Política

Lira rebate Lula: 'Não tem o que falar sobre mim porque ele não me conhece, nunca conversou comigo'

Sobre críticas ao semipresidencialismo, presidente da Câmara afirmou que o ex-presidente não pode querer pautar o que o Congresso vai debater

Arthur Lira em encontro promovido pelo BTG Pactual - reprodução/Twitter

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), rebateu nesta terça-feira (3) as críticas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dizendo que os dois não se conhecem e nunca tomaram nem sequer um café juntos. Segundo Lira, Lula gera desinformação ao dizer que ele quer criar o semipresidencialismo no Brasil. O presidente da Câmara alega que só defende a discussão do tema, com possibilidade de implementação a partir de 2030.

"O presidente Lula não tem o que falar sobre o deputado Arthur Lira porque ele não me conhece, nunca conversou comigo, nunca tomou um café. Eu não costumo falar ou emitir juízo sobre pessoas que eu não conversei. Falar sobre semipresidencialismo é uma grosseria, é desinformação. Ele não pode querer pautar, antes de ser eleito ou não, o que esse Congresso vai debater", afirmou o presidente da Câmara.

Lira acrescentou que defende o debate sobre semipresidencialismo em uma comissão da Casa para implementação em 2030, caso a matéria seja aprovada.

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) altera o sistema de governo ao tirar poderes do presidente e redistribui-los entre o novo cargo de primeiro-ministro e o Congresso Nacional.

"Eu posso até ser comparado a um imperador, mas nunca a um ditador. Eu não tenho projeto de longo prazo, eu tenho possibilidade de me eleger juridicamente, constitucionalmente, mas se vou ser ou não é outra coisa. Agora, falar de semipresidencialismo como golpe é no mínimo desconhecimento ou má informação. Falar de mim sem me conhecer é má fé", disse.

Mais cedo, Lula disse que será difícil aprovar medidas de interesse dos trabalhadores "se o atual presidente da Câmara continuar com o poder imperial, porque ele já está querendo criar o semipresidencialismo".

"Ele já quer tirar o poder do presidente para que o poder fique na Câmara dos Deputados e ele aja como se fosse imperador do Japão. Ele acha que ele pode mandar inclusive mandando no orçamento", declarou Lula.

Sobre a questão orçamentária, Lira rebateu dizendo que o orçamento passou por uma série de modificações nos últimos anos e é transparente:

"Orçamento mais aberto do que ele é está sendo disponibilizado aí para todos vocês. Foram uma série de evoluções entre 2019 e 2021, não me canso de falar sobre isso com muita altivez. Não é para ser escondido, é para ser criticado, corrigido. Dizer que o Congresso não pode legislar sobre orçamento é só quem vem com intenção de fazer ditadura no Brasil, só quem vem atrás de fazer sistema totalitário no Brasil", afirmou.

Sem fazer referência direta, Lira defendeu que as emendas RP9, que fazem parte do "orçamento secreto", deram mais altivez aos parlamentares:

"Nós demos altivez ao parlamentar de sair das filas de espera de estar se humilhando nas salas de espera do ministério para discutir o que o seu estado e município precisa. Se tiver erros vamos corrigir, averiguar, mas dizer que Congresso não pode legislar é desinformação", disse.