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José Paulo Cavalcanti
José Paulo CavalcantiFoto: Allan Torres/Arquivo Folha

Embora a Operação Marquês e a Lava Jato apresentem semelhanças, no que se refere aos grandes alvos do ideal socialista - Lula e Sócrates - o ex-primeiro-ministro português chegou a ser preso, o que não aconteceu com o ex-presidente brasileiro. Na visão do constitucionalista José Paulo Cavalcanti, no caso brasileiro, "Moro agiu com prudência", ao não prender o ex-presidente Lula. Em entrevista à Folha , ele explica as razões para o ex-presidente não ser preso e, também, fala da semelhança entre os episódios.

Qual a semelhança jurídica entre a Operação Marquês - que atingiu o ex-premier José Sócrates - e a Lava Jato no que se refere a Lula?
Semelhança absoluta. Como se fossem espelhos invertidos. Foram homens que concentraram poder absoluto e agiram de forma parecida. Associaram-se a grandes grupos econômicos - no caso português Lena, Octapharma, Espírito Santo, PT (Portugal Telecom), e outros mais. Tendo um grande banco público por trás, a Caixa Geral de Depósitos. Com parceiros iguais, entre eles a Venezuela. Sem faltar um toque romântico nessas parecenças. No caso de Sócrates, tivemos também um apartamento. Em Paris, no Quartier Latin. E um sítio, para o lazer dos fins de semana. Defendeu-se dizendo que não eram dele. Foram só emprestados. Não havia contratos. Nem assinaturas. Maquiavel disse (em O Príncipe) que “ a história se repete” . E Marx replicou ( em 18 Brumário) , que “só como farsa”. Essa trama parece provar que mais razão tinha o florentino.

Por se tratar de um caso parecido entre Lula e Sócrates, acha que o petista deveria ser preso preventivamente assim como o português foi?
Sócrates foi preso, preventivamente, porque embaraçava as investigações. Enquanto, no caso de Lula, e depois de tanto tempo, isso já não era mais possível. Só por isso também Lula não foi preso. Dada sua relevância, para a história do Brasil, penso que o juiz Moro agiu com prudência. E enorme bom senso.

Na Justiça portuguesa o que se observa é que a PGR buscou esgotar as investigações para só depois denunciar o primeiro-ministro. No Brasil, a PGR a cada denúncia em relação a Lula vai a imprensa divulgar a descoberta e o fatiamento estende a repercussão das suspeitas. Como o senhor avalia essas duas estratégias dos Ministérios Públicos do Brasil e de Portugal?
Junto com Sócrates, foram indiciados 28 outros réus. A maior diferença é que, por lá, não há o instituto da “ Colaboração Premiada “ . Caso houvesse, pelo menos metade deles teriam firmado essas colaborações. E tudo seria mais simples. Por isso demorou tanto. Para juntar todos os fios. E penso que fez bem o Ministério Público brasileiro, em fatiar as denúncias. Melhor assim. Por serem crimes distintos. Em resumo, a diferença maior está nas legislações. Portugal agiu de acordo com as regras de lá. E o Brasil, com as daqui. Nada a reclamar. Tudo de acordo com as boas democracias, em que transgressores da lei são processados, se defendem e, se for o caso, depois vão para a cadeia.

Especialistas na área econômica acreditam que operações dessa magnitude precisam ter responsabilidade com o cenário econômico dado o impacto que a operação traz nas empresas envolvidas. Nesse sentido, eles consideram que as investigações deveriam ter um prazo de validade. O senhor concorda?
Essa posição não é séria. Equivaleria a instituir cidadãos de duas classes, no Brasil. Os empoderados, com recursos, controladores das grandes empresas, que teriam benefícios. E todos nós, indeterminados cidadãos comuns, que respondemos imediatamente pelos crimes que nos são imputados. Inocentes continuam soltos. Culpados vão para a cadeia. É assim que funciona. Ou deveria. Se empresas, mesmo grandes, participaram da farra, responderão também. Se tiverem que quebrar, paciência. É assim no mundo todos. Por traz disso, há também uma lenda. De que essas empresas detém tecnologias. O que é falso. Quem controla essas tecnologias são os técnicos. Se uma empresa dessas quebrar, outra empresa contrata seus técnicos. Simples assim. E os prazos são os da lei.

No Brasil, se utiliza muito a técnica delação premiada para obter informações privilegiadas para avançar nas investigações enquanto Portugal ainda não admitiu esse modelo. Como o senhor avalia?

Quando estava no Ministério da Justiça, passei 15 dias no DEA, dos Estados Unidos, vendo como funcionava. E funciona bem. Tudo começou, por lá, quando se percebeu que os grandes traficantes não vendiam drogas. Mandavam vender. Nem matavam. Mandavam matar. Era muito difícil processá-los. Daí surgiram dois institutos importantes. O Plea Bargainning, permitindo que os elos mais fracos, na criminalidade, denunciassem seus chefes. E, depois, o Imunity Grant, muito semelhante, com a diferença que alcança mesmo quem ainda não tenha sido processado. Esses dois instrumentos levaram à nossa Colaboração “ . Hoje, em discussão na Assembleia Nacional portuguesa. Pela evidência de ser um instrumento eficaz, no controle da criminalidade. Claro que há questões éticas, por traz. Mas funciona, essa a questão. E é bom, para o país. Por permitir que os crimes sejam efetivamente punidos, longe do faz de conta dos poderosos. Para a reafirmação da decência, como prática pública. Como a sagração da democracia, como um contrato entre iguais.

Laços estreitos entre Lula e José Sócrates
Laços estreitos entre Lula e José SócratesFoto: Arte - Folha de Pernambuco

Ulysses Gadêlha e Anderson Bandeira, da Folha de Pernambuco

A notícia de que o ex-primeiro- ministro português José Sócrates foi acusado de 31 crimes pela Procuradoria-Geral de Portugal, nos últimos dias, trouxe à tona os estreitos laços entre o político europeu e o ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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“Casos têm semelhança absoluta”, observa José Paulo Cavalcanti  

Ambos foram governantes na mesma época, hoje são alvos de operações policiais de peso (Lava Jato, aqui no Brasil, e Marquês em Portugal), com suspeitas de corrupção que beneficiam grandes empresas, obtenção ilícita de imóveis e a menção de nomes petistas nas investigações portuguesas. Amigos próximos, Lula e Sócrates levam para a berlinda o projeto político de esquerda nas duas nações.

Sócrates comandou Portugal entre 2005 e 2011, como líder do Partido Socialista (PS), um dos mais expressivos no parlamento daquele país e, que, por analogia dos especialistas, se compara ao Partido dos Trabalhadores (PT) brasileiro. Portugal foi duramente atingido nesse período por uma crise econômica que quase pôs o Estado abaixo, devido às sanções impostas pela União Europeia.

Com sua saída, o Partido Social-Democrata encabeçou uma coligação de centro-direita liderada por Pedro Passos Coelho e implementou uma dura política de austeridade no país, impondo profundo ajuste fiscal.

Nesse período, por volta de 2012, foi deflagrada a Operação Marquês, levantando suspeitas sobre o ex-primeiro ministro José Sócrates - o seu alto padrão de vida, na visão das autoridades, era incompatível com seus rendimentos. Relacionam-se a essas suspeitas executivos do Banco Espírito Santo, da operadora Portugal Telecom, a empreiteira Lena e integrantes do alto escalão do governo português à época da gestão de Sócrates.

O Ministério Público de lá estima que a fortuna ilícita obtida pelo político seja de 24 milhões de euros - com destaque para um apartamento luxuoso em Paris e outros imóveis no nome da mãe do socialista.

Suspeitando de fraude fiscal, lavagem de dinheiro e corrupção, a Justiça portuguesa achou por bem interferir e deteve Sócrates no Aeroporto de Lisboa, em novembro de 2014, quando ele retornava de uma viagem a Paris. À época, também foi preso um amigo seu, Carlos Santos Silva, ligado à empreiteira Lena, considerado testa-de-ferro do socialista. Foi a primeira vez que um primeiro-ministro foi detido em Portugal. Sob a justificativa de não atrapalhar as investigações, o político passou nove meses detido.

