Maria José da Silva e Ednaldo José da Silva
Maria José da Silva e Ednaldo José da SilvaFoto: Julya Caminha/Folha de Pernambuco

Há 19 anos, a dona de casa Maria José da Silva, 45, mora em condições subumanas em uma casa feita de papelão e madeira, na comunidade Entra Apulso, em Boa Viagem, Zona Sul do Recife. Foi nessa residência que viveu alguns dos melhores e piores momentos da vida. Graças ao poder transformador da solidariedade, ela, o marido e os cinco filhos terão um novo espaço para chamar de lar.

Hoje, a antiga moradia dela será derrubada para dar lugar a uma nova construção com condições adequada para residir. A família de Maria será a primeira de cinco que serão atendidas por uma ação fruto de uma parceria entre o Instituto Shopping Recife e a empresa de arquitetura social Arquitetura Faz Bem.

A dona de casa lembra que recebeu com desconfiança a notícia. "Meu sonho era ter uma casa digna antes dos 50 anos e saber que está perto de ser realizado me deixa muito alegre e ansiosa. Sempre trabalhei para dar boas condições de vida aos meus filhos e graças a esse presente que vamos ganhar vai ficar um pouco mais fácil", disse.

Leia também:
Moradores de área de risco em Abreu e Lima pedem soluções e criticam valor de auxílio-moradia
Conselho de Arquitetura e Urbanismo debate Plano Diretor do Recife


Ao trazer à memória os acontecimentos na casa, ela conta que entre os mais difíceis está a criação dos filhos recém-nascidos. Além de regularmente aparecer animais peçonhentos dentro de casa, como ratos e escorpiões, Maria lembra que nos períodos chuvosos a situação piorava. "A gente tinha medo que o teto caísse em cima das crianças, pois algumas madeiras que usadas para cobrir a casa encolhiam por conta água. Sem falar nos fios elétricos expostos. Várias vezes nos deparamos com faíscas de fogo neles", falou.

Apesar de toda a dificuldade, a dona de casa não se deixa abalar e leva a vida com muito bom humor. Sorridente, ela lembra que na casa que será demolida hoje também passou por vários momentos felizes. "Foi aqui que construí um casamento sólido e tive quatro dos meus cinco filhos, todos com muita saúde", comentou. O sentimento é compartilhado pelo marido dela, Ednaldo José da Silva, 50. "Com certeza vai ser melhor daqui para frente, mas não posso deixar de agradecer por sempre ter tido um teto para dormir, pois tem gente em situação bem pior", disse.

Para fazer o projeto dar certo, o Instituto Shopping Recife entrou como parceiro para mobilizar pessoas e empresas que pudessem contribuir com o projeto. Brechó e apresentações artísticas de moradores da própria comunidade foram algumas das ações realizadas. "Desde o começo nos sensibilizamos com o projeto, pois com estas casas as famílias podem dar um salto de qualidade de vida. Vai servir como inspiração para que outros parceiros surjam e mais pessoas sejam atendidas", disse a diretora executiva do Instituto.

Segundo o sócio fundador da Arquitetura Faz Bem, Antônio Neto, ao todo, cinco casas em condições insalubres vão passar por um processo de reconstrução, permitindo que as famílias que moram nessas residências tenham uma moradia mais digna. Para Neto, arquitetura e saúde possuem uma forte ligação. "O bem estar das pessoas melhora de acordo com o ambiente que elas vivem. Por exemplo, o relaxamento muito maior quando se pode descansar em ambiente com pouca gente. Isso influencia diretamente na saúde mental", fala.

Ele conta ainda que ainda se pode falar em saúde física, a partir da falta de iluminação e ventilação. "Tanto que a maioria das doenças ocorridas nas casas de comunidades são aquelas classificadas pela ONU (Organização das Nações Unidas) como doenças relacionadas a pobreza, como chagas, tuberculose, asma. Problemas muito direcionados a condição econômica das famílias", falou o arquiteto. Segundo Antônio Neto, a intenção é fazer o projeto prosperar e contemplar mais famílias futuramente.

veja também

comentários

comece o dia bem informado: