Bruno Cardoso, 15, tem autismo e faz equoterapia há seis anos
Bruno Cardoso, 15, tem autismo e faz equoterapia há seis anosFoto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

Grande, rápido e forte, o cavalo é um animal de diversas utilidades que, de tão presente no cotidiano, faz parte da história. Da Antiguidade à Revolução Industrial, o quadrúpede foi um importante meio de transporte utilizado nas guerras e na agricultura, carregando soldados nas batalhas e levando passageiros e mercadorias do interior às cidades. Hoje, além de todos esses usos, a ciência já reconhece o quanto esse mamífero que se alimenta de folhas e capim pode ser valioso para a saúde da mente, principalmente para a sociabilidade e o desenvolvimento cognitivo de crianças com deficiência.

Assim como as cores, a música e os cães, também existe um modelo terapêutico com cavalos: a equoterapia. O termo, que vem de “equino”, refere-se a uma prática difundida no Brasil desde 1989 que estimula diferentes funções do corpo a partir da cavalaria. O método tem como foco a reabilitação de quem sofre com distúrbios sensoriais, motoras, emocionais e comportamentais.

“A equoterapia pode beneficiar crianças, adultos ou idosos e são muitas as patologias e alterações que podem ser tratadas, como paralisia cerebral, autismo, síndrome de Down, microcefalia, disfunções motoras, além de depressão e alterações no processo pedagógico”, explica a fonoaudióloga e equoterapeuta Geórgia Véras, diretora do Centro Elohim de Equoterapia (CEEQ).

Localizado na Coudelaria Souza Leão, no bairro da Várzea, Zona Oeste do Recife, o CEEQ é o único espaço dedicado ao método na Capital que oferece o serviço gratuitamente para quem não pode pagar por meio de parcerias com empresas privadas. A prática só não é indicada para quem tem desvios graves de coluna, como lordose e cifose, problemas cardíacos que não estejam controlados ou disfagia, que consiste na dificuldade de digerir os alimentos.

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O principal benefício do ato de cavalgar é o fortalecimento do tônus, a capacidade muscular de manter o corpo firme. Segundo Geórgia Véras, isso acontece porque a própria passada do cavalo é semelhante ao caminhar humano. “O passo do cavalo é simétrico ao nosso. O movimento do quadril é igual ao nosso, tridimensional, para frente e para trás, para um lado e para o outro, para cima e para baixo. Quando estamos montados, temos essa sensação como se estivéssemos andando. Então as pessoas que não têm isso por alguma alteração neurológica são estimuladas pelo corpo do cavalo, reorganizando as conexões neurológicas”, detalha a especialista.

[PODCAST] Jota Batista conversou no Canal Saúde com a diretora geral do Centro Elohim de Equoterapia, Geórgia Véras


Outra vantagem é o desenvolvimento de uma relação afetiva com o animal, que traz bem-estar psicológico, ajudando a trabalhar as emoções. Além de aprender a cavalgar, as atividades, conduzidas por um guia e um terapeuta, incluem tocar, abraçar e até alimentar o cavalo com cenouras. “Há a questão motora, de você abrir e fechar a mão e esticar o braço, e o emocional da relação. Você está agradecendo o animal porque ele te carregou na sessão”, diz Véras. “E tem o esperar o cavalo mastigar o primeiro pedaço para depois dar o segundo. Isso é importante porque trabalha o comportamento, a ansiedade e a concentração. Fora a relação de troca”, complementa a equoterapeuta e diretora executiva do Centro Elohim, Valquíria de Andrade Lins.


Diagnosticado com autismo, o estudante Bruno Cardoso, 15, faz equoterapia desde os nove anos. Ele tem dificuldade para se comunicar, mas, mesmo em poucas palavras, consegue demonstrar o carinho que tem por Diamante, cavalo que o acompanha nas sessões. “Eu gosto de andar, dar cenoura”, conta. Para o pai, o policial rodoviário Tiago Arruda, 39, a melhora é visível. “Aqui é onde a gente mais vê o progresso dele em termos de equilíbrio, o andar. Para ele se perceber como indivíduo, ele precisa se sentir. O cavalo, junto com as técnicas, ajuda bastante”, afirma.

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