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Marcelo Freixo descartou que a opinião contrária à medida tenha a ver com alguma divergência pessoal com Sérgio Moro
Marcelo Freixo descartou que a opinião contrária à medida tenha a ver com alguma divergência pessoal com Sérgio MoroFoto: Paullo Allmeida/ Folha de Pernambuco

A proposta do Governo Bolsonaro de transferir o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) do Ministério da Economia para o Ministério da Justiça e Segurança Pública, que foi derrota na Câmara, mas ainda tramita no Senado, foi avaliada pelo deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ), em entrevista exclusiva ao Blog da Folha, nesta segunda (27).

"Se alguém me der uma razão para que o Coaf vá para o Ministério da Justiça eu posso até ser favorável. Até agora eu não ouvi nenhuma razão. O Coaf sempre foi da Economia, assim como é da Economia no mundo inteiro. Não faz o menor sentido. O Coaf não é um órgão de investigação. E os resultados do Coaf, se o ministro da Justiça tiver interesse, ele pode ter acesso", comentou.
  
Marcelo Freixo descartou que a opinião contrária à medida tenha a ver com alguma divergência pessoal com Sérgio Moro. "Não tenho nada de retalização a Moro, isso é uma bobagem. Estou lá no grupo de trabalho do Moro tentando debater com profundidade, coisa que nem sempre consigo com o ministro", lembrou.

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Segundo Freixo, personalizar um órgão não é ideal numa democracia. "O Coaf não pode seguir um ministro por causa das suas características pessoas. Porque senão o Coaf depois vai pro Supremo? Porque se a lógica do Coaf é seguir um ministro isso é a morte da política pública. O Coaf é um órgão que não pertence a ninguém. A personificação dos ministérios é muito ruim, independente das qualidades", afirmou o parlamentar.

Pacote anticrime - O psolista disse que pediu ao ministro Sérgio informações sobre ao ministro Sérgio Moro e descobriu que a minuta do projeto anticrime estava pronta desde o dia 7 de janeiro, ou seja, não houve tempo para discutir as medidas. "Como você faz um projeto que muda todo o sistema penal e estrutura da segurança pública do país sem ouvir ninguém? É muito grave. É um projeto que não tem estudo, não tem sequer impacto orçamentário", questionou. 

O parlamentar aponta para distorções no projeto, como o aumento da população carcerária. "Ele parte do princípio de que se prender mais gente em mais tempo resolve o problema da segurança pública do país. E isso é uma visão completamente atrasada no mundo inteiro. Os Estados Unidos e a Europa e todo o mundo está reduzindo a população carcerária, porque já entenderam que o sistema carcerário amplia a violência.

Todas as facções nasceram do caos carcerário e toda a proposta dele aumenta esse caos sem nenhuma política para a população carcerária. Então vai aumentar o poder das facções. Não é um projeto de segurança pública é um projeto penal que não tem viabilidade orçamentária e que não foi discutido", disse.

O excludente de ilicitude foi outro ponto criticado por Freixo. "É gravíssimo, porque você mexe numa legítima defesa sem nenhuma necessidade de mexer. Não é um excludente só pra polícia, que já mata demais (os índices de letalidade policial brasileira são assustadores, ele tinha que estar fazendo medidas para reduzir esses índices e não o contrário). A polícia do Rio de janeiro matou esse ano sete pessoas por dia e ele está promovendo o excludente de ilicitude? Ele quer chegar a 15 por dia? É uma insanidade", apontou. 

"Este projeto associado ao decretro das armas representa 19 milhões de pessoas que vão ter acesso às armas, entre elas um fuzil", afirmou Freixo.

Dados - Segundo Marcelo freixo, autor do pedido das CPIs das milícias e do Tráfico de Armas, as comissões demonstraram que o mercado legal de armas é responsável pela maioria dos homicídios. "Nessa CPI a gente constatou que 82% dos homicídios por arma de fogo, a arma tem origem no mercado legal e é desviada. Se ampliar o número de armas vai ampliar o número de desvios, é óbvio. 85% dos homicídios no Brasil acontecem por arma de fogo", afirmou. 

