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Ato foi realizado neste sábado (28)
Ato foi realizado neste sábado (28)Foto: Divulgação

O deputado federal Bruno Araújo (PSDB) foi anunciado oficialmente como pré-candidato ao Senado pela frente "Pernambuco Vai Mudar", na manhã deste sábado (28). Com o anúncio, feito na sede do PSDB, no Derby, no Recife, Araújo se junta aos pré-candidatos ao governo do Estado, Armando Monteiro (PTB), e ao Senado, Mendonça Filho (DEM). Até o próximo sábado (4), data da convenção da coligação, no Classic Hall, em Olinda, o nome do pré-candidato a vice-governador será anunciado.

"Chego com a missão de ajudar Armando a enfrentar as dificuldades que Pernambuco vem passando. Vamos correr o Estado para ouvir as pessoas e refletir num programa que se encaixe na realidade de Pernambuco", afirmou o pré-candidato ao Senado, que é presidente estadual do PSDB. "Para ser governador de Pernambuco, não basta apenas sorriso fácil. Nossos governadores têm firmeza, espírito público, impõem respeito", disse Bruno Araújo, em alusão à presença dos ex-governadores Roberto Magalhães (DEM), Gustavo Krause (DEM), Joaquim Francisco (PSDB), João Lyra (PSDB) e também do colega de chapa Mendonça Filho.

Além dos ex-chefes dos ex-governadores, marcaram presença lideranças como o pré-candidato a deputado estadual Antônio Campos (Podemos), que falou em nome dos partidos que compõem a aliança, a prefeita de Caruaru, Raquel Lyra (PSDB), que representou o conjunto de prefeitos que apoiam a frente, o prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira (PR) e seu irmão, deputado estadual e presidente do PSC-PE André Ferreira, o senador Fernando Bezerra Coelho (MDB) e os deputados federais Betinho Gomes (PSDB) e Jorge Corte Real (PTB), entre outros nomes.

Armando reforçou que o sentimento de mudança ganha mais força com a oficialização de Bruno na majoritária. "Como disse o senador Fernando Bezerra Coelho, este time tem coragem e responsabilidade. Não temos o direito de nos omitir e o que nos une é a compreensão de que podemos mudar esta realidade", ressaltou o pré-candidato a governador. "Esta não é uma homenagem a um sobrenome. Não houve personalismos na construção desse projeto, que vem sendo construído passo a passo, vencendo todas as etapas. O PSDB foi um dos pilares dessa construção", arrematou.

Já Mendonça exaltou o novo companheiro de chapa. "A oficialização do nome de Bruno para o Senado significa o fortalecimento da nossa união na apresentação de propostas que vão mudar Pernambuco. Bruno ouviu o chamamento do povo e agora estamos cada vez mais fortes", atestou.

Renata faz o papel de Jesus Cristo como uma transexual
Renata faz o papel de Jesus Cristo como uma transexualFoto: Divulgação

Tradicionalmente, fatos inusitados marcam as disputas eleitorais. E podem influenciar diretamente a dinâmica do voto. A princípio, não era fácil imaginar que o espetáculo “O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu”, protagonizado pela atriz trans Renata Carvalho, pudesse se transformar neste tipo de episódio, capaz de agitar os bastidores da política pernambucana. Mas a proibição da peça no Festival de Inverno de Garanhuns, por parte do Governo do Estado, e a consequente guerra judicial em torno da exibição do espetáculo permitiram que o debate tomasse uma outra dimensão, que merece uma leitura aprofundada.

A religião, que sempre foi marca de nossa identidade cultural, vem aumentando sua influência nos espaços de poder. As bancadas evangélicas crescem, carregando consigo pautas polêmicas, sempre em nome da vontade divina. Cultos são realizados dentro de casas legislativas e crucifixos continuam exibidos em plenários, demarcando um território que foi conquistado desde o descobrimento do Brasil.

Em Pernambuco, esta relação entre política e religião também está mais intensa. Tanto que o governo cancelou a peça estrelada pela trans no FIG por conta “da polêmica causada pela atração e da possibilidade de prejuízos das parcerias estratégicas e nobres que o viabilizam”. Veja só. O Estado, em sua concepção mais abrangente, admite que, por pressões de ordem ideológica, vetou uma expressão artística.

Se a polêmica se encerrasse neste ponto, sua repercussão poderia causar certo desconforto ao governo, mas nada tão grave ao ponto de ameaçar a turbulenta estabilidade do jogo eleitoral. Porém, a sucessão de intervenções judiciais inflamou ainda mais os ânimos dos que querem banir a apresentação. E, com isso, a confusão pode tomar outros rumos.

