Foram encontrados 250 resultados para "Julho 2018":

Cristiano Pimentel, procurador do MPCO
Cristiano Pimentel, procurador do MPCOFoto: Amaury Padilha/TCE

O procurador do Ministério Público de Contas (MPCO) Cristiano Pimentel comparou a “guerra” judicial em torno da peça “O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu”, na programação do Festival de Inverno de Garanhuns (FIG), com o episódio em torno do habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para procurador, o episódio tem semelhança com a medida concedida pelo desembargador do TRF-4 Rogério Favreto, em seguida barrado por colegas da própria Corte e pelo juiz de primeira instância Sergio Moro.

Leia também:
Após noite de confusão em Garanhuns, TJPE determina exibição da peça com Jesus travesti este sábado no FIG
Após guerra judicial, peça com Jesus trans é excluída da programação do FIG


"Inicialmente, tivemos uma decisão em agravo de instrumento do desembargador Sílvio Neves Baptista Filho, do Tribunal de Justiça do Estado, pela reinclusão da peça. Depois, em mandado de segurança, o desembargador Roberto da Silva Maia, do mesmo Tribunal, suspendeu a peça. Por fim, já no plantão, o vice-presidente do Tribunal, desembargador Cândido Saraiva, mandou reincluir a peça. Ou seja, uma decisão contrariando a outra, sucessivamente", analisou o procurador.

Na avaliação de Cristiano Pimentel, a primeira decisão, do desembargador Sílvio Neves Baptista Filho, só poderia ser suspensa em mandado de segurança, por outro desembargador, se fosse "manifestamente ilegal ou teratológica".

"A jurisprudência do Supremo e do STJ é clara. Uma liminar em mandado de segurança só pode cassar decisão do próprio Tribunal se for caso de teratologia, ou manifesto abuso de poder. Sem adentrar no mérito, não era o caso da decisão do desembargador Sílvio Neves Baptista Filho, que estava muito bem fundamentada. Ele era o juiz natural para analisar a questão na segunda instância", ponderou.

O imbróglio teve início na noite da última sexta-feira (27). Após apresentação independente de sexta-feira, financiada em uma vaquinha online, oficiais da Justiça de Pernambuco cumpriram decisão do desembargador Roberto da Silva Maia, emitida no início da noite, contrariando decisão anterior. Mesmo sem iluminação cênica, sonorização, cadeiras e o toldo para proteger da chuva, o espetáculo foi realizado em uma casa de festas no bairro de Heliópolis. O espaço foi alugado com dinheiro arrecadado pela vaquinha, fora da programação oficial do FIG.

Deputada estadual Priscila Krause (DEM) no Plenário da Alepe
Deputada estadual Priscila Krause (DEM) no Plenário da AlepeFoto: Mariana Carvalho/Divulgação

Devidamente definidos os pré-candidatos ao Senado na chapa da oposição em Pernambuco, resta ao grupo encontrar um nome de consenso para a vaga de vice-governador. Entre os integrantes do bloco, existe a sensação de o palanque deve ter a presença de uma mulher e, por isso, algumas lideranças passaram a ser sondadas. Uma delas é a deputada estadual Priscila Krause (DEM) que, na visão de alguns, pode agregar bastante, por ser jovem e ter um perfil combativo.

Em entrevista à Rádio Folha nesta segunda (30), o deputado federal Bruno Araújo (PSDB), que teve seu nome oficializado para disputar o Senado, disse que a indicação de uma mulher para o posto de vice na chapa do senador Armando Monteiro (PTB) está em sendo avaliada. “Todas as hipóteses estão sobre análise. Precisamos ficar sempre muito abertos para construir algo que enriqueça o máximo possível esse conjunto de diversidades”, colocou o tucano.

Nos bastidores, o nome de Priscila é o mais cotado. Além de ser jovem, ela disputou a Prefeitura do Recife em 2016 e ficou em quarto lugar, com 47.399 votos (5,4%). A deputada também tem um mandato expressivo na Alepe, onde integra a bancada de oposição na Casa. Em reserva, integrantes do bloco dizem que ela poderia, desta forma, dar leveza para o palanque e emprestar seu capital eleitoral na Região Metropolitana do Recife, já que as outras lideranças da oposição têm mais inserção no Agreste e Sertão do estado. Resta saber se o bloco vai aceitar ter dois representantes do DEM na majoritária.