"Ele está armando o crime e organizando o crime a partir das facções nas prisões que não têm nenhum impacto nem social nem orçamentário. Sem contar com o aumento dos crimes de feminicídios que podem alegar a "por medo, forte emoção e ameaça". É um pacote que merece mais cuidado", ponderou Marcelo Freixo.

Felipe Carreras
Felipe CarrerasFoto: Alfeu Tavares

O deputado federal Felipe Carreras (PSB) acredita que suas críticas direcionadas ao porte de armas nas aeronaves contribuiu para o recuo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) acerca do tema. Na semana decisiva em que o Congresso Nacional aprovou a abertura de capital estrangeiro para o setor aéreo, o decreto de armas assinado pelo Presidente da República, Jair Bolsonaro, deixou as empresas internacionais em alerta.

Parte do texto autorizava o transporte de armas em aviões, o que fez com que companhias ameaçassem não operar no Brasil. O assunto foi levado ao plenário da Câmara Federal pelo deputado Felipe Carreras.

O parlamentar, conhecido pela sua vasta experiência no setor turístico, fez duras críticas à medida e pediu que o governo recuasse. “É uma atitude impensada e que pode causar muitos prejuízos para o turismo brasileiro. De que adianta o Governo Federal defender a abertura de capital e afastar as aéreas do País? Além das empresas que já operam por aqui cancelarem os voos, novas empresas não vão querer atuar no Brasil. O presidente tem que recuar”, afirmou na tribuna.

Ainda durante o pronunciamento, Carreras reforçou que o decreto não dialoga com a legislação internacional. “Nós sabemos dos problemas de segurança do País e qualquer atitude que reforce a questão é um motivo para que o Brasil não esteja dentro dos critérios internacionais. A liberação das armas faria com que o cancelamento de voos para o País fosse inevitável e, com o aumento nos preços das passagens aéreas, os visitantes estrangeiros também deixariam de escolher o Brasil como destino”, explicou o deputado pernambucano.

A revogação surgiu em tempo, visto que o Brasil será avaliado, nesta semana, em auditoria realizada pela Organização da Aviação Civil Internacional (OACI). Se o Governo Federal não voltasse atrás, o Brasil poderia sofrer um rebaixamento no critério de segurança. “Ficamos satisfeitos em saber que as nossas críticas tiveram efeito e a decisão foi repensada. Agora podemos ficar um pouco mais tranquilos com a avaliação e com a certeza de que as normas de segurança voltaram a ser competência da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).”

De acordo com informações do Governo Federal, as alterações do decreto de armas foram ocasionadas por “questionamentos feitos perante o Poder Judiciário, no âmbito do Poder Legislativo e pela sociedade em geral”.

A audiência pública contou com a participação do deputado federal Carlos Veras (PT), filho da cidade, e do deputado estadual Doriel Barros (PT)
A audiência pública contou com a participação do deputado federal Carlos Veras (PT), filho da cidade, e do deputado estadual Doriel Barros (PT)Foto: Divulgação

Para comemorar os 70 anos de emancipação política do município de Tabira, no Sertão do Pajeú, o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), participou, nesse sábado (25), de uma audiência pública sobre a Reforma da Previdência de Jair Bolsonaro (PSL).  Humberto voltou a alertar a população sobre os riscos da falta de diálogo e de projetos desse governo que, segundo ele, caminha a passos largos para uma "severa crise institucional". Nas palavras do senador, são tantos problemas enfrentados por Bolsonaro que o isolamento já é algo "inevitável".

