Vigilância Sanitária inicia bloqueio vacinal em área onde gato criculava
Vigilância Sanitária inicia bloqueio vacinal em área onde gato criculavaFoto: Paullo Allmeida/ Folha de Pernambuco

A Unidade de Vigilância Ambiental e Controle de Zoonoses do Recife está vacinando cães e gatos domésticos e de rua na região onde a mulher que morreu com suspeita de raiva humana foi ferida por um gato ao tentar resgatá-lo, seguindo protocolo do Ministério da Saúde para evitar transmissão. O acidente ocorreu em abril deste ano, em uma praça na Boa Vista, área central da cidade, mesmo bairro onde Adriana Vicente da Silva, 35 anos, tinha um pet shop. Ela estava internada em uma área isolada do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), também no Centro da capital, e faleceu esta quinta-feira (29).

De acordo com informações colhidas de familiares, pela equipe de Vigilância Epidemiológica da Vigilância à Saúde do Recife, Adriana foi ferida na mama direita e não procurou um serviço de saúde se vacinar. Menos de uma hora depois, o animal morreu. Ainda de acordo com a investigação, a vítima apresentou sintomas no dia 18 de junho, sendo internada no Hospital Agamenon Magalhães, na Zona Norte da capital, no sábado (24).

Com o agravamento do quadro da paciente, ela foi transferida para o Huoc na segunda (26). A Vigilância Epidemiológica disse que, em conjunto com profissionais da unidade de saúde, orientou as pessoas que tiveram contato com a paciente e com o animal para dar início à vacinação.

Na quarta-feira (28), a Unidade de Vigilância Ambiental e Controle de Zoonoses do Recife iniciou o protocolo de bloqueio vacinal (imunização depois da exposição), conforme recomenda o Ministério da Saúde, partindo da área onde o animal circulava - começando num raio de 1 km, avançando para 3 km e depois para 5 km, abrangendo aproximadamente 30 bairros. Até o fim desta quinta, foram visitados 4.972 imóveis e pelo menos 150 animais tinham sido vacinados.

As ações também envolvem captura de morcegos nas áreas de risco e orientações aos tutores de animais e moradores de rua sobre o que fazer em caso de acidentes com animais. Inicialmente, 60 profissionais – entre eles agentes de saúde ambiental e controle de endemias e veterinários – estão realizando o trabalho, que envolverá todos os outros agentes de campo da Prefeitura. Ainda segundo a Vigilância, o trabalho é monitorado diariamente para ajustes e adequações necessárias.

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Causa animal
Ativista da causa animal, Goretti Queiroz alertou para a "vilanização" dos gatos de rua após a repercussão do caso. "Já se sabe que é alto o índice de pessoas que mata gato, principalmente envenenado. Pode piorar se a população não se conscientizar que tem que fazer o seu papel no controle de natalidade dos bichos. Esperar um caso grave como esse para se vilanizar os animais de rua é lamentável", observou.

Raiva: o que é?
A raiva é uma zoonose - doença transmitida de animais mamíferos, geralmente através da mordida e arranhaduras que levam o vírus presente na saliva dos animais infectados para o homem - causada por um vírus. É uma doença grave, com taxa de mortalidade de quase 100%. O vírus da raiva tem atração pelas células do sistema nervoso, e, uma vez inoculado no organismo, passa a migrar em direção ao sistema nervoso central, causando a encefalite rábica.

Em caso de mordida ou arranhão de qualquer animal, a recomendação é que se lave bem o local com água e sabão e, em seguida, se busque imediatamente um posto de saúde para que se avalie se há necessidade de iniciar tratamento profilático (preventivo) com a vacinação contra raiva. O tratamento deve ser iniciado o mais rápido possível, já que a profilaxia contra a raiva é considerada uma urgência médica.

Sobrevivente
O pernambucano Marciano Menezes da Silva, de 24 anos, que é morador de Floresta, no Sertão de Pernambuco, foi o primeiro brasileiro e o terceiro no mundo a ser curado da raiva humana. O jovem foi contaminado em 2008, quando tinha apenas 16 anos e foi mordido por um morcego hematófago contaminado.

Marciano ficou internado na unidade de saúde entre outubro de 2008 e setembro de 2009 e o caso tornou-se referência internacional para o tratamento da doença. Durante o internamento, ele foi submetido a diversos procedimentos, a maior parte com base no Protocolo de Milwaukee, criado pelo norte­americano Rodney Willoughby, que, em 2004, conseguiu tratar uma paciente com raiva com sucesso.

Sequelas
Apesar da cura, Marciano ficou com sequelas. Ele tem dificuldade para andar, falar, além de crises convulsivas. Desde o caso dele o Oswaldo Cruz não recebia paciente com suspeita da doença.

Vigilância Sanitária inicia bloqueio vacinal em área onde gato criculava
Vigilância Sanitária inicia bloqueio vacinal em área onde gato criculavaFoto: Paullo Allmeida/ Folha de Pernambuco
Adriana Vicente estava no isolamento do Departamento de Infectologia do Huoc
Adriana Vicente estava no isolamento do Departamento de Infectologia do HuocFoto: Tatiana Notaro/ Portal FolhaPE

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