Ouça a íntegra da entrevista com Bruno Araújo no Podcast Folhape:

O presidente eleito pode indicar 50 assessores para cargos comissionados no Palácio do Planalto
O presidente eleito pode indicar 50 assessores para cargos comissionados no Palácio do PlanaltoFoto: Romério Cunha/Flickr Michel Temer

*Zilda Mendes

Apesar da participação do Poder Executivo em importantes reuniões com os presidentes do Mercosul e da Aliança do Pacífico, no México, e com os presidentes que compõem os BRICS, na África do Sul, as tentativas de impulsionar ou retomar as relações comerciais brasileiras pouco se desenvolveram nos últimos períodos. A incógnita que fica entre os profissionais que atuam na área de comércio exterior é: qual será a proposta do novo governo a ser eleito em outubro próximo no que diz respeito à política externa, em especial ao comércio exterior?

Os últimos governantes, embora tenham apresentado alguns programas de incentivos às exportações e importações, não apresentaram nada de novo e que pudesse de fato impulsionar significativamente a nossa participação no mercado internacional. Sabe-se que, por exemplo, liberar recursos para financiar a produção e comercialização de bens e serviços no exterior nem sempre é o que se precisa. Por mais que recursos sejam importantes e necessários, não basta ter dinheiro se não existir um apoio efetivo do governo, com políticas que estejam coadunadas com as novas práticas de comércio mundiais e que possibilitem às empresas se tornarem competitivas no mercado internacional.

Há de se reconhecer que tem sido feito algum esforço para desburocratizar e diminuir o tempo dispendido nas operações de exportação e importação, como a criação do Portal Único de Comércio Exterior e as novas ferramentas de registros e autorizações utilizadas pelos usuários dos sistemas. Mas isso está longe de resolver os problemas enfrentados pelos exportadores e importadores quando estes desejam operar no mercado internacional.

Quando se fala em política tributária, é de se lamentar. Dos poucos incentivos que outrora foram ofertados, tal como o Reintegra – Regime especial de reintegração de valores tributários para empresas exportadoras – o atual governo reduziu expressivamente a alíquota de 2% em 2018, que já era baixa, para 0,1%. Esta medida foi adotada para compensar as perdas com a diminuição de impostos sobre combustíveis (diesel) acordada em decorrência da greve dos caminhoneiros ocorrida em maio deste ano.

Mas este governo está acabando. Dificilmente conseguirá mais do que cumprir as agendas de reuniões e assinar algum memorando de intenção com outro país ou bloco. E o próximo governo? O que ele pensa em relação ao comércio exterior brasileiro? A assinatura de novos acordos comerciais que realmente nos tragam resultados importantes vai fazer parte de sua agenda? Vai pensar na reformulação da política tributária e de incentivos para as empresas que desejam atuar no exterior? Será que o novo governante pensa na importância de aumentar a nossa participação no mercado internacional, apesar do esforço e do desempenho de alguns poucos setores da economia brasileira?

Em seus "pré-planos de governo", as diretrizes de alguns potenciais candidatos à presidência da república abordam superficialmente este tema. Certamente porque não desperta o interesse dos eleitores. Até agora, não se observou nada a respeito, mesmo quando o assunto é economia. No máximo, o que se ouve em seus discursos, quando perguntados, diz respeito à taxa de câmbio. Possivelmente, o interesse do eleitor não está nos reflexos da alta ou baixa da cotação da moeda estrangeira nas operações de exportação e importação do país, mas sim no quanto ele vai dispender com suas viagens internacionais.

Somente para citar alguns dos documentos divulgados pelos partidos políticos que expressam as pretensões de seus potenciais candidatos à presidência da república em relação ao comércio exterior, as menções ao tema são:

PSDB: "Numa terceira vertente, também devem ser impulsionados a agenda de concessões e privatizações, sobretudo na área de infraestrutura logística, e acordos comerciais que expandam as exportações de maior valor agregado."

