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Hely Ferreira, professor e cientista político
Hely Ferreira, professor e cientista políticoFoto: Kleyvson Santos / Folha de Pernambuco

Em uma democracia consolidada, os partidos políticos exercem papel importante. É bem verdade, que há certa desconfiança do eleitor com relação às siglas partidárias. No Brasil, com raras exceções, o eleitor sabe qual partido o seu candidato encontra-se filiado.

A mudança de lado da classe política nacional é algo corriqueiro, principalmente quando se trata das benesses do poder. Com exceções, existe uma atração em ser governo. Geralmente, alguém se elege na oposição, e rapidamente migra para o lado do governo. Ficar na oposição é decretar sua condenação ao ostracismo.

Aquele eleitor que procura ficar inteirado da atuação do parlamentar que ajudou eleger fica decepcionado, vez que, se o representante do legislativo foi eleito por um partido de oposição ao executivo, ao mudar de lado, sua atitude é no mínimo desleal para com o eleitor.

Infelizmente, via de regra, o político pouco se preocupa com a decepção do eleitor. Sua preocupação é muito mais pessoal que coletiva. Daí, o fascínio para se aproximar do governo. É bem verdade, que a falta de espírito público, faz de alguns chefes executivos acreditarem que são os verdadeiros donos do poder.

Administram tolhendo recursos às bases que seus opositores representam. Em uma clara demonstração da pequinesa de espírito.

P.S. Como perguntar às vezes ofende, surge o seguinte questionamento: por onde anda Aécio Neves?

Hely Ferreira é cientista político.

Jorge Waquim é filósofo pela Universidade Paris Nanterre e tradutor.
Jorge Waquim é filósofo pela Universidade Paris Nanterre e tradutor.Foto: Divulgação

Não é preciso dizer que é terrível a crise interna pela qual passa o Brasil, crise de ordem fiscal, econômica e política, mas é preciso lembrar que isso nunca foi grande novidade em nossas latitudes. O que há de novo é o aparente descaso do governo em resolver todos esses problemas.

E não é somente o descaso, o problema vai além: assemelha-se à zombaria.
É em meio a esta nossa crise interna, acidulada pela combinação de descaso e zombaria governamentais, que o mundo vai entrando numa crise econômica, causada principalmente pelo novo coronavírus, que já ameaça milhares de vidas ao redor do planeta. Na medida em que o mundo foi acordando nesta segunda-feira, 9 de março, a economia mundial foi derretendo, com as bolsas caindo desde a sua abertura. O que se anuncia é mais outra grave recessão no horizonte já turvado por tantas nuvens escuras.
    
Enquanto isso, o Sr. Presidente zomba da falta de crescimento do país, ao aparecer na semana passada ao lado de um comediante que o imitava e distribuía bananas, enquanto ele, o Presidente, evitava perguntas sobre o “pibinho” de 2019, quando a promessa era crescer sem parar.

A equipe do governo zomba da desvalorização recorde do real – “o dólar pode chegar a 5 reais se fizermos muita besteira”, declarou o Ministro da Economia. Este fez na tarde desta segunda declarações em que se dizia calmo, pois chefiava uma “equipe competente”. Mas, e as ações que acompanham essa calma espiritual do Ministro, onde estão, enquanto aumentam as ondas de intranquilidade pelo mundo?

O Presidente zomba do Congresso, com o qual o entendimento é peça chave para implementar qualquer tipo de solução, ao conclamar pessoalmente e publicamente seus seguidores à manifestação programada para domingo, onde na pauta estão temas nada democráticos, tais como o fechamento do Congresso.

Ele zomba da imprensa – sobretudo de jornalistas mulheres, lançando a estas insinuações obscenas – como se a imprensa, a mensageira da crise, fosse a própria causadora da crise.