Hoje, a Assembleia Legislativa de Pernambuco é comandada interinamente por um pastor, o Cleiton Collins, desde a recente morte do presidente da Casa, Guilherme Uchoa. Aliado do governador Paulo Câmara, ele é o parlamentar mais votado da Casa e, por isso, seu apoio eleitoral pode, sim, fazer a diferença. O deputado pertence, inclusive, ao PP, partido que andou ameaçando deixar a base aliada do governo, caso não seja contemplado com mais espaços e indicações.

Diante deste imbróglio, o evangélico lançou um vídeo contra a liberação da peça. Nele, citou o discurso feito pela cantora Daniela Mercury, no próprio FIG, criticando a censura do governo. O vídeo diz que a cantora está “evocando demônios” e mostra cenas de brigas no show da baiana.

Pernambuco é do senhor todo poderoso, criador do céu e da terra e de Deus. Não vamos aceitar a forma como querem impor contra a fé da maioria dos brasileiros, com peças como essa, vexatória. Entramos com um pedido de desagravo para o procurador e o desembargador e se não for aceito vamos até as últimas instâncias. Vamos continuar lutando para essa peça ser barrada não só em Pernambuco quanto no Brasil inteiro”, afirma Cleiton Collins.

Ele chegou a comemorar, nas redes sociais, a decisão judicial que proibiu novamente o espetáculo no FIG, na noite desta sexta (27). Porém, uma nova determinação do TJPE obrigou a reinclusão da peça à programação do festival. Insatisfeito, o parlamentar passou a pressionar o próprio governador Paulo Câmara, em busca de uma solução. Collins compartilhou uma foto do governador com um apelo, assinado pelo "Movimento Cristão de Pernambuco". "Governador Paulo Câmara, mantenha sua decisão de tirar a peça “O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu” do Festival de Inverno de Garanhuns. Ela é um desrespeito à fé cristã!", diz o post.

"Temos que nos posicionar como sociedade civil e mostrar ao Tribunal de Justiça de Pernambuco que nós somos contra. Se você concorda e não quer que o governador atenda esta decisão, compartilhe!", completa o deputado, em um outro texto divulgado nas redes.

A postura traduz o alcance da polêmica. E, neste momento, vem a provocação. O grupo do senador Humberto Costa (PT) quer fazer parte da Frente Popular para que ele possa se candidatar à reeleição. O argumento, para isso, é que o governador se esforça para se integrar ao bloco de partidos que se situam no campo da esquerda. Ele acredita que esta aliança é importante para fortalecer as pautas progressistas e defender o legado do ex-presidente Lula. Mas, como dividir um palanque eleitoral com figuras que marcham no sentido contrário? Como dizer que existe uma convergência ideológica neste caso?

Desculpe. Mas não pude deixar de lembrar do beijo gay presenciado pelo próprio Lula, durante um ato em sua defesa, em janeiro deste ano. Na ocasião, se limitou a rir e não pareceu nada desconfortável. Em 2004, por exemplo, ele criou o programa “Brasil sem Homofobia”. Em 2010, inaugurou o Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos LGBT, só para dar alguns exemplos de sua postura diante deste tipo de temática.

Pois. Em uma eleição que deve ser marcada por embates de cunho radicalmente ideológico, qualquer posicionamento pode influenciar o jogo. E vai, claro, ser usado pelos atores que fazem parte desta engrenagem para situar o eleitor. Portanto, é preciso muito cuidado.

[G] Presidenciáveis são alvos de processos
[G] Presidenciáveis são alvos de processosFoto: Reprodução

Após a crise institucional vivida nos últimos dois anos e, diante da campanha política que se avizinha, os candidatos à Presidência da República - no centro dos holofotes - têm levantado bandeiras, às vezes polêmicas, como a reforma tributária, a redução da maioridade penal, a taxação de lucros e dividendos, a fim de conquistar o público. Cheio de planos, passando a ideia de que esse tipo de proposta se materializa por uma “canetada”, o presidenciável dá ao eleitorado a impressão de que o chefe do Executivo tem mais poder do que verdadeiramente tem.