PT: "Resgatar a soberania e a Estratégia de Defesa Nacional, a integração regional, a cooperação entre os povos e política externa altiva e ativa."

PDT:
"Devem ser estimuladas fortemente as inovações, em qualquer campo do conhecimento e da produção, que sejam sustentáveis e agreguem mais valor aos bens e serviços, mesmo porque as barreiras ao comércio internacional serão cada vez mais associadas à prática de técnicas e aos processos de produção sustentáveis."

Resta-nos saber detalhadamente quais serão as estratégias e ações de fato adotadas pelo(a) presidente eleito. A ver.

*Zilda Mendes é professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie e atua nas áreas de comércio exterior e câmbio.

Prédio do Supremo Tribunal Federal
Prédio do Supremo Tribunal FederalFoto: Gil Ferreira / SCO / STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) promove audiência pública sobre a descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação. O debate acontece nos dias 3 e 6 de agosto e vai reunir mais de 40 representantes de diversos setores, entre especialistas, instituições e organizações nacionais e internacionais, com o intuito de contribuir com informações para a discussão do tema, que é objeto da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 442, ajuizada pelo PSOL.

A audiência começa às 8h20, na sala de sessões da Primeira Turma do STF, e prossegue no período da tarde, a partir das 14h30. Participam representantes de 13 entidades em cada turno, sendo que cada um deles terá 20 minutos para fazer sua explanação. Entre os expositores, representantes do Ministério da Saúde, da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), da Academia Nacional de Medicina, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Conselho Federal de Psicologia e da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

A ministra Rosa Weber, relatora da ADPF, convocou a audiência por considerar que a discussão é um dos temas jurídicos “mais sensíveis e delicados” por envolver razões de ordem ética, moral, religiosa e de saúde pública e a tutela de direitos fundamentais individuais. Segundo a magistrada, foram recebidos mais de 180 pedidos de habilitação de expositor na audiência, abrangendo pessoas físicas com potencial de autoridade e representatividade, organizações não governamentais, sociedade civil e institutos específicos. Há pedidos ligados a entidades da área de saúde, institutos de pesquisa, organizações civis e instituições de natureza religiosa e jurídica.

Na ADPF 442, o PSOL questiona os artigos 124 e 126 do Código Penal, que criminalizam a prática do aborto. O partido pede que se exclua do âmbito de incidência dos dois artigos a interrupção voluntária da gravidez nas primeiras 12 semanas de gestação, alegando a violação de diversos princípios fundamentais. Para o autor da ação, os dispositivos questionados ferem princípios constitucionais como a dignidade da pessoa humana, a cidadania, a não discriminação, a inviolabilidade da vida, a liberdade, a igualdade, a proibição de tortura ou o tratamento desumano e degradante, a saúde e o planejamento familiar das mulheres e os direitos sexuais e reprodutivos.

Interessados poderão acompanhar a audiência pública ao vivo pela TV Justiça e pela Rádio Justiça, além do canal do STF no YouTube. As informações são do site do STF.

Cleiton é o favorito da presidência do PP, mas Eriberto tem mais simpatia dos parlamentares
Cleiton é o favorito da presidência do PP, mas Eriberto tem mais simpatia dos parlamentaresFoto: Sabrina Nóbrega/Alepe e Jarbas Araújo/Alepe

Em meio às indefinições sobre a presidência da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), o deputado estadual Eriberto Medeiros (PP) deve ter o nome oficializado nesta segunda-feira (30), às 17h, após reunião do partido. Na ocasião, a legenda deve bater o martelo sobre a sucessão na Alepe, que está sendo comandada por Cleiton Collins (PP) interinamente desde que o então presidente da Casa, deputado Guilherme Uchoa (PSC), faleceu.

Os deputados estaduais Cleiton Collins, presidente em exercício, e Eriberto Medeiros disputam a preferência. O grupo anunciará candidatura única e aposta na proporcionalidade partidária para assumir o mandato tampão - até janeiro de 2019.

