Bissexualidade de surfista causou transtornos na WSL ao disputar etapa no Oriente Médio; entenda
A bicampeã mundial Tyler Wright venceu a primeira disputa do ano da competição e lidera o ranking feminino
A bicampeã mundial australiana Tyler Wright passou por um dilema antes de ter a confirmação de que poderia participar da etapa de Abu Dhabi, no Oriente Médio, da WSL. O país tem fortes restrições a orientações sexuais não heteronormativas, e a surfista, que é assumidamente bissexual e casada com uma mulher, por pouco não ficou de fora da competição.
A maioria dos países da região tem leis que criminalizam relações entre pessoas do mesmo sexo, com punições que variam de multas e prisão a, em casos extremos, pena de morte. Além das restrições legais, há forte repressão social, influenciada por fatores religiosos e culturais que condenam a homossexualidade e a bissexualidade.
Ela é a única surfista assumidamente gay em eventos masculinos ou femininos. Aos 30 anos, ela quebrou um jejum de quase dois anos ao vencer o Pipeline Pro no último domingo (9) na abertura do campeonato.
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Apesar disso e de seu status, a surfista passou por um embate para saber se poderia ou não competir na etapa seguinte. Em outubro, quando foi anunciada a etapa no Oriente Médio a esposa de Tyler, Lilli, e seu irmão Mikey, saíram em defesa da competidora, de acordo com o jornal australiano The Sydney Morning Herald.
Os familiares alegaram que ela foi a primeira surfista a usar a bandeira do orgulho LGBTQ+ enquanto competia. Mikey escreveu no Instagram; “Tanto para igualdade e direitos iguais, apenas quando é conveniente para a WSL. Você apoiou a bandeira LGBTQ no ombro dela, mas agora quer a tirar e ficar em segredo para levá-la a um local onde ela corre o risco dessa punição.”
O consenso é que a família de Tyler acredita que se a surfista profissional não pudesse viajar, poderia ser prejudicada. Lilli também explicou o porquê.
“Não posso deixar de reconhecer que perder esse evento colocaria sua carreira em grande desvantagem nos próximos três anos em que esse local será usado”, disse Lilli. “A homossexualidade de Tyler não deveria ser um fardo ou um obstáculo em seu local de trabalho.”
Uma alternativa para Tyler sentir-se segura seria não disputar a etapa. No entanto, o regulamento da WSL não considera a ausência de um surfista em uma competição do Mundial por motivos de identidade ou segurança. Se optar por não comparecer sem um atestado médico, pode ser multada em até 50 mil dólares e perder pontos importantes na disputa pelo terceiro título mundial.