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ECONOMIA

Tarifa do Brasil em produtos dos EUA é quatro vezes menor do que a prevista oficialmente, diz CNI

Informação pode ajudar governo a livrar exportações brasileiras de tarifaço de Trump

Economia no Brasil: Ricardo Alban, presidente da CNIEconomia no Brasil: Ricardo Alban, presidente da CNI - Foto: CNI/Divulgação

Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado nesta quinta-feira, mostra que as importações de produtos americanos que entraram no mercado brasileiro, em 2023, tinham uma tarifa real, ou seja, que de fato é aplicada, de 2,7%.

O percentual é quatro vezes menor do que o imposto nominal de 11,2% que o Brasil assumiu como compromisso na Organização Mundial do Comércio (OMCV).

Esse é um dos argumentos a serem usados em uma negociação com o governo dos Estados Unidos, para que as exportações brasileiras não sejam afetadas por novas tarifas. O presidente americano, Donald Trump, anunciou que seu país aumentará as alíquotas nas importações de fornecedores que cobrarem imposto maior do que os EUA.

Segundo a CNI, a diferença entre a tarifa efetiva aplicada pelo Brasil às importações dos EUA e a tarifa nominal ocorre devido ao uso de regimes aduaneiros especiais, como drawback e ex-tarifário.



O levantamento indica que produtos como motores e máquinas não elétricas, adubos e fertilizantes químicos, óleos combustíveis de petróleo e gás natural não têm a incidência de alíquotas de importação.

O estudo foi elaborado com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O material foi produzido em um momento em que a indústria brasileira monitora, com atenção, as atualizações na política comercial dos EUA.

Além da adoção, sem data prevista, de tarifas recíprocas — o imposto é elevado ao mesmo nível da cobrada sobre as exportações dos EUA — nas importações de todos os países, Trump determinou a aplicação de uma sobretaxa de 25% nas compras externas de aço e alumínio, medida que atinge diretamente o Brasil.

Os EUA são o principal parceiro da indústria de transformação brasileira. Entre 2019 e 2024, as vendas do setor para o mercado americano somaram US$ 159,5 bilhões. Além disso, os EUA ocupam o primeiro lugar no ranking de comércio de serviços e investimentos diretos no país.

A balança comercial bilateral é favorável aos americanos. Nos últimos cinco anos, os EUA acumularam um superávit de US$ 58,3 bilhões. Com outros parceiros internacionais, como China, União Europeia, Canadá e México, o Brasil registra saldos positivos.

— A CNI continuará trabalhando para manter a melhor relação comercial com os EUA, que são o principal destino dos produtos manufaturados do Brasil. Empenharemos esforços para dialogar com o governo brasileiro e o governo americano, conciliar os interesses dos setores produtivos e demonstrar que o relacionamento bilateral é altamente positivo para ambos os países — disse o presidente da CNI, Ricardo Alban.

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