No último dia 11, após meses de reviravoltas, a Procuradoria-Geral finalmente se pronunciou trazendo 31 acusações contra Sócrates: três crimes de corrupção passiva, 16 de lavagem de dinheiro, nove de falsificação de documentos e três de fraude fiscal. A Operação Marquês estima o envolvimento de 28 pessoas no esquema de corrupção, embora o centro das investigações fosse o ex-primeiro ministro e o ex-banqueiro Ricardo Salgado, no Banco Espírito Santo. O político terá dois meses para se defender, mas a expectativa é de que o processo se arraste até 2025 - diante das 40 mil folhas processuais em questão.

Lula
A amizade entre Lula e Sócrates figurou na mira da Justiça portuguesa e motivou, inclusive, uma parceria entre as operações Marquês e Lava Jato, celebrada oficialmente em 2015. Em 2013, Lula participou do lançamento do livro de Sócrates, “A Confiança no Mundo”, para o qual o petista escreveu o prefácio.

O Ministério Público português descobriu que a passagem de Lula fora custeada pela Odebrecht. A partir daí, o MP suspeitou que Lula praticou tráfico de influência para beneficiar a Odebrecht num processo de privatização da Empresa Geral de Fomento, mas as hipóteses foram amplamente negadas e a investigação não prosperou.

Em entrevista à Folha de Pernambuco, o jornalista português Fernando Esteves ponderou que o ex-ministro José Dirceu, homem forte do PT, funcionava como lobista que atuava nas sombras, enquanto Lula e Sócrates decidiam. A fusão entre Portugal Telecom e a brasileira Oi, na visão de Esteves, é um fato que deixa essa ligação evidente. Especulou-se, inclusive, que a Portugal Telecom enviou R$ 7 milhões para pagar dívidas de campanha do PT, suspeita já arquivada pelo Ministério Público luso.

Em seu novo livro, “A Sangue Frio” (ainda não publicado no Brasil), Esteves alega que há muitas semelhanças entre os esquemas de corrupção dos dois países. “São crimes gravíssimos, alegadamente cometidos por pessoas do mais alto nível: grandes empresários, banqueiros e políticos eleitos para cargos de elevadíssima responsabilidade. Nos dois casos, não estão em jogo apenas duas grandes figuras, Lula e Sócrates, mas todo um sistema”, analisa Esteves, em entrevista à revista Veja.

Justiça
Com a prisão de Sócrates, em 2014, conforme Esteves, caiu por terra a noção de que poderosos corruptos se livram impunes. A professora Raquel Patrício, especialista em Relações Internacionais da Universidade de Lisboa, reforça essa tese. Ela ressalta que tanto a Lava Jato quanto a Marquês são “tentativas de moralizar a política e mostrar à opinião pública que, também os políticos, quando prevaricam, são punidos pela Justiça”.

Já Esteves analisa que “José Sócrates foi primeiro-ministro eleito pelo Partido Socialista, no entanto, o seu processo não ‘contaminou’ os resultados do partido, que hoje é governo em Portugal”. “O atual líder, António Costa, fez questão de separar as questões, não demonstrando solidariedade pública para com José Sócrates”, sublinha.

O cientista político Rudá Ricci acompanhou de perto a repercussão, pois, coincidentemente, estava no Aeroporto de Lisboa no momento em que Sócrates foi preso e acompanhou o desdobramento público do escândalo. “Os militantes do Partido Socialista ficaram muito abatidos com a notícia, mas diferentemente do PT, o partido português tem um quadro genial que é o atual primeiro-ministro António Costa, que soube muito bem conduzir a crise”, relata Rudá.

Costa conduziu os socialistas para uma guinada à esquerda, uma vez que Sócrates, como governante, fez muitas concessões à direita, desfigurando a identidade da legenda. “De alguma maneira (Sócrates) se perdeu, flutuou muito nos acordos de negociações. Tinham envergado demais a coluna e se confundiu com a direita. E o Lula chegou muito perto disso”, explica o cientista.

Portugal acabou mergulhando, após esse episódio, num período com a direita no poder, com profunda reprovação da sociedade, o que permitiu que o PS retomasse o governo, com uma coligação que reúne todos os principais partidos de esquerda portugueses, cujo apelido do ajuntamento é "geringonça".