Collins é candidato à reeleição e possui a preferência do presidente estadual do PP, deputado federal Eduardo da Fonte. Medeiros, por sua vez, disputará uma vaga na Câmara Federal, tem a simpatia da maioria dos parlamentares da Casa.

Frente Popular do governador Paulo Câmara (PSB) realiza sua convenção no próximo domingo
Frente Popular do governador Paulo Câmara (PSB) realiza sua convenção no próximo domingoFoto: Divulgação

Com a data limite para as convenções no próximo domingo, essa é semana derradeira para as definições de coligações visando às eleições 2018. As chapas dos três candidatos que se apresentam como melhores colocados nas pesquisas de intenções de votos - o governador Paulo Câmara (PSB), o senador Armando Monteiro Neto (PTB) e a vereadora Marília Arraes (PT) - ainda estão indefinidas. As postulações da petista e a do ex-prefeito Júlio Lóssio (Rede) ainda não estão confirmadas. A “chapa feminista” do PSOL, encabeçada pela professora Danielle Portela, é a única fechada até então.

A Frente Popular, encabeçada por Câmara, tem finalizado as conversas para anunciar a chapa majoritária, que, por ora, conta com o deputado federal Jarbas Vasconcelos (MDB) numa das vagas ao Senado. Entretanto, as negociações com o PT têm deixado incógnitas na composição. Dois cenários estão sendo trabalhados: com e sem o apoio petista. Caso o PT se alie, o senador Humberto Costa (PT) deverá ocupar uma das vagas ao Senado, enquanto o ex-prefeito José Queiroz (PDT), o deputado federal Sebastião Oliveira (PR) e a deputada federal Luciana Santos (PCdoB) disputam a vice, sendo que os dois primeiros com vantagem por causa da questão geográfica - Queiroz, com bases no Agreste, e Oliveira, no Sertão. Caso não haja aliança com os petistas, Luciana deve ocupar a vaga a vice e Queiroz à Casa Alta. Os coordenadores políticos da campanha serão o deputado estadual Nilton Mota, o prefeito do Recife, Geraldo Julio, e o chefe da Assessoria Especial de Câmara, Antônio Figueira, ambos do PSB. A convenção ocorre no próximo domingo, no Clube Internacional, das 9h às 17h.

Armando Monteiro deve fechar o nome do seu vice nesta semana e lançar sua chapa no sábado

Armando Monteiro deve fechar o nome do seu vice nesta semana e lançar sua chapa no sábado - Crédito: Divulgação

O bloco de oposição Pernambuco Vai Mudar, liderado por Monteiro Neto, já anunciou os dois ocupantes das vagas à Casa Alta - os deputados federais Mendonça Filho (DEM) e Bruno Araújo (PSDB) -, restando a vice. Para a vaga, vem sendo avaliados os nomes do vereador Fred Ferreira (PSC) e do deputado federal Kaio Maniçoba (SD), caso o Solidariedade desembarque da base de Câmara em direção à oposição. Nos bastidores, comenta-se que o secretário-geral do PTB, João Batista, pode ser o coordenador da campanha. A convenção do petebista será realizada no próximo sábado, no Classic Hall, das 9h às 14h.

Apesar de ainda ser uma incógnita, a pré-candidatura de Marília Arraes está em jogo e articulando apoios. A petista anunciou o deputado federal Sílvio Costa (Avante) como um dos senadores e o coordenador de campanha, Cláudio Ferreira. A outra vaga ao Senado estaria reservada ao correligionário Humberto Costa, que resiste a ideia, caso a aliança com o PSB não se concretize. O ex-deputado Maurício Rands (PROS) é uma possibilidade para ocupar uma das vagas da chapa. A convenção do PT está marcada para a próxima quinta-feira.

