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Meio Ambiente

Apesar de ações de limpeza, qualidade do rio Pinheiros se mantém "péssima", aponta relatório

Estudo da Fundação SOS Mata Atlântica indica que só 11 de 112 rios analisados têm índices "bons" de qualidade, enquanto os cinco piores ficam em SP

Rio Pinheiros -  estudo analisou amostras coletadas de 112 rios e corpos d'água de 14 estados da Mata AtlânticaRio Pinheiros - estudo analisou amostras coletadas de 112 rios e corpos d'água de 14 estados da Mata Atlântica - Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A qualidade da água do rio Pinheiros permanece “péssima”, apesar dos seguidos esforços do governo estadual para resgatar um dos principais cursos d’água da capital paulista.

A conclusão consta do relatório Observando os Rios 2025, divulgado nesta véspera do Dia Mundial da Água pela Fundação SOS Mata Atlântica.

O estudo analisou amostras coletadas de 112 rios e corpos d’água de 14 estados da Mata Atlântica. Apenas 11 pontos (7,6% do total) ganharam a classificação “bom” e nenhum alcançou nota suficiente para obter o selo “ótimo”.

Todos os cinco pontos classificados como “péssimos” estão na região metropolitana de São Paulo: são quatro trechos diferentes do rio Pinheiros, mais o Ribeirão dos Meninos, em São Caetano do Sul.

Voluntários da organização não-governamental fizeram análises que abordam diversos fatores, como nível de oxigênio dissolvido, pH, odores e a existência ou não de peixes, para determinar o Índice de Qualidade da Água (IQA) de cada trecho visitado.

Qualquer valor abaixo de 20 resultaria no conceito “péssimo”. Todos os trechos do rio Pinheiros tiveram IQAs 18 ou 19.

Para a SOS Mata Atlântica, é necessário um “esforço conjunto de toda a sociedade”, o que envolve colaboração entre os governos a nível federal, estadual e municipal, para recuperar o rio que atravessa as zonas Sul e Oeste da capital paulista.

A ONG cita o exemplo do rio Sena, em Paris, que recebeu grandes investimentos e ações de diversas frentes para receber provas dos Jogos Olímpicos de 2024.

“Se ações mais efetivas tivessem sido realizadas nos afluentes do Pinheiros, aliadas à mudança do enquadramento, os resultados poderiam ter sido melhores”, diz a ONG.

O governo de São Paulo encampou nos últimos anos mais de um projeto pela despoluição dos rios da Grande SP, como o Novo Rio Pinheiros (da gestão de João Doria, em 2019), e o IntegraTietê, do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos). Todos os dias escavadeiras a bordo de plataformas flutuantes removem toneladas de sedimentos do fundo do Pinheiros e do Tietê, enquanto outras embarcações removem o lixo flutuante.

Na quinta-feira, a secretária Natália Resende (Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística) anunciou o início de uma nova fase do programa de desassoreamento do Tietê, com investimento de R$ 147,2 milhões.

— Vai melhorar até 2029, pode escrever — disse a secretária ao reconhecer o mau cheiro em um trecho do rio Tietê em Guarulhos, expressando confiança de que a Sabesp (empresa de saneamento recém-privatizada) cumprirá o cronograma de universalização do esgotamento no estado em quatro anos.

Em nota, o governo defendeu as ações realizadas para limpeza dos rios do estado e disse que as medições da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) identificaram melhora no IQA do rio Pinheiros em 2024.

A nível nacional, os autores do estudo Observando os Rios 2025 avaliaram o cenário como “preocupante” e “sem avanços significativos”, cobrando “atenção redobrada de gestores públicos e da sociedade” ao tema.

“Em um cenário de emergência climática, a degradação dos recursos hídricos é um fator crítico, pois poluir um rio é infinitamente mais rápido do que recuperá-lo. Nossos rios estão por um triz – e a urgência de ações efetivas nunca foi tão grande”, lê-se no documento.

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