Imagens mostram queimadas em Rondônia
Imagens mostram queimadas em RondôniaFoto: Ricardo Honorato/Arquivo/Folhapress

Desde que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) contestou dados do desmatamento divulgados pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o problema tem sido destacado pela mídia estrangeira, acarretando reações como o corte de repasses da Alemanha e da Noruega ao Fundo Amazônia.

Agora, a onda de queimadas e as declarações – sem provas – do presidente de que ONGs poderiam estar envolvidas nos incêndios que se alastram pelo país ganharam repercussão em todo o mundo. O saldo é que a Amazônia virou notícia nos principais portais estrangeiros.

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Em sua maioria, ao analisar o cenário, os jornais associam o aumento do desmatamento na floresta à gestão de Jair Bolsonaro, aos interesses do agronegócio e à falta de investimentos do atual governo em políticas ambientais.

"Os ministros deixam claro que suas simpatias estão com os madeireiros, e não com os grupos indígenas que vivem na floresta", diz o britânico The Guardian.

Para o também britânico Financial Times, Jair Bolsonaro facilitou o "boom do desmatamento", enquanto o espanhol El País diz que o Brasil "arde em um ritmo recorde". Confira a repercussão nos principais veículos.

The Guardian
O jornal britânico noticiou, nesta quarta (21), que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) acusou ONGs de terem envolvimento com a onda de incêndios na Amazônia, mesmo sem apresentar dados.

No texto, o jornal afirma que o presidente brasileiro tenta evitar críticas internacionais sobre sua "incapacidade de proteger a maior floresta tropical" do mundo.

The Guardian também ressalta que, desde que Bolsonaro assumiu o governo, menos multas estão sendo aplicadas, e que seus ministros "deixam claro que suas simpatias estão com os madeireiros, e não com os grupos indígenas que vivem na floresta".

As vaias que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, recebeu nesta quinta, em evento sobre o clima, em Salvador, foram destaque na homepage do portal.

The Economist
A capa da primeira semana de agosto da revista britânica já apresentava a imagem de um toco de árvore com o formato do mapa do Brasil sob o título "Vigília da morte para a Amazônia".

A publicação afirma que a região "está perigosamente perto do ponto de inflexão", do qual não haveria como retornar.

"O Brasil tem o poder de salvar a maior floresta tropical da Terra, ou destruí-la", escreve a revista em editorial, apontando o presidente brasileiro como responsável pelo problema.

The Washington Post
O americano ressaltou que a floresta Amazônica é essencial para o equilíbrio climático e para a biodiversidade do planeta e que, sem ela, a mudança climática ocorrerá a níveis acelerados.

O jornal também falou do episódio ocorrido em São Paulo nesta segunda-feira (19), quando uma frente fria e a fumaça vinda das queimadas escureceram o céu da capital paulista no início da tarde. Após citar São Paulo como "capital do Brasil", publicou o erramos corrigindo para "maior cidade".

The New York Times
O jornal americano ressalta que o desmatamento da Amazônia aumentou rapidamente desde que Bolsonaro tomou posse e cortou subsídios para combater as atividades ilegais na floresta.

A reportagem afirma que "o presidente de extrema-direita acusou ONGs de colocar fogo na floresta depois que o governo cortou financiamentos, apesar de não apresentar nenhuma evidência".

Na publicação, fazendeiros que estão "limpando suas terras" são responsabilizados pelos incêndios que se alastraram pelo Norte do país.

A matéria também ressalta que o fogo aumentou tanto que a fumaça alcançou o litoral atlântico e São Paulo.

Financial Times
O jornal econômico publicou um artigo de opinião assinado pelo professor da Universidade de Oslo, Bard Harstad, sobre como a pressão comercial de outras nações pode ajudar a salvar a Amazônia brasileira.

O texto do docente ressalta que Jair Bolsonaro "facilitou o boom do desmatamento". "O diretor responsável por relatar dados de satélites foi demitido; um insider do agronegócio foi indicado para lidar com assuntos indígenas; a supervisão das terras indígenas foi transferida para o departamento agrícola; e o corte do orçamento está em execução. Como consequência, o desmatamento em julho foi o triplo de um ano atrás", diz o artigo.

El País
"A Amazônia brasileira arde em um ritmo recorde", diz o espanhol El País.

O jornal destaca que, nos oito primeiros meses do ano, o Brasil teve 84% mais incêndios que o mesmo período de 2018, segundo dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

A reportagem também relata que o órgão tem sido alvo de críticas do presidente brasileiro, o qual colocou seus dados em dúvida, e que o mandatário sugeriu –mesmo sem apresentar provas– que os incêndios podem ser sido criminosos e provocados por organizações não governamentais.

Le Monde
Sob o título "Incêndios na Amazônia: uma praga sazonal 'amplificada pelas posições de Jair Bolsonaro'", a publicação francesa destaca nesta quinta-feira em seu portal uma entrevista com a economista Catherine Aubertin.

Nela, Aubertin diz que o presidente brasileiro colocou em prática "um sistema de enfraquecimento das instituições ambientais" para tirar proveito da região amazônica.

O jornal francês também publicou uma análise das principais fotos postadas por celebridades e internautas nas redes sociais com as hashtags #prayforamazonia e #PrayForAmazonas.

Deutsche Welle
A Alemanha, que recentemente decidiu suspender o repasse de verbas que iriam para o Fundo Amazônia, fez um levantamento sobre como a mídia do país está repercutindo as notícias do Brasil.

Ela destaca a revista semanal Der Spiegel, que ressalta que "a Amazônia diz respeito a toda a humanidade" e que "o desenvolvimento do clima do mundo depende da preservação da floresta tropical".

A publicação afirma que "chegou a hora de se pensar em sanções diplomáticas e econômicas contra o Brasil".

O jornal alemão Die Zeit afirma: "de que adianta cortar o dinheiro para a conservação da floresta de um parceiro que, de qualquer forma, não tem mesmo interesse na conservação da floresta –e ainda responde à pressão pública com ostensiva teimosia, ao invés de mostrar disposição em conversar?"

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