Nave espacial privada dos EUA pousa na Lua em possível posição desfavorável
Em sua segunda missão ao satélite, a empresa Intuitive Machines enviou o módulo de pouso hexagonal Athena, de 4,8 metros de altura, para o vasto planalto de Mons Mouton
Um módulo privado americano conseguiu pousar na Lua nesta quinta-feira, embora as equipes de controle estejam trabalhando para avaliar seu estado e determinar se está em posição desfavorável, como já aconteceu em uma missão anterior.
Em sua segunda missão ao satélite, a empresa Intuitive Machines enviou o módulo de pouso hexagonal Athena, de 4,8 metros de altura, para o vasto planalto de Mons Mouton, mais perto do polo sul lunar do que em qualquer tentativa anterior.
Athena pousou em um ângulo irregular na Lua, disse nesta quinta-feira o diretor-executivo Steve Altemus, durante uma coletiva de imprensa conjunta com a Nasa.
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"Não acreditamos que estamos na posição correta na superfície da Lua", acrescentou Altemus depois que o módulo chegou perto do polo sul lunar.
Esse posicionamento, explicou, poderia limitar a missão devido a uma geração de energia e comunicações abaixo das condições ideais.
Vinte minutos após o horário previsto para a alunissagem (pouso na superfície lunar), o porta-voz da empresa, Josh Marshall, anunciou: "Athena está na superfície da Lua". No entanto, acrescentou que as equipes continuavam analisando os dados recebidos para determinar o estado do módulo de pouso e tentavam recuperar uma imagem.
No início de 2024, a companhia foi a primeira empresa privada a pousar uma nave na Lua, mas sua sonda acabou inclinada e danificada após uma descida acidentada.
Athena, por sua vez, foi projetada para testar uma série de tecnologias avançadas que poderiam apoiar futuras missões lunares tripuladas, incluindo um sistema de perfuração de gelo, um experimento de rede 4G, três exploradores e um drone saltador, o primeiro de seu tipo.
A pressão sobre a empresa era alta depois que a Firefly Aerospace, uma empresa do Texas, conseguiu que seu módulo Blue Ghost pousasse apenas alguns dias antes, no domingo.
Ambas fazem parte de um programa da Nasa, de US$ 2,6 bilhões (R$ 14,9 bilhões), que visa usar a indústria privada para reduzir custos e apoiar Artemis, o esforço da agência espacial americana para voltar a levar astronautas à Lua e, eventualmente, chegar a Marte.
Um saltador chamado Grace
Athena prevê implantar três exploradores e o drone Grace. Um de seus objetivos primordiais é saltar para uma cratera permanentemente sombreada, um local onde a luz do sol nunca brilhou, uma novidade para a humanidade.
Embora o helicóptero Ingenuity da Nasa tenha demonstrado que é possível voar em Marte, a falta de atmosfera na Lua torna impossível o voo tradicional. Assim, saltadores como Grace são uma tecnologia-chave para a exploração futura.
MAPP, o maior dos rover de Athena, ajudará a testar uma rede celular 4G dos Nokia Bell Labs, que o conectará ao módulo de pouso e a Grace.
Também foram enviados um rover mais compacto, do tamanho de um tablet, da empresa japonesa Dymon, e um pequeno rover AstroAnt, equipado com rodas magnéticas para aderir ao MAPP e usar seus sensores para medir as variações de temperatura.
Athena leva ainda o PRIME-1, um instrumento da Nasa que inclui uma broca para procurar gelo e outros químicos sob a superfície lunar, emparelhado com um espectrômetro para analisar suas descobertas.
Pousos na Lua são notoriamente difíceis. O último da Nasa remonta à missão Apolo 17, em 1972.
A falta de atmosfera no satélite natural da Terra descarta o uso de paraquedas e obriga as naves espaciais a depender de impulsos precisos e a se mover sobre terrenos perigosos.