Especialistas, no entanto, alertam que o exercício de poder, pelo Estado, é uma tarefa compartilhada. É necessário ao gestor trabalhar a relação institucional, especialmente com o Legislativo, para levar adiante a sua agenda. Não há, tanto por parte do candidato, quanto dos debatedores ou entrevistadores, essa ressalva de que certas propostas cabem a um ou outro ator político. Na campanha política, quando promessas são feitas, é fundamental ao eleitor ter claro o papel dos poderes no sistema político, para evitar escolhas equivocadas.

No centro da arena eleitoral, há uma série de propostas que orbitam nessa linha tênue entre as competências dos três poderes. O presidenciável Ciro Gomes (PDT), por exemplo, deu o recado de que vai "botar juiz para voltar para a caixinha dele, botar o Ministério Público para voltar para a caixinha dele e restaurar a autoridade do poder político", declaração que sinaliza para uma interferência no Judiciário.

O pedetista foi um dos candidatos que também prometeu revogar a reforma trabalhista e a PEC do Teto dos Gastos, acompanhado dos pré-candidatos do do PT, Luiz Inácio Lula da Silva; do PSOL, Guilherme Boulos, e do PCdoB, Manuela D'Ávila, tarefa que, em tese, cabe ao Legislativo, restando ao presidente da República apenas a prerrogativa de propor e tentar influenciar uma votação.

No campo da direita, candidatos como Jair Bolsonaro (PSL) defendem a liberação ampla do porte de armas, contrariando a legislação vigente do Estatuto do Desarmamento, prometendo, também, aumentar a quantidade de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Geraldo Alckmin (PSDB) tem prometido entregar, no seu governo, a Reforma da Previdência e uma reforma de estado, diminuindo a quantidade de estatais sob o comando da União. Alckmin, Meirelles, Marina Silva (Rede) e Álvaro Dias (Podemos) têm defendido uma simplificação tributária, sem avançar sobre como a proposta será implementada e causando a sensação, no eleitor, de que haverá uma melhora significativa no poder de compra, já que o consumo estará desonerado.

Apesar da influência do presidente neste tipo de debate e a possibilidade do chefe do Executivo enviar sua própria proposta de mudança na legislação, o caminho é longo até a concretização das promessas feitas na campanha e, muitas vezes, as propostas não saem como foram vendidas ao eleitorado devido à pressão do Congresso Nacional - este sim o titular originário da função legislativa.

A literatura da Ciência Política vem se debruçando sobre temas como “personalismo” e “messianismo”, fenômenos esses que interagem diretamente com o comportamento reducionista do candidato que fala, em entrevistas e sabatinas, aquilo que o eleitor quer ouvir. "É muito comum candidatos usarem temas que são bandeiras muito caras a seus eleitores, mesmo sabendo que não têm condições institucionais de executar. É uma forma de manter cativo o eleitor. Pessoas votam simplesmente pelo fato de alguém ser favorável a determinada agenda, não importando se é possível concretizar", descreve o cientista político José Mário Wanderley Gomes, da Unicap.

Esse tipo de postura se dá num contexto onde decai a identificação com o programa partidário e aumentam os índices de volatilidade eleitoral. No artigo “Os riscos do personalismo na política”, o cientista político Paulo Roberto Figueira Leal demonstra que há presença histórica desse fenômeno no Brasil. “Collor se elegeu por uma agremiação inexpressiva; FHC venceu fortemente ancorado em fatores econômicos conjunturais (o Plano Real em 1994; o risco da perda da estabilidade econômica em 1998); Lula, em suas duas vitórias, mostrou ser eleitoralmente muito mais significativo que o PT; e, por fim, Dilma deveu muito de sua eleição à estratégia de campanha que colou sua imagem à de Lula”, pontua.

José Mário Wanderley lembra que a Constituição Federal e a dos estados promoveram a divisão de "competências" entre os entes públicos. "Essas competências significam a divisão de atribuições, o que cabe a quem fazer. Quando se diz que, de forma técnica, um determinado agente é competente pra fazer, é no sentido de poder fazer isso, da divisão de poderes na Constituição", afirma.

Na prática, a governabilidade é exercida por meio do presidencialismo de coalizão, onde o chefe do Executivo é obrigado a formar uma base de apoio se quiser aprovar suas medidas. Caso o Congresso se contraponha, as promessas poderão ficar pelo caminho. "Para revogar a Reforma Trabalhista, por exemplo, é preciso ter uma coalizão no Congresso com interesse de desfazer o que o grupo que está aí fez.

