Conheça Gabriel Sampaio, pernambucano que surfou as ondas gigantes de Nazaré, em Portugal
Atleta, que surfou uma onda de 17 metros, em meio a tempestade Hermínia, deu uma entrevista exclusiva à Folha de Pernambuco
No surfe, uma expressão que ganhou fama foi "Brazilian Storm", que significa "Tempestade Brasileira". O termo surgiu pela primeira vez em 2011 para representar a nova geração do Brasil, liderada por Gabriel Medina, que chegava forte para competir no esporte.
Agora, em 2025, outra "tempestade" vem ganhando força. E ela é pernambucana. Trata-se de Gabriel Sampaio, surfista de 28 anos, que surfou as ondas gigantes de Nazaré, em Portugal, em meio a uma tempestade, literalmente, no final do mês de janeiro.
Gabriel nasceu em Recife, mas aos 9 anos foi morar em Niterói, no Rio de Janeiro. No entanto, ele revelou em entrevista exclusiva à Folha de Pernambuco, que o primeiro contato dele com o surfe veio ainda em águas pernambucanas, quando ainda tinha três anos.
"Aprendi a surfar em Gaibu (Cabo de Santo Agostinho) e ia muito para Porto de Galinhas e Maracaípe (Ambas em Ipojuca). Meu pai sempre foi surfista, sempre foi apaixonado pelo surfe, minha mãe também surfava. Então além deles praticarem esse esporte, a paixão que meu pai sempre demonstrava ao falar sobre surfe, ou quando ia surfar, com certeza me contagiou. O Gabriel e o surfe são a mesma coisa, desde que nasci eu tenho isso e vou levar para o resto da vida", afirmou.
E realmente, Gabriel vem vivendo o surfe na sua vida por todos esses anos. O resultado? Bicampeão do Itacoatiara Big Wave, um dos principais campeonatos da modalidade no Brasil, e surfista das ondas gigantes de Nazaré há dez temporadas. No entanto, se engana quem pensa que Gabriel está satisfeito.
"A minha busca é pessoal, e isso potencializa minha evolução. Hoje em dia meu grande objetivo em questão de competição é entrar no circuito da WSL (Liga Mundial de Surfe), que é um circuito bem fechado, uma etapa só por ano. Estou aqui fazendo meu trabalho e dando meu máximo, acho que isso naturalmente faz com as que coisas aconteçam", revelou.
O circuito o qual Gabriel se refere é o Tudor Nazaré Big Wave Challenge, disputado na categoria Tow In, quando o surfista é rebocado por um jet ski. Atualmente, apenas nove duplas convidadas disputam a competição.
"São os mesmos nomes há vários anos, não existe uma qualificação ou desclassificação. É mesmo escolhido a dedo, por isso é tão difícil entrar nesse evento", contou.
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Maior desafio da carreira
E foi justamente em Nazaré que Gabriel admitiu ter enfrentado seu maior desafio da carreira. O pernambucano surfou em meio a tempestade Hermínia, que atingiu diversos países da Europa, causando estragos jamais registrados nos últimos 40 anos.
Pernambucano Gabriel Sampaio surfa onda gigante em meio à tempestade Hermínia em Nazaré https://t.co/DcSQs2mx5Z
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Vídeo: Michael Darrigade pic.twitter.com/ypQTkdq3pn
O pernambucano, no entanto, revelou que chegou a duvidar que seria possível surfar naquelas condições climáticas.
"Com toda a ventania que estava tendo de madrugada, mesmo sabendo que poderia ter uma previsão de surfe, eu não acreditava muito que isso ia acontecer."
"Acredito que algo que me motivou a pegar essa onda foi que a gente foi lá para fora só para checar o mar, e aí acabou que naquele momento existiu essa janela que o vento estava mais fraco, em relação a toda a tempestade, e a face da onda estava muito mais lisa do que a gente imaginou. A gente mapeou essa onda, e era exatamente a que eu queria pegar", confessou.
A onda que Gabriel surfou tinha 17 metros de altura, segundo a rede de boias do Instituto Hidrográfico de Portugal. Ele contou que teve que manter a calma durante a execução e após a manobra, quando a onda praticamente o "engoliu".
"Esse dia foi muito desafiante, e a onda que eu fiz foi muito desafiadora. Além disso, teve o caldo (quando o surfista cai da onda), que com certeza foi o mais longo da minha vida. Nunca fiquei tanto tempo debaixo da água", lembrou.
Gabriel disse que o tempo em que ficou submerso dificultou o seu resgate. A ação, que deveria acontecer de duas à três ondas depois da queda do surfista, só aconteceu após a quinta onda.
"Tinha muita espuma na superfície, então eu não conseguia me manter ali, engoli água, minha glote chegou a fechar por um momento, mas eu consegui manter a calma, seguir tudo que eu sempre imaginei para esse tipo de momento. A gente não imagina só conquistas, a maior ou melhor onda, a gente também se coloca nessa situação nos treinamentos. E eu consegui colocar em prática, até que o Daniel Rangel me resgatou, junto com o Rafael, e correu tudo bem, a gente conseguiu voltar para o fundo do mar em segurança", revelou.
Águas passadas
Apesar do susto, Gabriel comentou que isso não afetou o seu amor pelo esporte e que já está pensando nos próximos desafios.
"Eu quero também surfar outras ondas, tenho focado bastante em Nazaré. Esse ano eu quero tentar surfar no Havaí ou no Taiti. Tenho me organizado para isso na próxima temporada", contou.
As águas futuras também trazem uma novidade para ele: o lançamento de um documentário até a metade deste ano.
"O dono da Global Med, que é o meu principal patrocinador, é apaixonado pelo surfe de ondas gigantes, ele vem aqui e surfa com a gente. Ele montou uma equipe com os melhores e é uma honra fazer parte desta equipe e, para além disso, mostrar para o público o que se passa por trás do surfe, como é nossas vidas, o que a gente pensa, como um surfista enxerga o outro", iniciou.
"É algo fantástico e estou muito feliz por este documentário. Espero que todo mundo curta e que atraia mais pessoas para o nosso esporte que é tão mágico e maravilhoso", completou.