do Departamento de Eficiência Governamental – se tornou um grande problema.
Sua crescente presença política e envolvimento em controvérsias na Europa geraram uma reação negativa contra a Tesla e seu líder, tornando seus carros símbolos políticos.
Protestos violentos têm ocorrido: coquetéis molotov foram jogados em showrooms da Tesla, e estações de carregamento foram vandalizadas.
As vendas de veículos da Tesla despencaram em mercados importantes como França, Alemanha, China e Austrália.
Os números globais só serão divulgados quando a empresa reportar os dados de entrega do primeiro trimestre, no início do próximo mês, mas analistas de Wall Street já reduziram agressivamente suas projeções de vendas e lucros, citando um cenário desanimador.
Na quinta-feira, Adam Jonas, analista do Morgan Stanley e um dos principais defensores da Tesla no mercado, reduziu seu preço-alvo para a ação e cortou suas previsões de vendas para a empresa. Ele citou a crescente concorrência, a frota envelhecida de veículos e uma "resistência dos compradores devido à imagem negativa da marca".
No entanto, ele manteve sua recomendação de compra, argumentando que as expectativas fracas de curto prazo não mudam a narrativa de longo prazo, que depende da robótica e da inteligência artificial.
O analista da Wedbush, Daniel Ives, elogiou Musk por tranquilizar funcionários e investidores em um momento crucial. Segundo ele, se o CEO continuar liderando com sua visão, 90% do valor da Tesla no futuro virá da tecnologia de direção autônoma e robótica.
Esse otimismo explica, pelo menos em parte, o entusiasmo contínuo dos investidores de varejo.
“Esse tipo de investidor não liga para avaliações financeiras”, disse Colas. “Eles simplesmente acreditam no futuro da empresa e nas habilidades de Elon Musk.”