O Presidente e equipe se esquecem de uma das lições de Maquiavel, em seu livro ‘O Príncipe’. Nele, Maquiavel explica que os destinos do príncipe – ou seja, do governante – e da nação que ele governa, são influenciados pela fortuna – isto é, pelas contingências sobre as quais o governante não tem controle algum. Mas também são guiados pela “virtu”, que é a destreza do governante em lidar com as crises, com o acaso, com as aleatoriedades da vida. O bom governante utiliza toda sua capacidade política para contrabalançar os efeitos nefastos do acaso, conversando, dando segurança, se precavendo, se prevenindo, tomando decisões, enquanto ajuda a nação que ele governa a não sofrer muito com a mudança dos ventos.

Bolsonaro, ao contrário, parece apostar no caos que os ventos da fortuna trazem, ao não tomar atitudes que se esperam de um governante. Enquanto os temores de uma nova recessão tomavam o mundo, o Presidente foi filmado hoje à tarde com um pincel na mão, em uma lúdica atitude de preencher um desenho com tinta em algum lugar de Miami nos EUA, como se o Brasil não existisse, como se ele não tivesse nenhuma responsabilidade sobre os destinos do país, continuando com a sua zombaria da política e do cargo para o qual foi eleito.

Jorge Waquim
Graduado em filosofia e Tradutor
@JWaq

Jorge Waquim, graduado em filosofia e tradutor.
Jorge Waquim, graduado em filosofia e tradutor.Foto: Divulgação

Bolsonaro gostaria de governar sozinho. Os repetidos ataques que ele desfere contra a imprensa e o Congresso nacional são a mais perfeita afirmação dessa vontade do ocupante da cadeira de Presidente. Agonia-o, enerva-o, impacienta-o fazer coalizões políticas, ser criticado, não ter medidas rapidamente aprovadas no Congresso e praticar tudo aquilo que corresponde à verdadeira política, que é a acomodação de vontades diferentes em uma ação unívoca, pela negociação e pela conversa.
  
O braço levantado à guisa de mandar uma banana para a imprensa, ato por ele praticado em duas ocasiões na saída do Alvorada diante das câmeras e de seus entusiasmados apoiadores para uma nação perplexa, vem apenas corroborar sua irritação diante do jogo que atende pelo nome de democracia.

O poder precisa ser a todo momento investigado, controlado, analisado e escrutinado, pois ele não é ilimitado. Afinal, ainda estamos em uma democracia. Mas, terá o Presidente da República outros propósitos? A esta pergunta vem se somar o compartilhamento de dois vídeos em suas redes digitais que o equiparam a um salvador da pátria e que são parte da campanha das manifestações do dia 15 de março próximo, que, para dizer o mínimo, contestam o papel do Congresso e do Supremo Tribunal Federal. Estará parte dos eleitores também cansada do jogo sem fim da democracia? Qual, então, será o jogo que preferem?

O tamanho do apoio que dará o eleitor a essa aventura autoritária terá funestas implicações presentes, futuras, permanentes e profundas, ao colocar em dúvida a Constituição de 88, cidadã, social e democrática. Em suma, ele nos mostrará se o eleitor quer uma República das Bananas, na qual a democracia sofre do eterno problema de se estabelecer como uma ideia aceita por todos e na qual a subserviência a potências estrangeiras é a razão-mor de sua existência, potências às quais ela se compraz em fornecer o que há de mais primário em sua economia: bananas, ou seus equivalentes.
Bananas em lugar de cidadania, educação, cultura, ciência, desenvolvimento sustentável, proteção do meio ambiente e arte, tudo o que é desprezível e desprezado pelo atual governo federal.

O Presidente da República dá sinais quase todos os dias, com as suas bananas, corporais ou metafóricas, distribuídas a toda e qualquer pessoa que ouse interferir em suas ações, mas com nefasta predileção a mulheres jornalistas, que é isso mesmo o que ele deseja: uma nação prostrada diante de um autocrata. Anos atrás, enquanto ainda era um deputado, ele já havia asseverado em um programa de televisão, hoje facilmente encontrado na Internet, que era isso o que iria fazer, caso um dia assumisse o posto de Presidente: fechar o Congresso.

