Covid-19
Covid-19Foto: Pixabay

Um estudo feito pela consultoria IQVIA, a pedidos dos conselhos de farmácia do Brasil, apontou um aumento significativo nas vendas de alguns medicamentos relacionados à Covid-19, nos três primeiros meses desse ano. O período, inclusive, marca o aumento do número de casos da doença. Vale lembrar que a partir de 5 de maio, será iniciada uma campanha dos conselhos de Farmácia sobre a importância do uso racional de medicamentos para a proteção à saúde.

Para se ter uma ideia, a vitamina C ou ácido ascórbico, que teve propalado o seu “efeito preventivo” contra o novo coronavírus em fake news, foi a campeã em comercialização.Ao todo, o medicamento teve um aumento de 180% no Brasil. Só em Pernambuco, foi 199% de vendas.

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Também foi verificado um crescimento no consumo da vitamina D ou colecalciferol e da hidroxicloroquina, sulfato, à qual foi atribuída a capacidade de curar a Covid-19. Foram pesquisado ainda, os medicamentos isentos de prescrição que podem ser indicados para amenizar os sinais/sintomas leves da Covid-19. No caso do Ibuprofeno, as vendas caíram, provavelmente porque o medicamento, por um breve período, foi relacionado ao agravamento de casos da doença.

Segundo os conselhos de Farmácia, "os porcentuais são uma clara demonstração da influência do medo sobre um hábito consagrado entre a população brasileira, o uso indiscriminado de medicamentos". Uma pesquisa realizada pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF), por meio do Instituto Datafolha, constatou que a automedicação é um hábito comum a 77% dos brasileiros que fizeram uso de medicamentos nos últimos seis meses anteriores ao estudo, feito em 2019. Quase metade (47%) se automedica pelo menos uma vez por mês, e um quarto (25%) o faz todo dia ou pelo menos uma vez por semana.

Os conselhos de Farmácia alertam que todos os medicamentos oferecem riscos. Mesmo os isentos de prescrição podem causar danos, especialmente se forem usados sem indicação ou orientação profissional. Dependendo da dose, o paracetamol pode causar hepatite tóxica. A dipirona oferece risco de choque anafilático e agranulocitose, e o ibuprofeno é relacionado a tonturas e visão turva. Já o uso prolongado da vitamina C pode causar diarreias, cólicas, dor abdominal e dor de cabeça. E com a ingestão excessiva de vitamina D, o cálcio pode depositar-se nos rins e até causar lesões permanentes.

Os riscos são mais graves em relação à hidroxicloroquina, medicamento indicado para tratar doenças como o lúpu eritematoso. Da mesma forma que a cloroquina (indicada para a malária, porém disponibilizada apenas na red pública), a hidroxicloroquina pode causar problemas na visão, convulsões, insônia, diarreias, vômitos, alergias graves, arritmias e até parada cardíaca. O uso de hidroxicloroquina ou cloroquina em pacientes internados com teste positivo para o novo coronavírus ainda não tem evidências representativas. 

“A nossa recomendação é que os farmacêuticos continuem observando as recomendações da Anvisa e as boas práticas farmacêuticas para realizar as dispensações desses medicamentos, e que orientem os usuários, pois a desinformação é um inimigo tão poderoso quanto o novo coronavírus”, observa o presidente do Conselho Federal de Farmácia, Walter da Silva Jorge João.

PERNAMBUCO

MEDICAMENTO - JAN A MAR/2019 - JAN A MAR/2020 - % 

Ácido Ascórbico - 702.345 - 2.106.150 - 199,87%
Colecalciferol - 154.613 - 226.892 - 46,75%
Dipirona Sódica - 1.215.998 - 1.784.914 - 46,79%
Hidroxicloroquina Sulfato - 3.114 - 15.205 - 93,37%
Ibuprofeno - 513.454 - 515.064 - 0,31%
paracetamol - 357.759 - 665.387 - 85,99%

BRASIL

MEDICAMENTO - JAN A MAR/2019 - JAN A MAR/2020 - %

Hidroxicloroquina Sulfato - 231.546 388.829 67,93%
Ibuprofeno - 15.010.195 14.615.066 -2,63%
Paracetamol - 11.150.452 19.774.819 77,35%
Dipirona Sódica - 30.226.256 46.716.599 54,56%
Colecalciferol - 4.440.289 6.019.038 35,56%
Ácido Ascórbico (VITAMINA C) - 9.327.016 26.116.340 180,01% 

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