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ISRAEL

Assessores de Netanyahu são presos por suspeita de corrupção; premier é intimado a depor

Prisões ocorrem no mesmo dia em que o premier ignorou uma decisão da Suprema Corte e nomeou Eli Sharvit como o novo chefe da agência de segurança interna (Shin Bet)

Assessores de Netanyahu são presos por suspeita de corrupção; premier é intimado a deporAssessores de Netanyahu são presos por suspeita de corrupção; premier é intimado a depor - Foto: Menahem Kahana/AFP

Dois assessores do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu foram presos nesta segunda-feira sob acusações envolvendo ligações suspeitas entre o gabinete do premier e autoridades do Catar. Yonatan Urich e Eli Feldstein são investigados por contato com agente estrangeiro, recebimento de propina, fraude, quebra de confiança e lavagem de dinheiro.

As prisões ocorrem no mesmo dia em que Netanyahu ignorou uma decisão da Suprema Corte e nomeou Eli Sharvit, ex-comandante da Marinha, como o novo chefe da agência de segurança interna do Estado judeu (Shin Bet) — duas semanas depois que o premier pediu a destituição de seu desafeto Ronen Bar, uma decisão polêmica que gerou acusações sobre controle político.

Netanyahu foi intimado a testemunhar no caso, com autorização do procurador-geral Gali Baharav-Miara, segundo o jornal israelense Haaretz. O depoimento do primeiro-ministro, que oconteceu nesta segunda, terminou mais cedo do que o normal, após uma audiência a portas fechadas realizada perante os juízes a pedido de seus advogados de defesa.

O advogado de Netanyahu, Amit Hadad – que também defende Yonatan Urich – deixou a sala do Tribunal Distrital de Tel Aviv durante o depoimento do premier. Quando perguntado sobre o motivo de sua saída, ele respondeu: "uma questão profissional".

Junto com os suspeitos e os interrogados, a polícia também coletou o depoimento de um jornalista que teve relações de trabalho com Eli Feldstein enquanto ele atuava como porta-voz do primeiro-ministro. O depoimento do jornalista foi redefinido como um interrogatório, sob suspeita de contato com um agente estrangeiro. O procedimento foi autorizado pelo Ministério Público.

Uma fonte policial familiarizada com o caso confirmou que todas as aprovações necessárias foram obtidas. A fonte também disse, ainda de acordo com o Haaretz, que outro jornalista que "repetiu as mensagens do Catar em nome de Feldstein" será convocado para interrogatório nos próximos dias.

Catargate
Na semana passada , a polícia deteve Feldstein e Urich para interrogatório, após a publicação de gravações nas quais o empresário israelense Gil Birger é ouvido admitindo que transferiu fundos de um lobista do Catar para Feldstein — escândalo que ficou conhecido como Catargate. Birger disse que Feldstein pediu ajuda com impostos e estava trabalhando com o lobista, Jay Footlik , por vários meses.

— Eu o conheço há 25 anos. Não estou envolvido, não opero em Israel. Ele trabalhou com ele por vários meses. Ele o contratou, não eu. Tenho um acordo com Jay sobre muitas coisas — disse Birger.

O gabinete de Netanyahu negou qualquer envolvimento: “Não organizamos pagamentos para ninguém. Qualquer pagamento em um escritório do governo é feito de acordo com a lei e somente por meio de funcionários autorizados”.

Os advogados de Feldstein confirmaram o recebimento de dinheiro de Birger, mas alegaram que os valores eram “por serviços estratégicos e de comunicação que Feldstein forneceu ao Gabinete do Primeiro-Ministro, não ao Catar”.

A relação entre Urich e Feldstein com o Catar
Segundo uma reportagem do Haaretz publicada em novembro, Urich e o consultor político Yaki Einhorn teriam promovido uma campanha de relações públicas para melhorar a imagem do Catar antes da Copa do Mundo de 2022. A empresa Perception, pertencente a Urich, teria se associado a outra companhia israelense para retratar o Catar – principal financiador do Hamas à época – como um agente de paz. Ambos negaram as alegações.

Em fevereiro, o Channel 12 News noticiou que Feldstein atuava como porta-voz de Netanyahu enquanto prestava serviços de comunicação para uma empresa vinculada ao governo do Catar, supostamente interagindo com jornalistas para melhorar a imagem do Catar durante as negociações do acordo de reféns.

O procurador-geral Gali Baharav-Miara anunciou no mês passado a abertura de uma investigação conjunta entre o Shin Bet e a polícia para apurar as conexões entre os conselheiros de Netanyahu e autoridades do Catar. Antes mesmo da abertura formal do inquérito, o Shin Bet já realizava uma revisão da "proteção de segredos" no gabinete de Netanyahu e em outros ministérios do governo.

Um funcionário do governo do Catar disse ao New York Times que as alegações contra os assessores de Netanyahu são uma "campanha de difamação" que visa atrapalhar os esforços do Catar para mediar o fim da guerra em Gaza.

A investigação está sob responsabilidade da unidade de Investigações de Crimes Internacionais da polícia em Lahav 443. Esta é a primeira prisão de Urich, enquanto Feldstein já havia sido detido no ano passado por vazar informações confidenciais a um jornal alemão.

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