Diferente do PS que tinha Sócrates e António Costa, segundo Rudá, o PT não tem quadros que auxiliem Lula, isolando o ex-presidente na direção do partido. “O Lula não teve um suporte de um quadro político pra poder segurar as pontas e tirar o foco dele. Isso expôs muito o Lula. A direção do PT, com Rui Falcão e Gleisi Hoffmann, foi a sequência de piores direções que o PT já teve”, defende o especialista.

Rudá acredita que há uma diferença essencial entre Lula e Sócrates. Enquanto o português claramente ostentou com os frutos colhidos à base da ilicitude, o brasileiro parece não ter se beneficiado tanto do tempo que passou na presidência, apesar das denúncias do tríplex do Guarujá (pelo qual já foi condenado), do sítio em Atibaia e do apartamento em São Bernardo do Campo (pelos quais responde a inquéritos), todos em São Paulo, que são atribuídos ao petista pela Lava Jato.

“O Sócrates tinha um apartamento milionário da mãe dele em Paris, 11 motoristas à disposição dele. Você acha que um quadro de esquerda pode ter esse tipo de ostentação? No caso do Lula, não há ostentação, mas habilidade política. Seus adversários achavam que um operário seria facilmente ludibriado por eles. O Lula não chega nem próximo das acusações contra o Sócrates”, diz.

O problema é que, nos dois países, as operações têm originado crises institucionais e de falta de confiança nos políticos por parte da sociedade, acredita Raquel Patrício.

“É possível que esta descrença aumente e que tenha como reflexo o aumento dos níveis de abstenção nas eleições, ao mesmo tempo que em Portugal existe em muitos setores de esquerda a ideia de que Sócrates foi o bode expiatório de uma sociedade demasiado permissiva, na qual todos prevaricavam e ninguém era punido por lei”, analisa a professora.

“Para acabar com essa ideia, Sócrates foi o primeiro a ser apanhado e, mesmo sem causa formada, já esteve preso mais tempo daquele que a lei permite”, conclui.

Programa foi gravado no estúdio da Rádio Folha FM 96,7FM
Programa foi gravado no estúdio da Rádio Folha FM 96,7FMFoto: Arthur de Souza

A 62ª edição da coluna digital No Cafezinho contou com a participação do senador Humberto Costa (PT), que falou sobre as articulações para viabilizar a candidatura presidencial de Lula, no ano que vem.

Na visão do petista, o partido ainda acredita que o ex-presidente poderá ter sua postulação viabilizada, apesar das investigações judiciais em andamento. Mas, para ele, mesmo que Lula não consiga se candidatar, poderá influenciar diretamente os rumos da eleição, em função de suas recentes viagens pelo Brasil, que ajudam a resgatar sua popularidade.

O senador também abordou a implicação da conjuntura nacional na dinâmica eleitoral de Pernambuco. Segundo ele, Lula já afirmou que não descarta uma aliança nacional com o PSB. Caso isso aconteça, a disputa em Pernambuco pode ganhar outros contornos.

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DESPEDIDA
O programa desta semana também faz uma homenagem ao editor do Blog da Folha, Márcio Didier. Ele fez uma emocionante despedida da Folha de Pernambuco, após aceitar um convite para encarar outro desafio em sua carreira profissional.

 


 

Paulo Câmara
Paulo CâmaraFoto: Maria Nilo/Folha de Pernambuco

Vinte governadores se reuniram em Rio Branco, no Acre, nesta sexta-feira (27), para debater medidas de fortalecimento da segurança pública e reforçar as fronteiras brasileiras para impedir a entrada de drogas e armamentos. O 'Encontro dos Governadores do Brasil pela Segurança Pública e Controle de Fronteiras' contou com a presença, ainda, com as participações de quatro ministros de Estado - Sergio Etchegoyen, do Gabinete de Segurança Institucional; Torquato Jardim, da Justiça e Segurança Pública; Raul Jungmann, da Defesa; e Aloysio Nunes, das Relações Exteriores.

