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POLÍTICA

No Recife, CUT protesta contra pedido de anistia a Bolsonaro e envolvidos em tentativa de golpe

Movimento acontece no centro da capital pernambucana e em diversas cidades brasileiras

Cortejo do "Dia Nacional de Luta - Sem Anisitia", do Parque Treze de Maio até o Ginásio Pernambucano, na Rua da AuroraCortejo do "Dia Nacional de Luta - Sem Anisitia", do Parque Treze de Maio até o Ginásio Pernambucano, na Rua da Aurora - Foto: Walli Fontenele/Folha de Pernambuco

Poucos dias depois de o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete aliados se tornarem réus por suposta tentativa de golpe de Estado, em 8 de janeiro de 2023, representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) protestam contra projeto de anistia para reduzir pena do ex-chefe do Executivo.

Concentração
O movimento aconteceu saindo da Rua Princesa Isabel, bairro da Boa Vista, centro do Recife, na manhã deste domingo (30). Centenas de pessoas se concentraram na Praça 13 de Maio, onde várias entidades se reuniram.

Entre as organizações, estão o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, Poder Popular Antiespecista, Resistência Popular, Mulheres em Defesa da Democracia, entre outros.

A deputada estadual Dani Portela (PSOL) chegou ao local para apoiar o movimento. Em entrevista à Folha de Pernambuco, ela relembrou dos 61 anos do golpe de Estado que foi instaurado no Brasil, em 31 de março de 1964.

“Essa ditadura chegou as casas legislativas, mas ela perseguiu, matou e torturou milhares de pessoas. Mas, no final daquele período, em 1985, a anistia foi ampla, geral e restrita. Ou seja, ela anistiou perseguidos políticos, mas anistiou torturadores e violadores dos direitos humanos. Por isso que a gente não pode repetir essa prática no nosso País. Para que a gente nunca mais esqueça, para que nunca mais aconteça”, ressaltou ela.

Dani ainda rememorou as tentativas de golpe de Estado que aconteceram no dia 8 de janeiro de 2023, dia foi repleto de vandalismos, invasões e depredações do patrimônio público, em Brasília. Naquela época, uma multidão de bolsonaristas invadiu edifícios importantes do Governo Federal para instigar o golpe contra o governo do então recém-empossado presidente Lula (PT) e restabelecer a gestão de Bolsonaro (PL).

“Esses golpistas precisam ser devidamente punidos, por tentativa de golpe, por tentativa de ferir o Estado democrático de direito. Bolsonaro era o grande líder dessa tentativa de golpe. Inclusive com provas de planejamento de morte de um presidente da República [Lula, do PT], de um vice [Geraldo Alckmin, do PSDB] e do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. Não dá para passar pano. Por isso, a gente precisa se unir em alto e bom som, elevar a nossa voz e gritar ‘sem anistia para golpista’”, comentou ela também.

Segundo o diretor de comunicação da CUT, Paulo Ubiratan, havia grande expectativa para realização do evento. Ele citou movimentos importantes promovidos por bolsonaristas, acreditando que os apoiadores do ex-presidente já planejavam um golpe de Estado para devolver o poder a ele.

“O que eles queriam, desde a ocupação dos quartéis ao dia 8 de janeiro, era dar um golpe neste País. A gente já defendia a punição e a não anistia. Antes de eles [Bolsonaro e os aliados] serem julgados, já pedem anistia? Quem quer quebrar as instituições democráticas do País e ousou derrubar e quebrar os três Poderes não defende a democracia, defende, sim, um regime de governo autoritário, voltando à ditadura militar. Não queremos ditador. Queremos eleições gerais e livres. Quem ganhar que assuma, para a gente respeitar e solidificar esse projeto democrático importante”, argumentou Ubiratan.

Representando as causas das mulheres, animais, veganos, entre outras, o coordenador local do Poder Popular Antiespecista (Antar), Renato Libardi, discursou ao público, antes de o movimento sair da concentração. Ele comentou que a luta principal dessa união de organizações é de fazer com que o Brasil seja ‘um País minimamente democrático’.

“Pela conjuntura atual, está muito difícil, já que o autoritarismo tomou conta de uma cultura no País. A gente está tentando lembrar que Bolsonaro não deveria estar na cadeia somente por crimes contra a democracia e os atentados do 8 de janeiro, mas também pelo genocídio que houve na pandemia com a negligência médica. Representando também os animais, a gente não pode esquecer do ecocídio e do agronegócio. A causa é muito justa”, falou.
 

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