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Bangcoc

Tailândia abre investigação sobre único arranha-céu que desmoronou durante terremoto no país

Joint venture de empreiteiros da Tailândia e da China era responsável pela obra

Terremoto na Tailândia destrói prédios Terremoto na Tailândia destrói prédios  - Foto: Reprodução

O colapso de um arranha-céu em construção em Bangcoc — o único prédio a cair durante o grande terremoto da semana passada — tornou-se alvo de uma investigação das autoridades tailandesas, enquanto questões giram em torno do projeto e da qualidade dos materiais usados por uma joint venture de empreiteiros da Tailândia e da China.

O prédio de 30 andares, que seria a nova sede para o Escritório de Auditoria do Estado da Tailândia, desmoronou em minutos após o terremoto de magnitude 7,7, matando trabalhadores e soterrando cerca de 80 pessoas. A polícia tailandesa prendeu quatro homens chineses no domingo, que invadiram o local do acidente para levar documentos, levantando suspeitas sobre um possível encobrimento.

O Ministro do Interior da Tailândia, Anutin Charnvirakul, criou no domingo um painel de especialistas para investigar o colapso e relatar suas descobertas ao governo em sete dias. Separadamente, o Ministério da Indústria coletou amostras de barras de aço encontradas no local para testar a qualidade do material.

Duas empresas em particular atraíram a atenção pública. O edifício estava sendo construído pela ITD-CREC, uma joint venture entre a Italian-Thai Development Pcl e a China Railway Number 10 Thailand Co. O empreendimento recebeu o contrato de 2,14 bilhões de bahts (R$ 363,8 milhões no câmbio atual) por meio de licitação competitiva em 2020, com a construção começando no final daquele ano, de acordo com o Escritório de Auditoria do Estado.

O topo do edifício, que estava cerca de 45% concluído, foi visto desmoronando primeiro, antes que toda a estrutura desabasse, espalhando escombros por toda parte. Os espectadores foram ouvidos gritando de descrença nos vídeos que se tornaram virais nas redes sociais.

— Nunca vimos nada parecido na Tailândia — disse Suchatvee Suwansawat, um engenheiro civil que concorreu ao governo de Bangcoc durante a eleição de 2022, no local do colapso no domingo. — A maneira como desabou, como se houvesse uma explosão, não é normal. A questão é como identificamos a anormalidade para encontrar a causa?

Embora os contratantes ainda não tenham oferecido nenhuma explicação para o colapso, a Italian-Thai disse que estava comprometida em "tomar medidas corretivas para restaurar a normalidade o mais rápido possível". A empresa, uma das maiores contratantes tailandesas, foi notícia no ano passado, pois enfrentava uma crise de caixa e acidentes frequentes em alguns de seus locais de projeto. Ela também foi criticada no início deste mês pelo colapso de uma rodovia em construção em Bangcoc, que matou seis pessoas.

As ações da Italian-Thai caíram 27% nas negociações de Bangcoc, a maior queda em um ano. O prédio desabado tem cobertura de seguro para o valor total do contrato, disse a empresa, acrescentando que fornecerá indenização para as famílias dos mortos e assistência médica para os sobreviventes feridos.

A China Railway Number 10 não pôde ser contatada imediatamente para comentar. A empresa é uma subsidiária da estatal China Railway Group Ltd. A joint venture com a Italian-Thai também foi listada como contratada para uma parte do projeto ferroviário de alta velocidade Tailândia-China, de acordo com um site do governo.

Apoio chinês
À medida que as empresas eram criticadas, o embaixador da China na Tailândia, Han Zhiqiang, se encontrou com o ministro do Interior tailandês e prometeu apoiar o governo em sua investigação. O foco de concentração será no projetista, supervisor de construção e empreiteiro, disse Anutin.

— Se for provado que o construtor se desviou do plano de projeto e usou outro material diferente do especificado, eles serão punidos pela lei — disse ele aos repórteres.

Embora Mianmar tenha sido muito mais atingido, com o número de mortos aumentando de mais de 2 mil, o incidente em Bangcoc se destacou em uma cidade que resistiu a grande parte do impacto do tremor. Cerca de 13 mil edifícios relataram algum tipo de dano às autoridades, de acordo com Thanes Weerasiri, presidente do Conselho de Engenheiros da Tailândia. Apenas dois deles foram categorizados como críticos, enquanto cerca de 2 mil outros ainda precisavam de inspeção.

O colapso da torre levantou mais questões, pois a rachadura aconteceu primeiro no topo, em oposição ao padrão usual de fundações cedendo sob o impacto de terremotos, de acordo com Watanapong Hiranmarn, secretário-geral da Associação Tailandesa de Engenheiros Estruturais.

Também não ajudou que Bangcoc, como uma selva de concreto construída sobre argila macia, tenha sentido o tremor mais forte do que outras partes da Tailândia, pois o solo aluvial amplifica e alonga as ondas sísmicas de uma forma que afeta mais as estruturas mais altas, disse ele.

Algumas das respostas podem estar em evidências de papel. A polícia tailandesa prendeu quatro homens chineses no domingo, que invadiram o local do acidente para levar documentos, levantando suspeitas de um encobrimento. A polícia disse que confiscou os documentos, relacionados a contratos e licitações.

— Este foi o pior caso de colapso de um edifício causado por um terremoto que já vi na minha vida — disse Watanapong.

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