Diante da crise na segurança, os gestores propuseram a união de esforços e a adoção de medidas, expressas na Carta do Acre, documento que resultou do encontro. A carta é assinada pelos governadores do Acre, Rondônia, Amapá, Pará, Roraima, Tocantins, Mato Grosso, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco, Piauí, Sergipe, Distrito Federal, Espírito Santo, Ceará, Goiás, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, assim como pelos vice-governadores do Amapá e da Paraíba.

Entre as medidas sugeridas, a implementação do Sistema Nacional de Segurança Pública; Plano Nacional Integrado entre governo federal e estados para a segurança pública; força-tarefa integrada contra a fragilidade das fronteiras, para o combate ao narcotráfico, tráfico de armas e munições; e convidar os demais Poderes da República e o Ministério Público Federal para participar da discussão, sobre a atualização, revisão de leis, medidas penais e administrativas, mediante propostas apresentadas pelos estados ao governo federal.

Paulo Câmara (PSB), que participou do encontro, lembrou que o Brasil faz fronteira com grandes produtores de cocaína do mundo - Bolívia, Peru e Colômbia. "Com drogas e armamento pesado entrando com facilidade, o trabalho dos Estados é dificultado ainda mais. O crack já não está restrito apenas às grandes cidades. E cerca de 70% dos homicídios cometidos em Pernambuco decorrem do tráfico", explicou Paulo Câmara, acrescentando que, sem trabalho integrado, o desafio se torna maior.

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Ministério Público de Pernambuco (MPPE) convoca população olindense para audiência pública
Ministério Público de Pernambuco (MPPE) convoca população olindense para audiência públicaFoto: Reprodução/MPPE

Até o fim do ano, entrará em funcionamento o Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro do Ministério Público de Pernambuco (LAB-LD/MPPE). A implantação do Lab, como é conhecido informalmente entre os procuradores e promotores de Justiça, foi publicada no último dia 19 de outubro, na Resolução CPJ 016/2017, assinada pelo procurador-geral de Justiça, Francisco Dirceu Barros, que estabelece o prazo de 60 dias para a entrada em funcionamento do órgão.

Ligado ao Núcleo de Inteligência do Ministério Público de Pernambuco (Nimppe), o Lab é, na verdade, um conjunto de ferramentas tecnológicas apropriadas para vasculhar, com a devido autorização legal, cada centímetro, cada dígito, cada informação de movimentações financeiras e fiscais suspeitas no âmbito do cometimento de outros crimes. Lavagem de dinheiro quase sempre encobre outro tipo de atividade ilícita, seja tráfico de drogas, corrupção ou sonegação fiscal. Em todo o mundo, estima-se que, anualmente, 500 bilhões de dólares (o equivalente a R$ 1,6 trilhão) circulem em dinheiro sujo. No Brasil, esse montante chega a R$ 6 bilhões a cada ano, segundo o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão ligado ao Ministério da Fazenda responsável por monitorar a movimentação financeira de pessoas físicas e jurídicas em todo o País.

O Lab do MPPE vem atender a uma meta definida pela chamada Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (Enccla) e integra a Rede-Lab, um conjunto nacional de laboratórios de tecnologia em órgãos públicos de todo o Brasil. Em Pernambuco, é o segundo, uma vez que a Secretaria de Defesa Social também implantou o seu Lab, em 2014.

Um outro aspecto que pode ser destacado é que o Lab atende ainda à Recomendação nº 04/2017, emitida pela Corregedoria Nacional do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), que sugere aos MPs estaduais a estruturação de “serviços de análise técnica de dados econômico-financeiros, com a observância de parâmetros de qualidade que garantam o suporte necessário ao tratamento de informações dessa natureza”. Na prática, o Lab vai auxiliar mais diretamente os promotores criminais na análise de informações em investigações de crimes financeiros, em especial os relacionados à prática de corrupção.

No MPPE, o Lab vai contar com uma equipe de analistas de informática e contábeis que já atua no Nimppe. Mas reforçada por uma ferramenta essencial para o combate à lavagem de dinheiro, o Sistema de Investigações de Movimentação Bancárias (Simba), considerado o Eliott Ness tecnológico. Com o acesso a essa ferramenta, os analistas do Lab do MPPE serão capazes de potencializar suas investigações e ampliar o espectro de controle das suas análises.