O percentual de renovação do Congresso é muito pequeno e, às vezes, mudam as cabeças, mas permanecem as ideias. O candidato deve estar acreditando que o Congresso que for eleito vai realizar tudo que o que ele quer", analisa José Mário.
Para o cientista político Leon Victor Queiroz, da UFCG, o problema desse discurso de promessas é que o candidato expressa que "vai fazer" ou "vai mandar" em vez de dizer que "vai construir".

"Por uma questão de cálculo eleitoral, se o político chega na campanha e fala que vai 'tentar', a população já encara como um sinal de fraqueza. A população acredita que o presidente manda, ela não entende o compartilhamento de poder", esclarece.

Leon dá como exemplo o discurso de Marina Silva, em 2014, defendendo a independência do Banco Central. "A candidata trouxe essa discussão para o debate eleitoral, mas quem sabe o que isso significa? Para desconstruir Marina, o PT fez o discurso de que a independência representava menos comida na mesa do trabalhador e foi o que prevaleceu", relembra.

"As pessoas querem soluções simples para problemas complexos. Soluções rápidas para problemas que demoram para serem resolvidos. Quando Dilma estava criticando o programa econômico de Aécio, a consequência foi curiosa, porque ela teve que implementar, depois de eleita, o programa que ela disse combater", verificou.

A ex-presidente Dilma Rousseff, inclusive, acabou tendo a gestão sacrificada pela perda de governabilidade que se sucedeu à sua eleição por uma margem apertada de votos. Enquanto a eleição da petista tinha um perfil de esquerda, o Congresso teve uma das legislaturas mais conservadoras da história, forçando a presidente a adotar uma agenda diferente do que foi prometido durante a campanha.

No artigo "Pagando o preço de governar: custos de gerência de coalizão no presidencialismo brasileiro", especialistas da Fundação Getúlio Vargas (FGV) demonstram uma evolução na fragmentação do Congresso, desde Fernando Henrique Cardoso (PSDB) a Dilma Rousseff. A eficiência da governabilidade está condicionada ao tamanho da coalizão e à distância ideológica. Para conquistar apoios, o presidente distribui cargos nos ministérios e liberação de emendas parlamentares, como ficou público durante o governo Temer.

Nesse sentido, o dever de casa do presidente é gerenciar uma coalizão com partidos ideologicamente homogêneos. Trabalhar num cenário adverso pode levar à sensação de abismo representativo entre o candidato e o eleitor.

Jorge Waquim é filósofo pela Universidade Paris Nanterre e tradutor.
Jorge Waquim é filósofo pela Universidade Paris Nanterre e tradutor.Foto: Divulgação

Por Jorge Waquim*

As eleições de outubro são talvez as mais importantes da história brasileira. Sem dúvida pela crise vivida no país, mas também por uma falta de rumo sentida um pouco por todos e compartilhada em diversos cenários do mundo. No entanto, ela tem uma conotação local, pela ausência de propostas políticas sólidas e realistas, pela descoloração dos partidos e pela carência de espírito público entre aqueles que oferecem seus nomes aos cargos eletivos, este último fator é sentido pela população em geral, levando-a frequentemente a estados de desencanto e frustração.

Esta eleição que se aproxima já foi comparada à de 1989, a primeira para presidente após a ditadura de 64. No entanto, nada há de tão díspar como esses dois momentos da história brasileira, separados por quase trinta anos, com a exceção talvez de apenas um pequeno detalhe, sempre presente na política, mas que em 1989 assumiu um caráter particular e que nesta tenta-se evitar. Naquela eleição, havia uma pletora de candidatos de todos os naipes, da esquerda à direita – direita que não se denominava assim, pelo pudor que exigia o espírito de 88 – mas que apresentavam propostas, mesmo que confusas, e atinham-se a posicionamentos políticos visíveis e os defendiam, contrariamente aos de hoje, que vão dando mostras do vazio que se tornou a política brasileira.

Esse pequeno detalhe que une de certa forma, e infelizmente, toda expressão política está na falsificação da verdade, ou na sua manipulação, que muitos chamam eufemisticamente de marketing político. Em 89, o candidato minúsculo de um partido quase fantasma se elevou de uma percentagem irrisória em abril até a vitória no segundo turno. Se hoje a preocupação com as chamadas fake news surge por todo o mundo, Collor, o vencedor das urnas, era fake news “avant la lettre”, isto é, antes que o conceito fosse inventado e popularizado pelas chamadas mídias sociais, inexistentes naquela época. Ele cresceu nas pesquisas a partir da imagem que construiu para si mesmo de “caçador de marajás”, de nordestino sofrido e de político honesto. Marcas no mínimo contestáveis, para um observador atento.

