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América do Sul

Multa e portões fechados: Conmebol aplica punições ao Cerro Porteño por caso de racismo com Luighi

Entidade também exigiu que clube paraguaio publique ação nas redes sociais contra racismo

Luighi, do Palmeiras, que sofreu racismo da torcida adversária, tenta passar o zagueiro Ortigoza do Cerro PorteñoLuighi, do Palmeiras, que sofreu racismo da torcida adversária, tenta passar o zagueiro Ortigoza do Cerro Porteño - Foto: Fabio Menotti/Palmeiras

A Conmebol anunciou, neste domingo (9), as punições ao Cerro Porteño pelo caso de racismo com o atacante Luighi, do Palmeiras, sofrido na última quinta-feira, em jogo pela Libertadores sub-20. O clube paraguaio terá que jogar com os portões fechados durante a competição deste ano e terá que pagar uma multa no valor de 50 mil dólares (cerca de R$ 288 mil, na cotação atual).

O Cerro Porteño também terá que publicar nas redes sociais oficiais uma campanha de comunicação de conscientização contra o racismo, durante a duração desta edição da Libertadores Sub-20. Leila Pereira, presidente do Palmeiras, chegou a pedir a exclusão do clube paraguaio da competição, mas o pedido não foi acatado pela entidade.

As punições impostas pela Conmebol ainda cabem recurso e o Cerro Porteño tem um prazo de sete dias corridos a partir de amanhã.

O que aconteceu?
A partida entre Palmeiras e Cerro Porteño, pela Libertadores Sub 20, na quinta-feira, ficou marcada por um gesto racista contra os jogadores brasileiros, flagrado pela transmissão da TV. Um torcedor com uma criança no colo imitou um macaco em direção ao meia Figueiredo, que deixava o campo do Gunther Vogel para ser substituído.

Depois disso, Luighi também reclamou que foi alvo de ofensas racistas ao sair e avisou ao árbitro que fora chamado de "macaco". O jogo ficou paralisado por alguns minutos. O atacante de 18 anos chorou no banco de reservas, assim como no desabafo na entrevista.

— Vocês não vão me perguntar sobre o ato de racismo que ocorreu hoje comigo? É sério? Até quando vamos passar por isso? Me fala, até quando? O que fizeram comigo é crime, não vai perguntar sobre isso? — disse Luighi, em resposta à pergunta do repórter da transmissão oficial da Conmebol: — Vai me perguntar sobre o jogo? A Conmebol vai fazer o que sobre isso? Ou a CBF, sei lá. Você não ia perguntar sobre isso né? Não ia. É um crime o que ocorreu hoje. Isso aqui é formação, estamos aqui para aprender.

Antes do pronunciamento de Leila, o Palmeiras já havia manifestado apoio a seus jogadores por meio de nota oficial, dizendo que vai até as últimas instâncias para buscar punição aos responsáveis pelo ato.

Todos os clubes da Série A do Brasileiro também demonstraram apoio aos atletas do time paulista em suas redes sociais, assim como o atacante Vini Jr., do Real Madrid, que sofre racismo com frequência nos estádios da Espanha.

Ele saiu em defesa de Luighi e cobrou punições severas por parte das entidades que comandam o futebol. A Conmebol, também por meio de comunicado, repudiou os atos e prometeu "medidas disciplinares".

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