William da Silva foi morto em baile de brega-funk, no Recife
William da Silva foi morto em baile de brega-funk, no RecifeFoto: Cortesia

“William era um rapaz alegre. A gente pede justiça, isso não pode ficar impune.” Esse é o relato do entregador Júlio Hermínio, de 22 anos, amigo do técnico em Mecânica William da Silva, 19, morto durante uma confusão entre a Polícia Militar de Pernambuco e o público presente em um baile de brega-funk na madrugada de domingo (12) no bairro do Ibura, Zona Sul do Recife. Segundo o amigo, que conhecia William há 4 anos, o jovem se preparava para começar a trabalhar no final deste mês depois de ter terminado a formação técnica no final do ano passado.

O jovem estava com amigos no baile quando a polícia chegou, de acordo com Júlio. “Ele estava lanchando com os meninos. Estava muito alegre, queria brincar com todo mundo como se não houvesse amanhã”, disse. Em seguida, os policiais teriam começado a perseguir um rapaz de moto nas proximidades do local da morte.

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“Pegaram e começaram a bater nele [no rapaz na moto]. Foi quando William e os outros amigos tentaram intervir dizendo que aquilo era errado. Então um dos policiais atirou [em William]. Foi um disparo só, no peito”, acrescentou o entregador, afirmando ainda que os policiais tentaram atrasar o socorro do jovem. William foi encaminhado à Policlínica Arnaldo Marques, também localizada no Ibura, mas não resistiu e morreu na unidade de saúde.

Em nota, a Polícia Militar de Pernambuco afirmou que o homicídio de William ocorreu na Academia da Cidade e foi provocado por brigas entre facções criminosas das comunidades dos Milagres e do Ibura. "O efetivo participava, no bairro, da Operação Bar Seguro (que envolve a PM, Bombeiros e órgãos municipais), quando recebeu denúncia de que estava havendo uma briga, possivelmente, entre grupos rivais no local. Foi feito o deslocamento, mas os policiais encontraram a vítima já baleada, dentro de um carro particular que lhe prestava socorro", disse a corporação no texto.

No local, mais cedo, havia tido uma gravação de videoclipe de MCs. “Estava muito cheio. Isso [briga entre facções] não ocorreu”, alegou Júlio. William costumava ir a bailes de brega-funk no bairro e, segundo o amigo, se preparava para voltar para casa quando aconteceu a confusão. “Ele ia de vez em quando, gostava de se divertir, de beber. Estava muito feliz que ia começar a trabalhar. A gente era próximo, se conhecia daqui do bairro”, continuou o entregador.

O jovem morava com a mãe, funcionária de um hospital público do Recife, e um irmão mais novo, de 18 anos. O pai está detido no sistema prisional e será liberado para acompanhar o enterro, marcado para a manhã desta terça-feira (14), no Cemitério Vale da Saudade, em Igarassu, na Região Metropolitana do Recife (RMR). 

Uma amiga da mãe de William, que preferiu não se identificar, afirmou à reportagem que a mãe está muito abalada com a morte do filho, ocorrida menos de duas semanas após o falecimento de sua mãe. Ela ainda contou que a família quer respeito, pois o jovem estaria sendo julgado nas redes sociais.

“Estão botando muita coisa na internet. Ele não era errado, não tem culpa das coisas que o pai dele fez. Quando o pai fez coisas erradas, a mãe já era separada”, afirmou a mulher, que conhecia o jovem desde pequeno. “Ele era bem quisto aqui no bairro, sabemos da índole dele”, continuou a amiga.

A população do bairro ainda irá organizar um ato na quarta-feira (15) para protestar contra a morte do jovem, no local exato onde ele foi baleado. O corpo de William foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML), no bairro de Santo Amaro, área central do Recife.

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