Além disso, a Globo teve papel fundamental na sua vitória, ao manipular a seu favor o debate final com Lula da Silva, o candidato do PT, no jornal da tarde e no jornal nacional, à época quase que a única fonte de notícias para a população. Este articulista já era adulto à época e não deixou de se estarrecer com as edições. Quem não era vivo ou não ainda não era dotado de razão, pode consultar o livro “Notícias do planalto”, de Mario Sergio Conti, para ver como é que foi.

Nos dias de hoje, seria fácil rever o debate e compará-lo com a edição. Todos andam com um computador no bolso, que leva o nome de smartphone, e podem ter acesso a toda informação que precisar, a toda aferição possível dos fatos e a toda a averiguação de notícias falsas. No entanto, não é o que acontece. As notícias se espalham de “amigo” a “amigo” e crescem em verossimilhança estorvando a percepção da realidade. Daí o surgimento do fenômeno das fake news, que iludem as pessoas, fazem-nas acreditar em inverdades e deturpam a ação, como por exemplo o voto, ação fundamental.

A semana que passou foi marcada pelo expurgo de contas ligadas ao MBL, no site Facebook. O “movimento” se tornou notório por promover a desinformação de maneira maciça, por meio de perfis falsos naquele site e possivelmente por meio de “bots”, códigos de computador que simulam a atividade de pessoas. Esse “movimento” já tem sido acusado de ser patrocinado por dinheiro estrangeiro, mas não revela com exatidão a quem serve, faz mais barulho do que o tamanho que tem e seus integrantes ignoram que o Facebook não é espaço público, por não ser nem espaço nem público: trata-se de um software que simula um espaço e é de propriedade privada e estrangeira. O MBL, não nos esqueçamos, foi um dos agentes responsáveis, ou irresponsáveis, por disseminar fake news ligando Marielle Franco, a deputada do PSOL, barbaramente assassinada no Rio de Janeiro, a bandidos.

A verdade de qualquer acontecimento é sempre completamente inalcançável, a linguagem não dá cabo de exaurir o conhecimento que temos do mundo, e as informações são justamente passadas pela linguagem, pelas expressões, pelos textos. Por isso, para a sanidade mental, para a percepção mais justa do mundo e para não cair nas armadilhas das fake News, o discernimento é necessário, a dúvida é a melhor amiga, o debate, insubstituível. Em tempos de explosão de bytes de informação, onde o conhecimento se perde no labirinto confuso de fontes, viver é muito perigoso.

* Jorge Waquim é filósofo pela Universidade Paris Nanterre.

Armando Monteiro Neto (PTB), senador e pré-candidato ao Governo do Estado
Armando Monteiro Neto (PTB), senador e pré-candidato ao Governo do EstadoFoto: PTB/Divulgação

Pré-candidato ao Governo do Estado pela Frente Pernambuco Vai Mudar, o senador Armando Monteiro Neto (PTB) participou, na manhã desta sexta-feira (27), da abertura do Congresso Estadual de Vereadores (as) e Servidores (as) de Câmaras Municipais e Prefeituras, em Gravatá, no Agreste. Durante o evento, que é promovido pela União dos Vereadores de Pernambuco (UVP), o petebista defendeu a oportunidade de dar ao Governo do Estado a oportunidade de conhecer mais profundamente as demandas dos municípios, por meio de instrumentos que permitam uma maior aproximação da administração estadual com os vereadores.

Armando esteve acompanhado pelos deputados federais Bruno Araújo (PSDB) e Mendonça Filho (DEM), pré-candidatos ao Senado. Na ocasião, ele expôs a uma plateia de cerca de 300 pessoas suas propostas para o Governo nas áreas da saúde, educação, segurança pública, política social, geração de empregos, desenvolvimento econômico, mobilidade, infraestrutura, meio ambiente e relações com os vereadores.

"Estive presente em todos os congressos da UVP. Não estou aqui hoje só porque sou pré-candidato. Estou aqui porque respeito o vereador", reforçou Armando. O pré-candidato destacou que pretende criar um gabinete especial, inserido na estrutura da Casa Civil, para colher as demandas dos vereadores. "Hoje, os vereadores nem sequer são atendidos. Precisam ir com um prefeito ou um deputado. A ideia é que possamos dar ao governante a oportunidade de conhecer melhor o cotidiano dos municípios. Vamos dar ao vereador a atenção que ele merece", afirmou. Ele é o primeiro dos pré-candidatos ao Governo a expor suas propostas no evento.