"São tantas notícias ruins ligadas ao governo que a própria base aliada está se esvaindo. Ninguém quer defender o presidente. Dentro dessas atuais condições de governabilidade Bolsonaro, vai ficando cada vez mais sozinho, isolado, afundando rumo a uma crise institucional muito severa. Hoje, já é muito difícil pensar em projetar uma vida longa para este governo", pontuou Humberto no evento realizado na Câmara Municipal de Tabira.

Humberto fez duras críticas à Reforma da Previdência, principalmente ao fato de que o governo está vendendo a reforma como a "salvação da pátria". O parlamentar citou outros problemas que, segundo ele, têm uma urgência inadiável e Bolsonaro deu as costas.

"Bolsonaro e o ministro dele, Paulo Guedes, da Economia, estão vendendo uma mentira. Reformar a Previdência não vai resolver os problemas do país e isso já foi comprovado na Reforma Trabalhista que pasmem, aumentou o desemprego. É vergonhoso. O Brasil precisa de emprego, incentivo aos produtores rurais, programas de inclusão dos jovens no mercado de trabalho, investimentos na área da educação. O governo está fazendo o contrário e cavando um buraco sem fundo de problemas na gestão" declarou.

A audiência pública contou com a participação do deputado federal Carlos Veras (PT), filho da cidade, e do deputado estadual Doriel Barros (PT). O prefeito da cidade de Tabira, Sebastião Dias (PDT), que é poeta e violeiro, também participou fazendo um verso contra a reforma da Previdência. Zé Patriota (PSB), prefeito de Afogados da Ingazeira, esteve presente no evento e se posicionou contra a reforma nos termos que foram propostos.

Marcelo Freixo acredita que a demora da investigação apontar os mandantes do crime não é casual
Marcelo Freixo acredita que a demora da investigação apontar os mandantes do crime não é casualFoto: Paullo Allmeida/ Folha de Pernambuco

A morte da ex-vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) ainda deixa perguntas sem repostas. O deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ), colega de partido e amigo pessoal de Marielle comentou, em entrevista exclusiva ao Blog da Folha, sobre as investigações do assassinato da parlamentar carioca, que já dura mais de um ano e três meses.

"Quem mandou matar Marielle é uma pergunta decisiva para a República brasileira, para a democracia. E não é porque era minha amiga não. É porque tem um grupo político que opera como forma de fazer política a violência letal. Independente de quem foi morto. Eles não achavam que a marielle virasse o símbolo que virou. Então, mesmo virando esse símbolo todo, demorou um ano pra saber quem puxou o gatilho", lembrou.

"Só estremos 'satisfeitos' quando soubermos quem mandou matar Marielle. Em relação à investigação, é muito importante ter a prisão de quem matou e não é qualquer pessoa", disse.

Marcelo Freixo acredita que a demora da investigação apontar os mandantes do crime não é casual. "É uma mistura de incompetência com o que a morte da Marielle representou. A morte dele levanta um tampão num bueiro chamado Rio de Janeiro que tem muito pouco de cartão postal", disparou.

80 tiros - O Superior Triubunal Militar (STM) decidiu, no último dia 23, dar liberdade a nove dos 12 militares envolvidos na morte, no Rio de Janeiro, do músico Evaldo dos Santos Rosa e do catador de materiais recicláveis Luciano Macedo. Os militares estavam presos desde abril. Segundo Marcelo Freixo, a soltura dos acusados foi beneficiada por um decreto do ex-presidente Michel Temer (MDB), que está sendo, segundo ele, contestado no STF pelo PSOL. O decreto permite que militares acusados de homicídio sejam julgados pela Justiça Militar.

Segundo Freixo, a soltura dos militares passa um péssimo recado à sociedade. "É só perguntar para as pessoas nas ruas. Isso é um absurdo. Não foram só 80 tiros, foram 200. Oitenta foram só os que pegaram no carro, só pra corrigir. Só o tenente atirou 73 vezes. É inacreditável. Há uma sinalização de que se pode matar. Eu não sei se aqueles soldados são os únicos culpados, ele têm culpa e devem responder por isso, mas não são os únicos", apontou.

"É uma tragédia estrutural. Você não pode deixar na Justiça Militar uma responsabilidade como essa. É um retorno à lógica da ditadura, Justiça Militar julgar crime comum. É muito retrocesso", criticou o parlamentar, que estendeu os questionamentos à experiência de intervenção militar no Rio de Janeiro. "Eles já tinham ficado 14 meses na Maré e aquilo custou R$ 600 milhões. Entra na maré agora e vê como está lá. É simples. Isso não é um problema dos militares".

O psolista apontou falta de planejamento e de efetividade da intervenção militar. "Claramente não foi planejado aquilo. Aquilo foi no carnaval, as escolas de samba criticando Temer com um vampiro e eles decidem fazer uma intervenção para dar uma resposta. Com um mês depois acontece o assassinato de Marielle pra demonstrar que aquilo não resultou em nada. Nas barbas da intervenção você tem o assassinato político mais brutal da história do Rio de Janeiro e um dos mais bem planejados", lembrou Freixo.

Ex-presidenciável Ciro Gomes (PDT)
Ex-presidenciável Ciro Gomes (PDT)Foto: Ed Machado / Folha de Pernambuco

O ex-presidenciável Ciro Gomes (PDT) está no Recife cumprindo agenda de debates, nesta segunda (27). À tarde, ele participou de um debate de análise dos primeiros meses do governo Bolsonaro, na Unicap. E à noite, participa da mesa de abertura do I Congresso nacional de Policias Antifascismo, na UFPE. Em entrevista coletiva na primeira agenda, Ciro comentou sobre as manifestações de apoio a Bolsonaro e outros assuntos da política nacional.

"É inescusável que o Congresso brasileiro tem disfuncionalidades muito graves. Apenas não podemos concordar que a solução é fechar. É impossível esconder que a Suprema Corte brasileira não tem distorções absolutamente intoleráveis. Só não podemos é cair na bobagem de que o Judiciário não é uma função fundamental para a estabilidade das relações sociais. Portanto, pra nós do PDT e pra mim que tenho um olhar muito preocupado com o Brasil e com todos os brasileiros, eu vi as manifestações com humildade, com muito cuidado", ponderou.

"Um governo constituído com valores tão concretos como o fascismo representa sempre tem um percentual da população. Evidente que com essa gente ele não se elegeria mais. Mas essa gente é suficiente para mostrar que nós precisamos tratar esse fenômeno com muito mais sofisticação, cuidado e respeito do que supõe um certo pensamento esquerdista pouco reflexivo e humilde", afirmou.

Ciro apontou alguns fatores que podem ter levado as pessoas às ruas. "O desemprego de massa, a informalidade brutal, o medo como necessária consequencia do estado brasileiro de enfrentar a violência, a falta de perspectiva de futuro, a sensação desagradável de que a política não produz resultados consequentes e que as instituições estão fracassando, tudo isso é um caldo de cultura muito perigoso. E isso recomenda, por exemplo, que as instituições que a gente tem que defender por amor à democracia que elas tambéms e compenetrem", sugeriu.

Ato pela Educação do Dia 30 - Sobre a segunda manifestação programada em todo o país para a próxima quinta-feira (30), o pedetista pediu que as legendas não tentem se apropriar do movimento. "É muito importante que nós, os partidos, tenhamos a humildade de não sujar a autonomia do povo brasileiro com nosso oportunismo. O povo brasileiro está indo às ruas apesar de nós, por uma concretude. O violento ataque às energias da Educação. Nós precisamos reforçar prestigiar e apoiar, mas não sujar a autonomia do movimento popular dos estudantes e professores, com cuidado de não malversar a beleza dessas manifestações", avaliou.