A única chapa formada é a do PSOL: com Danielle Portela na cabeça de chapa, Gerlane Simões (PCB) na vice e Albanise Pires (PSOL) e Eugênia Lima (PSOL) no Senado. O conselho da campanha será coordenada pelo advogado Jesualdo Campos (PSOL) e a convenção da “chapa feminista” ocorre no próximo sábado. Já a candidatura da Rede, encabeçada por Lóssio, não indicou nomes aos espaços de vice ou senadores, tampouco anunciou apoios, mas segue mantida. A convenção será no sábado. A pré-candidatura do Coronel Luiz Meira (PRP) ao governo estadual foi retirada na última semana.

Marília Arraes (PT) trabalha para confirmar seu nome para a disputa
Marília Arraes (PT) trabalha para confirmar seu nome para a disputaFoto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

A definição da aliança entre PT e PSB em Pernambuco ficou para a última semana e a expectativa é que muitas conversas moldem as articulações dos dois partidos. Com a falta de avanços nas conversas entre petistas e socialistas no campo nacional, a candidatura da vereadora Marília Arraes (PT) ao Governo do Estado segue mantida, mas envolta de incertezas. Segundo a coluna Folha Painel, a indefinição dos socialistas levou a direção do PT Nacional a cogitar a hipótese de deixar uma brecha na resolução que vai oficializar a candidatura de Marília Arraes ao governo de Pernambuco na próxima quinta-feira. A ideia seria registrar no documento que o partido pode retirar o nome da legisladora recifense do pleito caso o PSB, na sua convenção nacional, prevista para o dia 5, decida pelo apoio nacional aos petistas.

Leia também:
Paulo Câmara: 'O PT ainda não é uma certeza'
Executiva estadual do PT negocia apoios


Manobras à parte, as articulações entre as siglas seguem a todo vapor. Há uma expectativa de conversa entre a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e o presidente do PSB, Carlos Siqueira, até a quarta-feira.

Hoje, dirigentes pernambucanos das duas siglas se reúnem para debater o cenário local. A conversa integra uma orientação do diretório local que prevê a tratativas com os possíveis aliados. PROS e Avante já foram ouvidos. A maior expectativa é sobre a reunião da Executiva Nacional do PT, previsão para a quarta-feira. De lá, é possível que saia uma orientação para a reunião do PT-PE prevista para o dia seguinte. Uma ala da sigla aposta que as convenções do PT de Pernambuco podem acabar ficando para o último dia das convenções - no domingo.

Paralelo as articulações da disputa para o governo, o senador Humberto Costa (PT), defensor da aliança com o PSB, chegou a realizar pesquisa com as intenções de voto para o Senado.

O deputado federal Júlio Delgado (PSB-MG) aposta na costura de um acordo entre as legendas em Pernambuco e Minas Gerais. “O nosso candidato ao Governo (Márcio Lacerda) não construiu uma coligação forte para as proporcionais e nossa prioridade é eleger deputado federal e estadual. Um acordo passando por Minas e Pernambuco poderia resolver isso”, apostou.

Presidente do PDT, Carlos Lupi
Presidente do PDT, Carlos LupiFoto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

Na reta final das convenções partidárias, o prazo cada vez mais apertado para a definição de alianças obriga os dirigentes das agremiações a adotarem uma postura mais firme em relação ao seu arco de apoios. É o caso da relação nacional entre os comandos do PDT e PSB que ameaça afetar a conjuntura de Pernambuco. Dirigente nacional do PDT, Carlos Lupi se mostra cada vez mais impaciente com a ofensiva do PSB do governador Paulo Câmara (PSB) em insistir na aliança com o PT, minando o apoio da legenda ao pré-candidato à Presidência da República Ciro Gomes (PDT). Questionado sobre o tensionamento entre as silgas, Lupi foi taxativo: a posição do PDT de Pernambuco dependerá da posição do PSB de Pernambuco.

Leia também:
PDT pressiona Paulo Câmara por definição
Presidente do PDT diz que já fez “tudo que podia fazer” para atrair apoio do PSB
[Podcast] Para Paulo Rubem, cláusula do PDT pode dificultar apoio a Ciro


"Enquanto o PSB não definir a posição deles, não vamos definir a nossa. A definição do PDT de Pernambuco vai depender da definição do PSB de Pernambuco. Estou esperançoso na possibilidade de construirmos uma aliança nacional e trabalho muito para ter o apoio deles. Mas nós dependemos dessa definição", afirmou Lupi.
Nacionalmente, Lupi vêm dialogando com dirigentes do PSB para fechar o apoio dos socialistas a Ciro Gomes na conveção da sigla, prevista para o próximo sábado. "Converso diariamente com as lideranças do PSB de Amazonas, Rio de Janeiro e Espirito Santo. Trabalho para ter esse apoio", relatou.

