Teatro

Espetáculo "Clamor Negro" circula nas escolas do Interior e anuncia curta temporada no Recife

Com texto de Odailta Alves musicalizados em parceria com Isaar França, montagem está sendo apresentada no mês de maio em escolas no Interior e abre curta temporada no Recife em junho

O espetáculo "Clamor Negro", da escritora, atriz e poeta Odailta Alves percorre, no mês de maio, seis municípios do Interior de Pernambuco - Samuel Santos / Divulgação

A nova circulação do espetáculo “Clamor Negro”, da escritora, atriz e poeta Odailta Alves percorre, no mês de maio, seis municípios do Interior de Pernambuco, desta vez, se apresentando em escolas da rede estadual, com patrocínio da Fundarpe. A montagem reflete sobre os vários recortes do racismo e envolve uma equipe formada predominantemente por mulheres negras.

“Das oito mulheres, sete são pretas, e uma delas é branca e lésbica. Temos mulher preta trans, mulher preta de terreiro. É um processo de aquilombamento mesmo. E de fazer arte sendo remuneradas, o que é tão importante. Muitas vezes estamos nesse local de fazer arte de resistência, por  ‘camaradagem’ e pela luta. Então, quando a gente ganha um edital isso tem uma importância para distribuir renda e remunerar bem as pessoas negras que trabalham com arte no estado de Pernambuco”, destaca Odailta. 

Poesia e resistência
Odailta resolveu criar um espetáculo do zero, sem recursos mas com várias ideias na cabeça e assim estreou a peça, em 2017. “Eu não tinha grana para contratar outras pessoas, então fiz um monólogo intercalado com uma musicista, para poder trocar de roupa e me preparar para o próximo ato. São oito atos, com crônicas e poemas meus e dois poemas de outras escritoras: um de Cristiane Sobral e um de Vitória de Santa Cruz”, detalha a autora.

Em poesias e canções, a montagem trata das diversas nuances sobre o racismo estrutural nos diversos espaços da sociedade. O elenco conta com direção de Agrinez Melo, atuação e texto de Odailta Alves, canto e arranjos musicais de Isaar França, dança de Darana Costa e produção de Erika Costa, com acessibilidade em Libras. 

A cantora e compositora Isaar França e a dançarina Darana Costa participam da encenação 

Aquilombamento musical
A novidade nesta nova circulação são as sete canções inéditas que passaram a integrar o espetáculo. “Antes, nós usávamos músicas de cantores brasileiros negros. Agora, nessa temporada que estreou em maio, chegamos com músicas autorais. Eu escrevi a letra da música e junto com Isaar - que é uma cantora de Pernambuco - musicalizamos”, comenta Odailta. “Clamor negro” venceu, em 2022, o Prêmio Pernalonga de Teatro de Pernambuco.

“Eu recebi todos os textos de Odailta já com algumas indicações melódicas e musiquei através das indicações dela. Foi uma coisa muito bacana de ver Odailta criando um texto que para ela já é música. Além de toda a grandeza que ela tem como escritora, ela já trouxe as composições pré-arrumadas na cabeça e eu só limpei e assinei as composições junto com ela, compus algumas coisas, mas a maioria dos textos já vinham com uma indicação melódica muito definida, que ajudou bastante”, conta a cantora e compositora Isaar França.  “Um prazer estar fazendo isso. A circulação nas escolas está sendo linda e estou ansiosa para fazer esse espetáculo rodar para o público em geral”, revela a cantora.

Agenda de apresentações
Esta é a segunda circulação da montagem, que estreou em 2017 e participou, em 2020, do Projeto Sankofa, promovido pela Unidade de Educação para as Relações Raciais (UNERA) da Gerência de Educação Inclusiva e Direitos Humanos (GEIDH) da Secretaria de Educação e Esportes (SEE).

No dia 2 de maio, o espetáculo se apresentou em escolas de Aliança e Cumaru, duas cidades da Mata Norte de Pernambuco. Já no dia 22, “Clamor Negro” se apresenta em Custódia, no sertão do Moxotó; e em Tabira, na região do Pajeú.

Em junho, nos dias 9 e 10, entra em curta temporada no espaço O Poste Soluções Luminosas, na do Riachuelo, 641, bairro da Boa Vista.