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"Não estou entendendo nada": Brasileiros relatam terremoto na Tailândia

Balanços parciais indicam que 20 pessoas morreram na Tailândia e em Mianmar, onde foram registrados também centenas de feridos

Edifício de 30 andares em construção cai em Bangcoc durante terremoto Edifício de 30 andares em construção cai em Bangcoc durante terremoto  - Foto: Khon Su Cheevit Adeet Mai Suay Rok Na / AFP

O terremoto de magnitude 7.7 que abalou o Sudeste Asiático pegou de surpresa cidadãos brasileiros na Tailândia, país que também sofreu com a destruição provocada pelo fenômeno, que teve epicentro em Mianmar. Relatos compartilhados pelas redes sociais mostram um misto de espanto e surpresa com o acontecimento, que os balanços parciais indicam ter matado 20 pessoas nos dois países e deixado centenas de feridos.

O criador de conteúdo Arthur Santos, ultramaratonista amador que já viajou por mais de 15 países, contou ao Globo que sentiu o corpo tremer enquanto estava deitado, depois de uma trilha de mais de 8 km na cidade de Chiang Mai, segunda maior cidade e considerada a "capital cultural" da Tailândia. Por ter pego muito sol, o carioca de 27 anos achou que os tremores do terremoto eram na verdade sinal de algum problema de saúde.

— Eu senti um tremor de fato, só que eu achava que estava passando mal. Como meu quarto no hostel estava vazio, eu dei uma levantada. Foi quando começou a tremer mais e mais e mais, e eu comecei a ouvir barulho de gritaria — contou Soares. — Eu achei que era uma briga, mas quando abri a porta do quarto, vi todo mundo correndo e só corri junto, porque não sabia o que fazer. Não parei para pensar em nada, saí com o celular na mão e sem camisa.

 

Ainda de acordo com o brasileiro, que compartilha em suas redes sociais conteúdos sobre viagem e dicas de roteiros em diferentes países, móveis e outros objetos do hostel caíram no chão em razão do tremor. Algumas pessoas deitaram no chão. Por não ter passado por nenhuma situação parecida, ele disse que imitou o gesto de alguns e se abaixou.

— Eu estava meio em choque, não sabia o que fazer. Ao mesmo tempo em que eu queria pegar o celular para gravar, eu queria ficar recolhido — acrescentou. — Só decidi sair do meu quarto porque eu vi muita gente saindo. Eu não sabia o que estava fazendo, eu só fui seguindo porque eu não tinha informação. A gente que é do Brasil não tem muita facilidade para saber sobre essas coisas porque não é habitual nosso.

Ele afirma que depois que saiu do prédio do hostel, os tremores ainda duraram cerca de 30 a 40 segundos. As pessoas ao redor o explicaram que havia sido um terremoto e o indicaram a esperar fora do prédio. Eles ficaram fora da edificação por 40 minutos, até "ter certeza de que estava tudo certo".

Em uma outra publicação, no X, o brasileiro compartilhou vídeo que mostra o momento da queda do prédio de 30 andares em Bangcoc, em que as autoridades tailandesas já confirmaram a morte de três pessoas no local, e estimam que 70 trabalhadores estejam presos sob os escombros.

"Acabei de presenciar meu primeiro terremoto, que sentimento ruim ver tudo na tua volta desabando", escreveu.

A planejadora de viagens Ana Vasconcellos estava em Bangcoc no momento que o terremoto começou, mas não percebeu imediatamente o que estava se passando. Também criadora de conteúdos sobre viagem, Ana publicou uma série de vídeos filmados da garupa de uma moto, questionando o que estava acontecendo, por ter visto muita gente na rua.

— Gente, eu estou começando a ficar com medo... Tá todo mundo na rua. O pessoal tudo com telefone na mão, olhando para o céu, eu não estou entendendo nada — disse em um vídeo no moderno bairro de Sukhumvit, onde estão localizados hotéis de luxo. — Todo mundo na rua, um caos. Tem até gente de biquini na rua, porque estava lá em cima nos prédios, todo mundo saindo dos prédios, eu não estou entendendo absolutamente nada!

Em uma gravação posterior, quando já havia sido informada de que a situação que presenciou havia sido provocada pelo terremoto, ela revelou espanto aos seus seguidores, afirmando ter "pânico" de catástrofes.

— Eu estava em cima da moto, de repente começa a vir um monte de gente correndo, saindo da estação de metrô, um pessoal na rua, gente descalço, gente com biquini, tipo uma loucura, uma loucura, tô morrendo de medo — disse Ana em um vídeo, em que se pode ouvir sirenes de alerta ao fundo. — O prédio que eu estava mostrando para vocês no vídeo. Esse prédio foi todo sacudido. A piscina toda, a água foi toda para baixo. Surreal isso, surreal.

O primeiro-ministro da Tailândia, Paetongtarn Shinawatra, declarou Bangcoc como uma "área de emergência". A situação mais crítica é no local do prédio que desabou, de onde equipes de resgate ainda tentam retirar as pessoas soterradas. Outras partes do país, porém, mantém alguma normalidade.

— A situação agora [em Chiang Mai] é normal. Vida que segue. Tem música ao vivo na feirinha em que eu vim jantar. Os bares já voltaram a abrir, mercados também — disse Soares, que está em um mochilão de 2 anos e disse não ter intenção de interromper os planos neste momento.

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