No último sábado, o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), que teve a candidatura à reeleição oficializada, defendeu o apoio do partido ao pré-candidato à Presidência Ciro Gomes (PDT). "Até o momento da decisão denitiva do PSB vou procurar convencer os dirigentes nacionais do partido que a melhor alternativa para o Brasil sair da polarização PSDB-PT é a candidatura de Ciro Gomes", declarou. Em busca do apoio do PSB, o PDT já “adiantou seus peões” com apoio em estados como Espírito Santo (Renato Casagrande) e São Paulo (Márcio França). Internamente, a avaliação é que Gomes teria a maioria do diretório, mas o PSB-PE evita fechar o apoio para não atrapalhar as tratativas com o PT. Por isso, a postura mais dura com o PSB de Pernambuco.

A indefinição nacional acabou por acirrar os ânimos no plano local. Nos últimos dias, o dirigente nacional do PDT, Túlio Gadêlha, expôs que há um diálogo com a direção nacional da sigla para levar o partido para a candidatura da vereadora Marília Arraes (PT) para o Governo do Estado. Nos bastidores, a petista trabalha pelo apoio dos pedetistas e vem conversando com lideranças regionais do partido. A posição de Gadêlha, contudo, enfrenta a oposição do presidente estadual do PDT, Wolney Queiroz, que é aliado do Palácio das Princesas. Paralelo ao imbróglio interno, o grupo dos Queiroz trabalha por um espaço na majoritária da Frente Popular de Paulo para o ex-prefeito de Caruaru, José Queiroz.

O histórico na relação entre o PDT Nacional e o diretório da sigla em Pernambuco traz uma recente intervenção, que afetou a coligação da primeira eleição de Paulo Câmara. Em 2014, o comando nacional da sigla fez uma intervenção para que a legenda apoiasse o senador Armando Monteiro Neto (PTB), contrariando o grupo dos Queiroz. O fato do PDT-PE contar com uma comissão provisória e não um diretório permanente facilita esse tipo de "intromissão" da nacional na conjuntura local.

   Reunião

Sobre a reunião dos partidos de esquerda prevista para amanhã, Lupi não confirmou sua presença no encontro. A agenda foi programada pelas presidentes do PCdoB, Luciana Santos, e do PT, Gleisi Hoffmann. A comunista aposta na unidade do campo político.

Armando Monteiro Neto discursa durante ato com representantes do PRTB, PV, PHS e PSL
Armando Monteiro Neto discursa durante ato com representantes do PRTB, PV, PHS e PSLFoto: PTB/Divulgação

A coligação "Avança Pernambuco", que reúne as legendas PRTB, PV, PHS e PSL, realizou sua convenção neste sábado (28), em um hotel no Pina, na Zona Sul do Recife. Durante o evento, o grupo anunciou o seu apoio às pré-candidaturas do senador Armando Monteiro Neto (PTB) ao Governo do Estado e dos deputados federais Bruno Araújo (PSDB) e Mendonça Filho (DEM) ao Senado. Também neste sábado, o PSDB ingressou na Frente "Pernambuco Vai Mudar". Com isso, são 12 partidos reunidos em torno do nome de Armando, Mendonça e Bruno: PTB, DEM, PSDB, PPS, PSC, Podemos, PV, PRB, PHS, PSL, PSDC e PRTB.

"Não se trata de apenas um grupo numérico, mas qualificado, formado por pessoas que sentem no dia a dia os problemas de Pernambuco", afirmou Armando Monteiro Neto ao fazer referência aos 112 pré-candidatos à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) e à Câmara Federal. Estiveram presentes os presidentes estaduais do PRTB, Ednázio Silva; do PHS, Belarmino Souza; do PSL, Marcos Amaral; e o vice-presidente do PV, Fellipe Vasconcelos.