Palamentarismo banco - Muitos parlamentares defendem a tese de que o Congresso deve impulsionar uma agenda própria como forma de assumir um protagonismo político sem a dependência da pauta do Planalto. Sobre o assunto, Ciro comentou que essa ideia foi originada para "É flagrante que as forças políticas estão se juntando no parlamento para uma espécie de contenção de danos. Isso é uma disfuncionalidade institucional mas talvez seja o que resta ao Brasil (...) isso tudo pode ser um esforço muito importante para o país desde que não usurpe os poderes do presidente da república", avaliou.

*Com informações de Paulo Veras, da editoria de Política.

Túlio Gadêlha e Ciro Gomes, ambos do PDT, em debate na Unicap
Túlio Gadêlha e Ciro Gomes, ambos do PDT, em debate na UnicapFoto: Ed Machado / Folha de Pernambuco

Em debate na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), na tarde desta segunda (27), o ex-presidenciável Ciro Gomes (PDT) colocou o deputado federal Túlio Gadêlha (PDT) como candidato da legenda na disputa municipal da capital pernambucana em 2020. Ciro respondeu à informação, dada pelo Estadão, de que Marília Arraes (PT) quer que o jovem pedetista seja seu vice numa eventual disputa à PCR.

"Túlio Gadêlha um militante padrão, um militante modelo. Ele vem da nossa juventude, vem de ser traquejado e hoje muito rapidamente se fez ser respeitado no parlamento brasileiro, representa o que há de melhor na cultura política nordestina que está em Pernambuco e no Recife. E representa quem sabe uma possibilidade de Pernambuco achar um caminho novo que não sejam a alternância das mesmas forças de sempre, não que elas também não tenham cada qual seu mérito. Portanto, se depender de nós da direção nacional, Túlio é candidato", cravou.

Segundo Ciro, um nome novo na política como é o de Túlio Gadêlha está de acordo com o projeto de país da sua legenda. "Nós do PDT achamos que é nossa obrigação contruir para o Brasil uma alternativa. Uma alternativa centrada na nossa história. O trabalhismo foi o grande momento histórico do Brasil, do Brasil Moderno. É aí que nasce o Brasil industrial que está se desmontando. O Brasil nacional que está se destruindo, aí que nasce o conjunto de rede de proteção social que também estão se desmontando, portanto a resposta para o momento brasileiro está na no redesenho e na renovação do trabalhismo. E isso não se afirma apenas na ideia, tem que se afirmar na militância.

*Com informações de Paulo Veras, da editoria de Política

Ato pró-Bolsonaro em Boa Viagem
Ato pró-Bolsonaro em Boa ViagemFoto: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco

Por Jorge Waquim

O termo “fé na política” pode ser entendido de duas maneiras. A primeira delas é a confiança na política, vista como uma ferramenta para se chegar a soluções de problemas em comum. A segunda, menos óbvia, se constituiria na fusão entre política e fé religiosa em um líder, legitimando-o como uma espécie de ungido pelos céus, e que se poderia chamar mais propriamente de “política da fé”.
  
A perda da confiança na política enquanto instrumento e a sua substituição pela segunda maneira, eis o viés de leitura que sugiro para as manifestações de ontem, domingo, 26 de maio.

Se não foram grandiosas, as manifestações também não foram minúsculas, em se considerando as dezenas de cidades, onde em cada uma delas se reuniu uma certa quantidade de manifestantes, e a avenida Paulista, que recebeu um pouco mais de gente.
  
Muito embora não tenham tido o viés que se temia, com pautas extremas, tais como “fechamento do congresso” e “fim do STF”, temas evitados pelos organizadores do evento, elas tiveram uma conotação conservadora e até mesmo religiosa. Nesse sentido, com a ausência importante de nomes e de organizações de direita, foram a vitrine do que pode ser considerada a parcela mais fiel ao presidente Bolsonaro.

O presidente, que na semana passada havia anunciado que iria se juntar ao movimento nas ruas, não o fez pessoalmente. Esteve, contudo, presente nelas de maneira inequívoca por meio de seu pronunciamento em um culto religioso de uma igreja carioca e em suas publicações de vídeos e fotos do que se passava no país.