O petebista também anunciou que criará o Conselho de Articulação Municipal, no qual os vereadores terão assento permanente, mediante representação da UVP. "Esse conselho vai atuar junto ao governador e a UVP terá uma cadeira permanente. Há muitos técnicos bons, mas que ficam nos gabinetes e não conhecem a realidade concreta. Com isso, estaremos mais perto do povo", defendeu.

O deputado federal Mendonça Filho também ressaltou a importância do vereador para a democracia. "Nós temos um projeto de interação com os municípios. E os vereadores são essenciais nessa interação direta", disse. “Viemos não só ouvir, mas oferecer um conjunto de ações de experiência. Um conjunto de propostas que o senador Armando Monteiro vai apresentar à sociedade pernambucana, fruto da discussão, do debate democrático. E esse fórum é um dos mais importantes porque tem a representação direta da sociedade pernambucana" afirmou Bruno Araújo, que será oficializado neste sábado (28) como pré-candidato ao Senado.

Nicó do Cimento
Nicó do CimentoFoto: Reprodução/Facebook

O vereador de Carpina, na Zona da Mata, e pré-candidato a deputado federal Cosmo Alves da Silva (PR), conhecido como Nicó do Cimento, foi morto a tiros na cidade, na manhã desta sexta-feira (27). De acordo com informações do Blog do Elielson, o parlamentar foi executado no bairro de Santo Antônio.

Nas redes sociais do vereador, amigos de Nicó do Cimento lamentaram o falecimento. "Carpina está de luto", escreveu uma amiga. "Fazia duas horas que você tinha acabado de nos dar bom dia no seu Facebook e tiraram sua vida. Eu creio que Deus vai tomar providência, meu amigo", disse outra.

Bruno Araújo
Bruno AraújoFoto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

Após uma ameaça de racha dentro da Frente "Pernambuco Vai Mudar", seguida de acenos e, finalmente, a indicação de paz selada no grupo, o presidente estadual do PSDB de Pernambuco, deputado federal Bruno Araújo, anuncia, neste sábado participação na chapa majoritária. A coletiva de imprensa, que vai contar com as presenças dos pré-candidatos ao Governo, Armando Monteiro Neto (PTB), e ao Senado, Mendonça Filho (DEM), acontece às 10h, na sede do partido, no Derby.

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A expectativa é de que Bruno Araújo ocupe a segunda vaga da chapa para o Senado, como trouxe. O ingresso do tucano na chapa reforça as declarações dele de que "os episódios recentes foram superados".

Entenda
Armando Monteiro Neto e Bruno Araújo começaram a se estranhar desde que o tucano se uniu ao deputado estadual André Ferreira (PSC) para costurar a formação da chapa. Ferreira chegou a indicar o seu cunhado (Fred Ferreira) para a vaga de vice do petebista, enquanto o tucano passou a cobrar sua indicação ao Senado. O senador chegou a dizer que a responsabilidade de pensar nos nomes era sua e que não iria tratar da questão pelos jornais.

Em nota, Araújo admitia a possibilidade de sair também candidato ao Governo para dar palanque ao ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB), pré-candidato ao Palácio do Planalto. Apesar dos atritos, os dois selaram a paz na última terça-feira (24).

Costa critica adversários ao Senado. Em resposta, Araújo diz que petista parou no tempo e Silvio lamenta opinião do antigo aliado
Costa critica adversários ao Senado. Em resposta, Araújo diz que petista parou no tempo e Silvio lamenta opinião do antigo aliadoFoto: Arthur de Souza/FolhaPE, José Cruz/ABr, Ed Machado

Com uma quantidade maior de postulantes, a briga pelo Senado, em Pernambuco, vem sendo pautada pelo lado que os pré-candidatos tomaram no plano nacional nos últimos anos, seja do lado da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), seja integrando o governo de Michel Temer (MDB). O senador Humberto Costa (PT), que trabalha para levar o PT para o palanque do governador Paulo Câmara (PSB), atacou, nesta quinta-feira (26), seus adversários, Bruno Araújo (PSDB), Mendonça Filho (DEM), colando neles o rótulo de fiadores do “golpe”. O petista também não poupou Silvio Costa (Avante), que defende a candidatura ao governo de Marília Arraes (PT).

Humberto tem defendido publicamente a aliança entre PT e PSB, argumentando que, diante do isolamento petista no Estado, "senador não vence eleição com chapa solteira". "Se a gente olhar Pernambuco, o momento que Pernambuco mais cresceu, mais se desenvolveu foi quando fizemos essa união do PT com o PSB, quando nós tínhamos o presidente Lula e Eduardo, portanto pelo bem de Pernambuco, isso se justifica plenamente", esclareceu a uma rádio do interior.

Perguntado sobre a contribuição decisiva do PSB para o impeachment da ex-presidente Dilma, Humberto argumentou que o debate não deve se centrar em quem foi ou não "golpista". "Se é verdade que lá no PSB tem golpista, no lado de Armando, que não foi a favor do golpe, tem por exemplo Mendoncinha, que não foi só golpista, mas é um dos chefes do golpe, votou duas vezes pra Michel Temer não ser processado e que foi ministro da Educação de Temer", afirmou. "O Bruno Araújo, que também pode ser candidato a senador na chapa de lá, votou não somente pelo golpe como também livrou a cara de Temer duas vezes", acusou.

Procurado, o deputado Bruno Araújo - que deu o voto determinante para abertura do processo de impeachment da petista na Câmara - rebateu a crítica. "Humberto Costa parou no tempo e hoje não tem projeto para Pernambuco. Conhece Temer muito bem. Votou nele em 2010 e 2014. Agora se humilha para conseguir o apoio do PSB. Quero discutir o que é importante para a vida das pessoas, o futuro de Pernambuco", pontuou.

   Candidato lulista

Humberto ainda afirmou que não tem "nenhuma simpatia" para ser candidato ao lado de Silvio Costa, chegando a tratar o antigo aliado como "enxerido". Vale lembrar que Silvio exerceu um papel de protagonismo em defesa da ex-presidente durante o processo de impeachment. "Eu não tenho nenhuma simpatia pra ser candidato ao lado de Silvio Costa, acho que ele, além de contribuir pouco para o processo aqui, tem o interesse de fazer uma campanha que não é o meu estilo, campanha de agressões, não acho que ele some nada para o PT", disparou.

Em resposta, Silvio Costa preferiu adotar o tom diplomático, chegando a reafirmar que acredita que será companheiro de chapa de Humberto mais adiante, tendo Marília como candidata ao governo. "Não tenho o direito de interferir nas preferências do senador Humberto, agora lamento que ele trabalhe para ter Jarbas (Vasconcelos) como companheiro de chapa. Jarbas odeia Lula, eu sou fã de Lula. Jarbas votou a favor do impeachment, eu votei contra o impeachment. Humberto sabe que o PSB foi o maior traidor da presidente Dilma. Mas a política é um exercício de esperança e paciência", alegou.

Luciana Santos (PCdoB)
Luciana Santos (PCdoB)Foto: Divulgação

A possibilidade da deputada federal e presidente estadual do PCdoB, Luciana Santos, ingressar na coligação do governador Paulo Câmara (PSB) na condição de candidata a vice-governadora, despertou “insatisfação” em dois prefeitos da base governista da Região Metropolitana do Recife (RMR). No Cabo de Santo Agostinho, Lula Cabral (PSB) revelou um contato telefônico com o prefeito de Olinda, Professor Lupércio, com quem concordou contra a possível escolha da comunista para ocupar a posição de vice. “Reconheço que fiquei insatisfeito, assim como Lupércio, com essa possibilidade de ter Luciana Santos como vice-governadora. Mas quem sou eu para vetar o nome de alguém nessa composição? É apenas minha opinião”, afirmou.

Na avaliação de Cabral, o governador tem sua construção dentro da RMR e necessitaria de um vice-governador com origens de alguma cidade-polo do Agreste ou Sertão. Por isso, sua indicação seria o ex-prefeito de Caruaru, José Queiroz (PDT), ou alguma representatividade de Petrolina, por exemplo. Do lado pedetista, a postulação de José Queiroz a vice-governador não seria a primeira opção. O interesse do ex-prefeito seria mesmo por uma das vagas ao Senado.

Cabral levou em conta o panorama eleitoral das últimas eleições municipais de Olinda, quando Luciana foi derrotada pelo Professor Lupércio e terminou na quarta colocação. No pleito, ela teve 16.57% dos votos válidos, o que significou 32.929 votos. Enquanto Lupércio teve no primeiro turno 23.38%, o que representou 46.476 votos; no segundo turno chegaria aos 120.225 votos.