Segundo o coordenador do Nimppe, o promotor de Justiça Carlos Vitório, o Simba está sendo atualizado pela equipe do novo laboratório e, assim que estiver finalizado o processo, começará a atender às demandas feitas pela Procuradoria Geral de Justiça, Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), promotores criminais e o Comitê Gestor de Segurança, que são a principal clientela do núcleo. “Todos os softwares são gratuitos, ou seja, o custo de implantação é praticamente zero”, destaca Vitório.

“Com o novo Lab, o braço do Ministério Público de Pernambuco pode ir mais longe e capturar os que praticam atividades ilícitas que retiram verbas públicas de onde nunca deveriam ser desviadas”, enfatiza o procurador-geral de Justiça, Francisco Dirceu Barros.

Faculdade de Direito do Recife (5)
Faculdade de Direito do Recife (5)Foto: Alfeu Tavares/Folha de Pernambuco

A Faculdade de Direito do Recife será palco da Virada Política – Recife. O evento, que ocorre no dia 11 de novembro, tem o objetivo de impactar na construção de uma nova política e de uma sociedade mais justa e responsável. O encontro contará com a presença de organizações, movimentos e pessoas que trabalham a política ‘de fora para dentro’.

Na pauta do Virada Política, que segue os moldes do mesmo evento que surgiu em São Paulo, estão temas como conjuntura política, corrupção, feminismo, jornalismo independente e ação política nos bairros.

O evento será gratuito e as inscrições estão sendo feitas pelo site bit.ly/vprec. O Virada Política – Recife está sendo organizado de maneira colaborativa, sem vínculo com partido político. Ele conta com financiamento de pessoas físicas e as doações podem ser realizadas pelo link: bit.ly/VakinhaVPRecife.

Senador Humberto Costa (PT)
Senador Humberto Costa (PT)Foto: Roberto Stuckert Filho/Divulgação

O senador Humberto Costa (PT) é o convidado desta sexta-feira (27) do programa Folha Política. Durante a entrevista, o parlamentar, que é opositor ferrenho ao Governo Temer, conversará sobre a situação do presidente da República, Michel Temer (PMDB), a sucessão de 2018, além de uma possível aliança com o PSB no ano que vem. O programa é comandado por Jota Batista e Márcio Didier e vai ao ar às 11h10, na Rádio Folha FM 96,7.

Sede da Prefeitura do Recife (PCR)
Sede da Prefeitura do Recife (PCR)Foto: Reprodução/Google Maps

A Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Planejamento, Administração e Gestão de Pessoas divulgou, nesta sexta-feira (27), que os seus 39,1 mil servidores da administração direta e indireta, além dos aposentados e pensionistas receberão o salário do mês de outubro na próxima terça-feira (31).

O pagamento, que será feito no último dia útil do mês trabalhado, representa, segundo a Prefeitura, uma injeção de cerca de R$ 164 milhões na economia da Capital.

Ex-prefeito de Buenos Aires, Gislam de Almeida Alencar, é preso na Operação Samidarish
Ex-prefeito de Buenos Aires, Gislam de Almeida Alencar, é preso na Operação SamidarishFoto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

O ex-prefeito da cidade de Buenos Aires, na Zona da Mata de Pernambuco, Gislam de Almeida Alencar (PSDB), e o vereador Flávio José Barbosa, conhecido com Flávio Deda, foram presos na manhã desta sexta-feira (27) na Operação Samidarish, deflagrada pela Polícia Civil de Pernambuco (PCPE). De acordo com as investigações, o grupo é suspeito de desvio de verbas destinadas à merenda escolar, alimentação para funcionários, verba para aluguel de carros e compra de combustível e material de escritório. A Polícia estima que aproximadamente R$ 12 milhões foram desviados, dos quais R$ 6,9 milhões eram recursos federais, de acordo com a Controladoria Geral da União.

Ao todo, estão sendo cumpridos nove mandados de prisão preventiva, 14  de busca e apreensão domiciliar e 11 de condução coercitiva. Os mandados foram expedidos pela comarca de Buenos Aires, na Zona da Mata de Pernambuco, para desarticular um grupo responsável por crimes como fraudes em licitações, lavagem de dinheiro e organização criminosa, do qual os dois políticos fazem parte.