A política, esse lugar de confronto de ideias e de interesses, é atualmente demonizada entre nós como lugar de conchavos, e parece ter perdido mais espaço ainda nessa faixa de eleitores que aproveitaram o sol de domingo para se manifestarem. As manifestações dão a entender que os eleitores de Bolsonaro mais radicais perderam a confiança na ferramenta que se chama política.

O populismo bolsonarista, aproveitando-se dessa desilusão, é construído pela tentativa de destruição da política como ferramenta e pela construção de sua imagem como um messias que veio salvar o Brasil. Daí o seu desdém do Congresso e a sua falta de articulação política para votar matérias de sua plataforma. Mas, e daí, para a consecução desse objetivo, o que ele ganhou com as manifestações?

Já começou a perder na semana passada, com a cizânia provocada em suas hostes pela chamada às ruas.
  
E a pergunta continuará a ser respondida durante as próximas semanas, uma vez que as ruas foram bastante agressivas com o chamado “centrão, do qual dependem votações no Congresso, e com Rodrigo Maia, o presidente da Câmara, que, justamente ele, tem feito esforços para construir uma harmonia com o executivo.

Nessa batalha, ganhará Bolsonaro, a política – ou perderá o Brasil?

Jorge Waquim é filósofo pela Universidade Paris Nanterre e Tradutor.
@Jwaq

Sebastião Oliveira (PR)
Sebastião Oliveira (PR)Foto: FolhaPE

O deputado federal Sebastião Oliveira (PR) iniciou a semana visitando o Sertão de Pernambuco. No município de Serra Talhada, acompanhado do deputado estadual, Rogério Leão (PR), ele acompanhou o início do Mutirão dos Endividados. A iniciativa, que é realizada pelo Governo do Estado, por meio do Procon-PE, atende ao pleito dos dois parlamentares.

O Mutirão dos Endividados acontece na Capital do Xaxado até a próxima quarta-feira (29), em seguida, segue para São José do Belmonte. O objetivo da ação é possibilitar que as pessoas negociem dívidas com a Celpe, a Compesa, os bancos, empresas de telefonia e diversas lojas do comércio local.

“O Mutirão chegou pela primeira vez a Serra Talhada. A procura nas primeiras horas superou as nossas expectativas. Está sendo um sucesso absoluto. Com o nome limpo, as pessoas voltam a comprar e, com isso, aquecer a economia das cidades. Fiquei muito feliz com os diversos depoimentos que ouvi nesta manhã. Os problemas estão sendo solucionados e o nosso objetivo está sendo alcançado”, destacou Sebastião Oliveira.

Beneficiada pela a ação, Maria Aparecida da Silva, que é moradora da Zona Rural de Serra Talhada, aproveitou a oportunidade para fechar acordo com a Compesa. “Eu devia R$ 750 e não tinha condições de pagar, mas recebi um desconto de 80%, e vou ficar em dia. Eu não gosto de dever. O Mutirão foi uma benção na minha vida. Fui muito bem recebida por todos desde a entrada. Vou divulgar para todo mundo”, disse ela.

"O Mutirão é uma ótima oportunidade para o consumidor negociar suas dividas, limpar o nome e poder a voltar ter crédito. Aqui os advogados do Procon fazem a mediação para que o acordo caiba no bolso do consumidor", explicou Danyelle Sena, gerente de fiscalização do Procon-PE.

O parlamentar do PSOL avaliou que as manifestações prejudicam a governabilidade de Bolsonaro
O parlamentar do PSOL avaliou que as manifestações prejudicam a governabilidade de BolsonaroFoto: Paullo Allmeida/ Folha de Pernambuco

Apesar de estar no campo político oposto às manifestações a favor de Jair Bolsonaro que saíram às ruas em diversas cidades brasileiras neste domingo, o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) reconheceu, em entrevista exclusiva ao Blog da Folha, nesta segunda (27), a legitimidade dos atos pró-governo.

