Vice-presidente do Santa Cruz Tonico Araújo, ao lado de Constantino Júnior
Vice-presidente do Santa Cruz Tonico Araújo, ao lado de Constantino JúniorFoto: Paulo Allmeida/Folha de Pernambuco

Com as competições suspensas por conta da pandemia do novo coronavírus, as receitas fixas dos clubes pernambucanos ficam cada vez mais escassas. Com isso, a corrida por novas alternativas aumenta, assim como a dor de cabeça de algumas equipes. O Santa Cruz, por exemplo, acumula um mês de salários atrasados, de acordo com o vice-presidente coral Tonico Araújo. Em meio à crise, resta ao Tricolor o apelo para que os associados continuem em dia com as mensalidades. Que os torcedores ainda não associados, se associem, e que os conselheiros do clube continuem contribuindo para que o mínimo de prejuízo possível seja sentido nos cofres corais e no bolso dos funcionários.

“A gente vai fazer campanha, juntar os conselheiros, os sócios e empresários para nos dar apoio”, disse o vice mandatário tricolor, que quando questionado pela reportagem da Folha de Pernambuco sobre como o clube está se mantendo e mantendo as contas em dia, respondeu: “Só Deus sabe. Pede dinheiro emprestado a um, a outro. Por aí vai…, mas tentando honrar os compromissos. A crise não é só no Santa Cruz, é em todo o mundo. O Santa Cruz está fazendo um esforço grande para pagar a folha de carteira. Estamos dentro de uma realidade que só Deus sabe”, argumentou.  

“Iríamos ficar (em dia) esta semana. Direito de imagem não, mas estamos fazendo um esforço para ver se pagamos a parte de carteira. Se tiver apoio dos sócios e conselheiros conseguimos. Alguns também estão com dificuldade, porque a crise atingiu. Aqueles que puderem, nos ajudem”, pediu.

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Crise e Patrocínio
Segundo Tonico, a receita que até então tem assegurado “certo equilíbrio” ao clube é o investimento que parte dos patrocinadores - Estadium Bet (master), Kicaldo, JBS, Ilumi, Krona e Iquine: essa última continua sendo a patrocinadora de tintas do clube, mas não estará mais estampada na camisa coral -. Segundo o dirigente, são cerca de R$ 200 mil por mês, montante que hoje é investido no departamento de futebol, contando que este ano a folha salarial de atletas e comissão técnica gira em torno dos R$ 400 mil.

Apesar do aperto nas contas, o Tricolor parece ser exceção entre os clubes do Brasil e do mundo que passaram a enfrentar problemas com patrocínio e com as consequências geradas pelo novo coronavírus depois da suspensão dos campeonatos. O quarteto do Rio de Janeiro, por exemplo, teve o contrato com a Azeite Royal rescindido. Quem sentiu o maior baque, no entanto, foi o Botafogo que tinha a empresa de azeite portuguesa como patrocinadora master. Viajando até a Europa, o Barcelona também não escapou da crise. O clube de maior faturamento do mundo foi obrigado a fechar seu museu temporariamente por conta da pandemia - a estrutura recebe cerca de 1,5 milhão de visitantes anualmente-. Lojas no Camp Nou também foram fechadas e hoje o clube catalão estuda uma possível redução no salário dos atletas.

“Se o Barcelona está assim, quem dirá o Santa Cruz. Hoje, não tem nenhuma empresa sinalizando problema de adiamento de patrocínio. Agora, com a crise pode ser que as coisas dificultem. É tanta coisa para pagar quando o dinheiro chega, mas como a prioridade é o futebol, o dinheiro vai para o futebol. Mas esses R$ 200 mil não resolvem a folha do Santa Cruz”, concluiu Tonico.

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