“O governador precisa somar votos e não ter ao seu lado quem está diminuindo”, analisou, ao fazer referências ao desempenho de Luciana na última eleição à Prefeitura de Olinda quando a comunista ficou em quarto lugar. “Ela vem numa descendente”, pontuou.

O posicionamento do prefeito cabense também tem relação com a postura de Luciana dentro do município. Lá, a comunista está alinhada com seus opositores nas disputas locais. Ela apoia, no Cabo de Santo Agostinho, o grupo do deputado federal Betinho Gomes (PSDB), e do ex-prefeito Elias Gomes (PSDB), adversários históricos de Lula Cabral.

Fazendo prospecções dentro de um cenário de reeleição para Paulo Câmara, Lula Cabral visualiza a ex-prefeita como uma ameaça para ele mesmo e para Professor Lupércio, nas próximas eleições municipais, exercendo a função de vice. Ele ainda acrescenta que Luciana Santos inevitavelmente assumiria o Governo Estadual daqui a quatro anos diante de uma possível candidatura de Paulo Câmara a outro cargo eleitoral em 2022.

Também considerou que Luciana Santos poderia ser positiva frente à pré-candidatura de Marília Arraes (PT). “Sei que ela ajudaria como mulher nesse sentido, mas mesmo assim não mundo meu ponto de vista. Acredito que tudo vai se resolver até o dia quatro de agosto”, enfatizou.

Paulo Câmara
Paulo CâmaraFoto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

Com o ex-governador Ciro Gomes isolado na corrida presidencial, o PDT formalizou, ontem, apoio à reeleição do governador de São Paulo, Márcio França (PSB), que lidera um diretório expressivo dentro do partido, como mais um gesto para obter o apoio nacional do PSB. Apoio este que tem sido atrapalhado pela ala pernambucana do PSB, liderada pelo governador Paulo Câmara, vice-presidente nacional do partido, que trabalha pelo apoio formal ao PT, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Isso tem gerado insatisfação em alguns pedetistas.

Um deles, o membro do Diretório Nacional do PDT, Túlio Gadelha, afirmou, ontem, que a manutenção do apoio do seu partido a Paulo Câmara em Pernambuco passa pelo apoio do PSB a candidatura de Ciro Gomes. “Se o PSB não estiver com Ciro, o PDT cai fora (da base de Paulo)”, declarou ele, acrescentando que este sentimento tem consonância com a direção nacional. “O governador tem dificultado essa construção (de aliança). Existe insatisfação, pois essa construção política não é de agora”. Caso haja uma ruptura, a beneficiada será a vereadora Marília Arraes (PT), pré-candidata ao governo , que ainda tem sua postulação ameaçada.

Esta insatisfação ficou aparente quando o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, disse, anteontem, que já fez o que poderia para obter o apoio. “Estamos aguardando a decisão do PSB. Tudo que a gente podia fazer, de gestos de apoio, a gente já fez. A decisão, agora, é deles”, salientou. Apesar do desconforto, em Pernambuco, há uma comissão provisória, comandada pelo deputado federal Wolney Queiroz. O pai, ex-prefeito José Queiroz, e ele estão ligados ao PSB há anos e dificilmente desembarcariam do governo Câmara. José Queiroz, inclusive, está cotado para assumir uma das vagas ao Senado na Frente Popular, caso o PSB não formalize apoio ao PT. Do contrário, o senador Humberto Costa (PT) ocuparia o espaço.

O gesto pedetista de apoio a França reverberou dentro do PSB, mas não alterou cenário interno. Atualmente, a aliança com o PDT possui mais adeptos, porém há diretórios, como o de Pernambuco, que defendem a aliança com PT, e outros setores que preferem a neutralidade, como forma de acomodar alianças regionais sem rachar o partido. Neste caso, Gomes ficaria isolado e com apenas 28 segundos de tempo de televisão.

O líder do PSB na Câmara, deputado federal Tadeu Alencar (PE), ponderou que o apoio do PDT ao PSB em São Paulo é um movimento positivo, mas não definidor. “Fortalece a posição de aliança ao partido, mas as coisas não se resolvem com o apoio em um estado isolado, pois há visões distintas no partido”, ponderou. Já o deputado federal Julio Delgado (PSB-MG) avaliou que “ajuda, mas contribui pouco” na construção do apoio interno. “O PDT não tem densidade em São Paulo. Então, ajuda pouco na tentativa de fazer o PSB apoiar Ciro”, destacou o mineiro, acrescentando que, no entanto, o pedetista ainda possui muitos apoiadores internos.

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