Acúmulo de lixo cobre superfície do rio Jaboatão, no Grande Recife
Acúmulo de lixo cobre superfície do rio Jaboatão, no Grande RecifeFoto: Caio Danyalgil/Folha de Pernambuco

Na correria das ruas, quem passa da Curva do Caranguejo, na avenida General Manoel Rabelo, no bairro de Engenho Velho, pode não perceber, à primeira vista, a camada de lixo que cobre uma parte da superfície do rio Jaboatão, no Grande Recife. Da margem, uma pequena trilha leva ao ponto onde o esgoto que vem da comunidade do outro lado da avenida encontra o acúmulo de rejeitos. Garrafas, baldes de plástico, isopor, papelão e outros resíduos formam uma “ponte” de material reutilizável por onde os mais corajosos se dispõem a caminhar até a outra margem.

“Eu subo, passo por aqui sempre. Já cheguei a pescar aqui quando dá cheia. E dá muito bicho, rato, escorpião, cobra. Quando está tudo cheio, duro, a gente joga bola”, conta Salomão Santos do Nascimento, de 14 anos. Mesmo com um volume de dejetos um pouco menor, o local lembra a parte poluída do rio Beberibe, no limite entre Olinda e Recife, mostrada pela Folha de Pernambuco na edição de 30 de julho. Por lá, também era possível andar sobre os rejeitos. Um problema urbano e ambiental que é agravado nos dias de chuva, quando os rios e canais transbordam e atingem as casas.

Em Jaboatão, neste inverno, não houve transbordamento como ocorreu em Beberibe, mas a água subiu quase até a avenida, segundo moradores. “O rio ficou quase rente à pista. O lixo prejudica a passagem da água, os animais. As capivaras dão cria, ficam muito aqui, [tem] jacaré. Fora que, quando chove, traz muito peixe, os meninos pescam. É um perigo, pode acontecer um acidente”, alerta a comerciante Regina Pereira, 59.

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“Aqui é a questão do mato que invade o rio e a sujeira se acumula”, afirma o pedreiro Ezequias Roberto da Silva, 28, que mora há 20 anos na localidade e se diz acostumado a andar por cima do lixo. “A gente já tem certa experiência”, brinca. O professor Victor Hugo Araújo, 28, é morador do condomínio que fica na margem oposta à da avenida Manoel Rabelo. Ele lamenta a falta conscientização. “A população joga esse lixo e acaba prejudicando todo o ambiente”, ressalta.

A Prefeitura de Jaboatão informou que faz a coleta nas margens, mas a limpeza no leito do rio é de responsabilidade do Governo do Estado. Por meio de nota, a Secretaria de Infraestrutura e Recursos Hídricos de Pernambuco (Seinfra) disse que, de acordo com a lei 12.305/2010, o recolhimento de resíduos sólidos dos rios é da responsabilidade dos municípios e que, ao governo estadual, cabe o serviço de dragagem, dentre outras atribuições de gestão das águas.

O texto afirma ainda que está à disposição da prefeitura e da sociedade civil para participar de ações de informação e sensibilização social sobre os impactos ambientais causados pelo descarte inadequado de resíduos no rio Jaboatão.

A reportagem procurou novamente a prefeitura para esclarecer sobre a responsabilidade pelo serviço de limpeza do rio. O poder público municipal informou que uma equipe foi enviada ao local para analisar as medidas a serem tomadas.

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