Filho de Jango se encontra com Maduro em Caracas e entrega carta assinada pela mãe: "Irmandade"
Documento entregue ao presidente venezuelano reconhecia semelhanças entre governo de João Goulart e propostas de Hugo Chávez, antecessor do atual presidente venezuelano
O presidente venezuelano Nicolás Maduro compartilhou nesta segunda-feira uma foto de seu encontro com João Vicente Goulart, filho do ex-mandatário brasileiro João Goulart, deposto em 1964, com o início da ditadura militar no país. O herdeiro de Jango foi a Caracas para a nova posse de Maduro, na semana passada, após a contestação pelo governo brasileiro dos resultados das últimas eleições.
“Me reuni com João Vicente Goulart, de quem recebi esta emotiva carta que realça a irmandade, a solidariedade e as palavras de apoio por parte da família Goulart. Estou muito agradecido por esses bons desejos de novo mandato para a nossa pátria, onde seguiremos trabalhando e consolidando nossos laços de cooperação e paz. Diplomacia e união!”, escreveu Maduro na legenda do post.
O documento entregue por João Vicente foi assinado pela viúva de Jango, Maria Thereza Goulart. Ela teve recentemente a indenização paga pela União por perseguição política durante a ditadura aumentada para R$ 500 mil. Após a deposição do presidente pelos militares, em 1964, a família ficou exilada fora do país.
“Vivo fora, Jango, como todos o conheciam, não deixaria de identificar os inúmeros pontos de convergência existentes entre a Revolução Bolivariana, iniciada pelo Presidente Hugo Chavez, e o seu programa de governo, capitulado pelas Reformas de Base”, diz a carta recebida e compartilhada pelo presidente venezuelano nas redes sociais.
Brasil na posse de Maduro
A Embaixada do Brasil em Caracas recebeu, na terça-feira passada, um convite para participação na cerimônia de posse de Maduro para mais um mandato na presidência da Venezuela. Em crise com o presidente venezuelano por não ter reconhecido os resultados das eleições, Lula não foi convidado diretamente. Na cerimônia, o país foi representado pela embaixadora Glivânia Oliveira.
A vitória de Maduro, declarada pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) do país caribenho, até o momento não foi comprovada com a apresentação dos boletins de urna. A oposição venezuelana alega que o vencedor foi Edmundo González, que fugiu para a Espanha para não ser preso.
Hoje, vários países latino-americanos, entre os quais Argentina e Peru, consideram que González venceu a eleição e, por isso, deveria tomar posse. Outras nações da região, como Brasil, México e Colômbia, já avisaram que ainda aguardam documentos que comprovem a vitória de Maduro.