O debate aconteceu durante a Conferência Brasileira de Mudança do Clima
O debate aconteceu durante a Conferência Brasileira de Mudança do ClimaFoto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

Os impactos sociais, econômicos e ambientais causados pelo óleo que atingiu o litoral do Nordeste foram discutidos na manhã desta sexta-feira (8)  no último dia da Conferência Brasileira de Mudança do Clima, que acontece no Bairro do Recife, área central da capital pernambucana. Um dos principais pontos debatidos foi o impacto econômico sofrido pelos pescadores com o desastre do óleo.

A pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), Beatriz Mesquita, participante do debate, cobrou respostas sobre os resultados das pesquisas sobre a possível contaminação da água, dos peixes e animais marinhos. “Hoje o mercado de pescado está paralisado, pescadores e pescadoras estão sofrendo em suas comunidades. Eles não estão indo pescar porque não conseguem vender. A população precisa de uma resposta e informação qualificada em relação a esse mercado, e só a ciência pode dar”, afirmou a pesquisadora, reforçando que a pesca artesanal é de extrema importância para a economia local. “Eles possuem um modo de vida peculiar. Pescam para vender e consomem o que pescam e precisam de visibilidade”, acrescentou, durante a palestra.

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A secretária executiva de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco, Inamara Mélo, informou que os dados da análise de água devem ser divulgados ainda nesta sexta-feira (8), explicando que os resultados estão demorando porque "muitas das análises não estavam disponíveis no Estado".

No debate, a secretária contou o que o Estado fez no primeiro momento e o que ainda realiza para minimizar os impactos, a exemplo da abertura de um edital para pesquisadores acompanharem e dimensionarem o tamanho da trajetória do óleo. “Agora é o momento de dimensionar os danos ambientais e entender quais são as consequências desse óleo para toda a população e, particularmente, para aqueles que dependem da região para o seus sustentos. São pessoas ligadas ao turismo, marisqueiras, pescadores e comerciantes. Existe toda uma economia relacionada”, afirmou Inamara.

A professora do departamento de oceanografia da UFPE, Beatrice Padovani, destacou os impactos ambientais já existentes e que ficaram ainda mais expostos depois da chegada do óleo. “Com o passar do tempo, foi minimizado o fato de que temos o desmatamento de mangue, da Mata Atlântica, poluição de esgotos, sendo muitos deles pelo plástico. Temos ecossistemas costeiros de extrema importância, que prestam serviços ambientais fundamentais, que geram segurança alimentar, além do turismo e de indústrias que já estão sofrendo o impacto do óleo”, contou a professora.

Ainda de acordo com ela, as universidades públicas, através dos pesquisadores e estudantes destas instituições, estão sendo de extrema importância na investigação sobre o óleo. “Ninguém estava preparado para este impacto que veio do mar. A primeira coisa a ser feita é identificar a fonte de derramamento de óleo e não conseguimos ainda. Identificando, temos como conter. Quem derramou precisa ser responsabilizado”, defendeu.

PIB

Segundo o economista ecológico, pesquisador da Fundaj e professor da UFPE, Clóvis Cavalcanti, que também contribuiu no debate, grande parte dos impactos causados pelo óleo não se manifestarão instantaneamente. “Não há nenhum conhecimento de processos econômicos que possam nos levar ao efeito final de tudo isso. Certamente, haverá grande efeito e muitas atividades poderão ser inviabilizadas”, afirmou o economista.

“O Produto Interno Bruto (PIB), por exemplo, pode até aumentar, diante dos recursos financeiros destinados a solucionar as questões com o óleo, mas isso é enganoso. Pode parecer que a economia melhorou, mas não é bem assim”, concluiu.

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