Entre os trazidos por condução coercitiva está a ex-vice-prefeita de Gislam, Ana Carolina Maranhão (PSB), que foi candidata à prefeitura da cidade na eleição de 2016.

O chefe da Polícia Civil, Joselito Kherle do Amaral, detalhou o funcionamento da quadrilha. “Tudo que era adquirido em licitações era superfaturado e o valor era pago como propina. Na figura do vereador, que lavava o dinheiro, que inclusive chegou a montar um restaurante no Pina, onde era lavado o dinheiro”, contou.

“Eram três secretarias envolvidas no esquema: Saúde, Educação e Assistência Social. Eram feitos contratos para alimentação, fornecimento de combustível, merenda escolar e tudo era desviado através de propina”, completou.

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De acordo com as investigações, o vereador Flávio Deda lavava o dinheiro no restaurante Comendador, localizado no bairro do Pina, na Zona Sul do Recife. A operação acontece nas cidades de Buenos Aires, Carpina, Paudalho, Limoeiro, Aliança, Paulista e Recife. A Polícia encontrou ainda um revólver calibre 38 com o vereador, que foi autuado por porte ilegal de arma de fogo.

Investigações
Uma equipe de 160 policiais civis participou das investigações, junto com o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), Tribunal de Contas do Estado (TCE) e Controladoria Geral da União (CGU). Esta é a 42ª operação de repressão qualificada deste ano. A Polícia investiga se o atual prefeito José Fabio de Oliveira (PR) está envolvido no esquema, já que os empresários continuavam à frente das licitações na gestão iniciada no início do ano.

Desdobramento
A operação é um desdobramento das operações Comunheiro 1 e 2. A Operação Comunheiro 1 foi deflagrada em março com o objetivo de investigar fraudes e lavagem de dinheiro em Pernambuco, envolvendo um grupo criminoso que utilizava empresas laranjas para vencer licitações de compra de alimentos.

Já a Operação Comunheiro II foi deflagrada em julho, com o objetivo de investigar empresas que forneciam alimentos vencidos para estudantes de escolas públicas em Pernambuco.

Fernando Bezerra Coelho em visita na Inglaterra
Fernando Bezerra Coelho em visita na InglaterraFoto: Divulgação

Na Inglaterra, em missão oficial representando o Senado Federal, o senador Fernando Bezerra Coelho (PMDB) visitou, nesta quinta-feira (26), a usina nuclear de Sizewell B, localizada no condado de Suffolk. Operada pela empresa francesa EDF, Sizewell B é uma das maiores usinas de todo o Reino Unido. O peemedebista esteve no local acompanhado do embaixador do Brasil em Londres, Eduardo dos Santos, e do representante do Ministério de Energia britânico, Henry Primarolo.

Fernando Bezerra Coelho viajou a convite da Embaixada Brasileira, na condição de integrante da Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas (CMMC).

Na usina, o senador conversou com técnicos e engenheiros nucleares, que explicaram que a energia nuclear representa 21% da matriz energética do país. Eles detalharam que as medidas de segurança são bastante rigorosas e demonstraram que a emissão de carbono, a partir deste tipo de modelo, é baixa.

Primarolo revelou ao senador brasileiro que o governo inglês autorizou recentemente a construção de mais uma usina nuclear, chamada de Hinkley Point C, na cidade de Somerset, no sudoeste do país. O empreendimento irá gerar 5.600 empregos diretos, enquanto outros 900 postos de trabalho serão criados durante as obras. Hinkley Ponit C deve começar a gerar energia em 2025.

Em Londres, durante as agendas, o senador manteve contatos com autoridades públicas, privadas e do terceiro setor sobre mudanças climáticas, geração de energia, fontes renováveis e oportunidades de acordos bilaterais entre brasileiros e ingleses.

“Foram debates importantes para que pudéssemos observar as experiências e soluções adotadas numa sociedade extremamente industrializada, mas que tem se comprometido a baixar os níveis de poluição. Acredito que conversas iniciadas aqui irão render frutos para o Brasil, tanto do ponto de vista comercial, quanto na colaboração para a ciência e tecnologia”, afirmou Fernando Bezerra Coelho.

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