"Tenho muito respeito às ruas e um respeito muito profundo à legitimidade popular, mesmo que seja contrário e tenha cartaz meu com xingamentos. Eu respeito a rua porque eu respeito a democracia", disse. Mas o deputado não deixou de criticar a falta de projetos do governo para o país. "O governo só tem cinco meses e é natural que a pessoa que votou em Bolsonaro precise dessa esperança de pedir para que ele consiga governar. Mas se ele não governa não é porque a oposição não deixa, é porque ele não tem programa. Ele não governa porque não tem projeto (...) não esperava que fosse ganha a eleição e não se preparou pra isso", afirmou.

O parlamentar do PSOL avaliou que as manifestações prejudicam a governabilidade de Bolsonaro. "Com toda a legitimidade que tem a rua - e a rua tem que ser um lugar de todos, a esquerda não tem monopólio dela - mas a manifestação de ontem não ajuda o governo. Ela inviabiliza ainda mais o governo, porque ela não é uma passeata de mediação, de sugestão de pautas. É uma passeata de ostensividade contra o STF e contra o Congresso. Tinha pixuleco do Rodrigo Maia lá. Isso dá governabilidade ao governo? Não, de jeito nenhum. E eu não estou aqui defendendo Rodrigo Maia, mas acho que alguém que preside o país tem que dialogar com o Congresso", ponderou.

Marcelo Freixo também questionou a proposta de 'desvinculação total' do orçamento
Marcelo Freixo também questionou a proposta de 'desvinculação total' do orçamentoFoto: Paullo Allmeida/ Folha de Pernambuco

O deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) aproveitou a agenda no Recife para visitar, nesta segunda-feira (15) a redação da Folha de Pernambuco. Ao Blog da Folha, ele comentou sobre diversos assuntos da política nacional. Freixo participa, às 19h, da mesa de abertura do I Congresso de Policiais Antifascismo, na UFPE, ao lado de nomes como Ciro Gomes (PDT) e Maria do Rosário (PT).

Freixo criticou a declaração do presidente Jair Bolsonaro (PSL) durante agenda com governadores em Pernambuco, na semana passada, na qual ele vincula a liberação de recursos para a região à aprovação da reforma da Previdência. "Chantagem, não tem outro nome", afirmou Freixo. Segundo ele, houve uma mudança de postura de Bolsonaro em relação ao tema. "O presidente sempre foi contrário à reforma da Previdência enquanto foi deputado. Esse era um dos poucos pontos em que a gente tinha convergência. A reforma da Previdência é um debate profundo que podemos fazer. eu até acho que há um problema na Previdência Social, o que eu acho que não é solução acabar com o carater social da Previdência, que é o que o Guedes quer fazer", comentou.

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"Alguém fala que a saúde está deficitária? Não, né? E porque não fala? Porque a saúde não é pra dar lucro, a saúde tem que existir. Você tem que arrumar recurso para financiar a saúde, não é assim? A Previdência também. O debate da Previdência não pode ser afastado da questão tributária, da questão fiscal", disse. Por que somos menos desiguais na terceira idade? Porque existe uma coisa chamada Previdência Social. E você tirar isso e jogar pros bancos, através da capitalização, que é o grande objetivo de Guedes, osso não é uma reforma. Isso é o fim do caráter social da Previdência", criticou.

Desvinculação - Marcelo Freixo também questionou a proposta de 'desvinculação total' do orçamento, que retira a obrigatoriedade dos percentuais mínimos para as áreas de Saúde e Educação. "Isso é um crime. É que o Paulo Guedes tem a cabeça do Fundo de Pensão. Ele não está pensando que somos o 9º pior país mais desigual do mundo, com um déficit pedagógico e educacional brutal. É de uma insensibilidade social com o país das mais violentas que eu já vi", disse.

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