O presidente do PRTB, Ednázio Silva, resumiu o que levou os partidos ao apoio a Armando, Mendonça e Bruno. "Pernambuco tem um câncer, um tumor que precisa ser tratado. E Armando é o nome certo para resolver essa questão", ressaltou.

Na ocasião, Mendonça Filho destacou o crescimento da Frente "Pernambuco Vai Mudar". "Até ontem estávamos em oito partidos e hoje estamos em 12, tudo isso movido pela insatisfação da população com a falta de rumo do Governo", disse. “Pernambuco não quer governador que sorri fácil, Pernambuco não quer governador que diz sim a tudo ou que obedece a todo mundo. Pernambuco quer um governador altivo, com autoridade, que conhece os problemas da população", destacou Bruno Araújo.

Governador Paulo Câmara (PSB) participou de Congresso da UVP, em Gravatá
Governador Paulo Câmara (PSB) participou de Congresso da UVP, em GravatáFoto: Douglas Fagner/Divulgação

No dia em que o deputado federal Bruno Araújo (PSDB) foi oficializado pré-candidato ao Senado pela Frente "Pernambuco Vai Mudar", encabeçada pelo senador Armando Monteiro Neto (PTB), pré-candidato ao Governo do Estado, o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), criticou, neste sábado (28), a falta de investimentos do governo federal no Estado. O socialista, que é pré-candidato à reeleição, se reuniu com legisladores durante o Congresso da União de Vereadores de Pernambuco (UVP), que acontece em Gravatá, no Agreste.

Durante a sua fala, o governador antecipou o tom que deverá adotar na campanha, criticando as iniciativas do governo federal, já que o palanque do opositor Armando Monteiro Neto tem dois nomes que integraram o Executivo comandado pelo presidente Michel Temer (MDB): Bruno Araújo (PSDB) e Mendonça Filho (DEM), ex-ministros das Cidades e da Educação, respectivamente.

Paulo Câmara falou da falta de compromisso do governo federal com o Nordeste, que impactou na piora de serviços públicos em outros Estados. “O Brasil pior do que está não vai ficar. A gente tem esperança de um Brasil melhor, com representantes legítimos que possam ter um olhar para o Nordeste. Para o desenvolvimento social, um olhar para frente. Isso nos motiva”, disse. Segundo o o socialista, a sua gestão consolidou a economia de Pernambuco para o futuro.

Ao falar sobre os investimentos em infraestrutura no Estado, ele afirmou que obras como a Adutora do Agreste não tiveram recursos do governo federal em 2018. "Não tivemos um centavo este ano, mesmo assim estamos perto de colocar água para o povo do Agreste", afirmou.

Paulo Câmara foi ao evento acompanhado do prefeito do Recife, Geraldo Julio (PSB), e de comitiva de vereadores do Recife formada por Aderaldo Pinto, Felipe Francismar, Aline Mariano, Natália de Menudo, Eduardo Marques, Maguari, Davi Muniz, Benjamim da Saúde, Marco de Bria, Chico Kiko, Michele Collins e irmã Aimée. Os deputados estaduais Eriberto Medeiros (PP), Cleiton Collins (PP), Zé Mauricio (PP), Waldemar Borges (PSB) e Nilton Mota (PSB) também acompanharam a atividade, assim como o presidente do PSB-PE, Sileno Guedes.

   'Turma de Temer'

Na última terça-feira (24), o PSB-PE emitiu uma nota criticando "a turma de Temer". "A ‘turma do Temer’, liderada pelo senador Armando Monteiro, deveria olhar esse Governo Federal que eles defendem. Não nos causa surpresa esse conflito entre eles. Isso é resultado de quem constrói arranjos de partidos apenas para fins eleitorais. É um ajuntamento de siglas desconectado da realidade do povo”, colocou o PSB, em resposta a declarações da Frente das Oposições sobre o comando do Palácio do Campo das Princesas.

assuntos

comece o dia bem informado: