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GUERRA

Missão contra o Hamas ainda não terminou, diz novo comandante militar de Israel

Fala está alinhada com o primeiro-ministro israelense, que afirma que "os resultados da guerra terão impacto em várias gerações, e estamos determinados a alcançar (...) a vitória"

O então chefe do comando sul, major-general do exército israelense Eyal ZamirO então chefe do comando sul, major-general do exército israelense Eyal Zamir - Foto: Thomas Coex / AFP

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A missão do Exército israelense para derrotar o Hamas em Gaza “ainda não terminou”, afirmou nesta quarta-feira (5) o novo comandante do Estado-Maior, o tenente-general Eyal Zamir, ao assumir a carga e no momento em que a segunda fase da trégua permanece em dúvida.

"Hoje, aceito o comando do exército com modéstia e humildade", declarou Zamir. "É um momento histórico. O Hamas sofreu um golpe duro, mas ainda não foi vencido, então a missão ainda não terminou", explicou.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse ao novo comandante do Estado-Maior que o país está “determinado” a alcançar a vitória na guerra de várias frentes iniciada com o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023.

"Você tem uma tremenda responsabilidade sobre seus ombros. Os resultados da guerra terão impacto em várias gerações, e estamos certos de alcançar (...) a vitória", disse Netanyahu na cerimônia de posse no Estado-Maior do Exército em Tel Aviv.

Zamir, 59 anos, substitui no cargo o tenente-general Herzi Halevi, que renunciou há algumas semanas, depois de reconhecer o fiasco das Forças Armadas em 7 de outubro de 2023.

O Exército descobriu, em uma investigação publicada na semana passada, seu "fracasso completo" naquele dia e admitiu ter sofrido "excesso de confiança" a respeito dos planos e capacidades militares do movimento islâmico palestino.

A investigação do exército revelou que o ataque ocorreu em três ondas sucessivas e que mais de 5.000 pessoas, incluindo milhares de civis, entraram em Israel a partir da Faixa de Gaza.

O ataque contra o território israelense deixou mais de 1.200 mortos, a maioria civis, segundo um balanço da AFP baseado em números oficiais israelenses. Além disso, o Hamas sequestrou 251 pessoas.

A resposta israelense em Gaza matou mais de 48.000 pessoas, em sua maioria civis, de acordo com o Ministério da Saúde do território governado pelo Hamas desde 2007. A ONU considera os dados confiáveis.

Zamir assume a carga em um momento delicado, quando Israel e o Hamas, apesar dos esforços de mediação do Catar, Egito e Estados Unidos, continuam sem um acordo sobre a forma de concretizar a segunda fase da trégua, em vigor desde 19 de janeiro.

O acordo de trégua prevê três fases. Durante a primeira, o Hamas entregou a Israel 33 reféns, oito deles mortos, em troca da libertação de quase 1.800 prisioneiros palestinos.

Entre os 251 reféns levados para Gaza, 58 continuam em cativeiro, mas 34 são considerados mortos, segundo o Exército israelense.

Foi realizado nesta quarta-feira, no kibutz de Nir oZ, o funeral do refém franco-israelense Ohad Yahalomi, cujo corpo O Hamas entregou em 27 de fevereiro.

Fome, uma arma de guerra
Israel anunciou no domingo a suspensão da entrada de ajuda humanitária em Gaza, após discordâncias com o Hamas sobre a próxima etapa do estagnado acordo de cessar-fogo.

“Israel usa a fome como arma de guerra” em Gaza, acusou nesta quarta-feira o Ministério das Relações Exteriores da África do Sul, em um comunicado sobre o bloqueio da ajuda humanitária imposta pelo Exército israelense desde domingo.

“Impedir a entrada de alimentos em Gaza é a continuidade por parte de Israel do uso da fome como arma de guerra”, afirmou a África do Sul, que apresentou uma denúncia de genocídio contra o Estado de Israel na Corte Internacional de Justiça.

“O povo de Gaza está experimentando um sofrimento incomensurável e precisão com urgência de alimentos, abrigo e suprimentos médicos”, ressaltou o Ministério das Relações Exteriores.

“A África do Sul faz um apelo à comunidade internacional para responsabilizar Israel”, acrescentou.

Por sua vez, os ministros das Relações Exteriores da Alemanha, Reino Unido e França afirmaram em uma declaração conjunta que Israel deve cumprir suas obrigações internacionais.

Israel deve garantir que a ajuda humanitária chegue à população de Gaza "de forma completa, rápida, segura e sem obstáculos", detalharam.

"Uma interrupção da entrada de bens e suprimentos na Faixa de Gaza, conforme anunciada pelo governo israelense, pode constituir uma violação do direito internacional humanitário", anunciou os três países europeus em sua declaração.

A entrega “de ajuda humanitária não pode ser condicionada a um cessar-fogo, nem pode ser usada para fins políticos”, acrescenta.

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