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BRASIL

Nunes Marques pede vista e interrompe julgamento de Carla Zambelli

Quatro ministros votaram para condenar deputada a cinco anos de prisão

O ministro Nunes Marques, durante sessão da Segunda Turma do STF O ministro Nunes Marques, durante sessão da Segunda Turma do STF  - Foto: Gustavo Moreno/STF

O ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu vista nesta segunda-feira e interrompeu o julgamento da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. Quatro ministros já haviam votado para condená-la a cinco anos e três meses de prisão e pela perda de mandato.

Nunes Marques tem até 90 dias para devolver o processo para julgamento. A análise estava ocorrendo no plenário virtual, com previsão de ser encerrada na sexta-feira. Até lá, os demais ministros podem optar por anteciparem seus votos.

 

Zambelli é ré no STF pelo episódio em que apontou uma arma para um homem em uma rua de São Paulo, em outubro, na véspera do segundo turno das eleições de 2022. A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu sua condenação.

O relator do caso é o ministro Gilmar Mendes, que votou pela condenação. Ele foi acompanhado por Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Alexandre de Moraes e Flávio Dino.

A deputada alegou, em sua defesa, que tinha a autorização para o porte de arma. Gilmar Mendes afirmou, no entanto, que "o porte de arma de fogo para defesa pessoal não se presta a autorizar que a portadora persiga outras pessoas em via pública com sua arma de fogo, ainda que supostos criminosos, em situações nas quais sua integridade física ou a de terceiros não está em risco".

Para o relator, a conduta de Zambelli teve "elevado grau de reprovabilidade":

"O contexto fático em que Deputada Federal persegue em via pública, com arma de fogo, indivíduo desarmado de corrente partidária adversa, na véspera das eleições, após troca de insultos recíprocos, reveste-se de elevado grau de reprovabilidade", escreveu o ministro.

Em nota divulgada na sexta-feira, Zambelli disse ter "total confiança na Justiça" e acreditar "que, com o esclarecimento completo dos fatos, minha inocência será comprovada".

O advogado da deputada, Daniel Bialski, lamentou que não tenha sido possível fazer uma sustentação oral de forma presencial. "Essa seria a melhor oportunidade de evidenciar que as premissas colocadas no voto proferido estão equivocadas", afirmou o defensor.

O julgamento ocorre no plenário do STF porque a ação começou a tramitar antes da mudança no regimento da Corte, que levou os processos penais mais recentes para as turmas, como a denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

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