O lema do Presidente é a verdade, mas a verdade é que ele a escamoteia por trás de inverdades. Senão, vejamos a inacreditável inverdade (há as verossímeis) que foi ter dito em sua “live” da última quinta-feira que os vídeos que ele compartilhou conclamam a uma manifestação de 2015, ano anterior, portanto, à facada de que foi vítima em 2018 e neles retratada.

Muitos eleitores que votaram em Bolsonaro assim o fizeram, enganados ou não, por motivos legítimos, o fim da corrupção, a melhoria da segurança pública, a volta do crescimento do país. Depois de mais de um ano no ápice do poder, intervalo de tempo em que nada aconteceu, além da tentativa de destruição do que ainda era frágil construção, o capitão atira-lhes bananas, anunciando o tipo de república que deseja.

Jorge Waquim
Graduado em filosofia e Tradutor
@Jwaq

Hely Ferreira, professor e cientista político
Hely Ferreira, professor e cientista políticoFoto: Kleyvson Santos / Folha de Pernambuco

Embora não exista universalidade com relação ao que seria liberalismo, o denominado liberalismo clássico surgiu no século XVIII, defendendo de maneira tenaz a liberdade no campo político. Na chamada segunda fase do liberalismo, durante o século XIX, passou um momento de crise onde o individualismo clássico dava sinais de procurar defender uma única classe de cidadãos.

Contrariando o liberalismo, surge o socialismo, afirmando que o Estado é parte da superestrutura da classe dominante, promovendo cada vez mais a desigualdade econômica. Na tentativa de unir o liberalismo com o socialismo, surge a denominada socialdemocracia. Em seus primórdios defendeu intervenção econômica do Estado. Na verdade, um tipo de transição para o socialismo sem a necessidade de uma revolução.

Por isso, Kautsky afirmou que “a Socialdemocracia é um partido revolucionário e não um partido que faz revoluções”. Quando se pensa em teoria política, alguém já disse que nenhuma delas podem ser aplicadas no Brasil. Basta olharmos para os partidos políticos nacionais.

Em recente entrevista a um programa de TV de penetração nacional, o primeiro deputado federal brasileiro com 100% de incapacidade visual (Felipe Rigoni), vem se destacando no Congresso Nacional. Dono de uma mente brilhante, o parlamentar já foi filiado ao PSDB, mas foi eleito em 2018, pelo PSB.

Em um dado momento da entrevista, respondeu que sua posição econômica está atrelada as ideias liberais. Se tratando de Brasil, tudo é possível. Não é debalde a caldeirada de siglas partidárias, onde o principal ingrediente não é a questão ideológica, ou programática, mas a filiação de grande parte dos políticos.

Infelizmente, muitos se filiam a algum partido por questões de sobrevivência eleitoral, pois se quer conhecem quais a principais bandeiras defendidas pelo partido.

Hely Ferreira é cientista político.

Hely Ferreira, professor e cientista político
Hely Ferreira, professor e cientista políticoFoto: Kleyvson Santos / Folha de Pernambuco

Ao procurarmos usar o nosso tempo tentando encontrar a origem da guerra, saberemos que ela convive ao lado do ser humano desde os primórdios. Falta de amor ao semelhante, egoísmo e a intolerância, geralmente produzem resultados
nefastos em qualquer sociedade. Certamente, aflora em cada um, o desejo de encontrar uma possível resposta ao que motiva grandes investimentos com materiais bélicos.

No chamado período em que a igreja era detentora do poder temporal e espiritual, seus principais teóricos emitiram opiniões com relação ao problema da guerra. Segundo Aurélio Agostinho, em algumas circunstâncias, o uso da força seria aceito. Já Tomás de Aquino entendia que o uso da força deveria ser aplicada, se a mesma atendesse o interesse da soberania do Estado. Como falar em guerra geralmente é melindroso, o sábio Cícero afirmou que “sobre os deveres da guerra já falei bastante”.

O esforço em banir a guerra do convívio social é lago quase que inexequível. Daí, o surgimento de normas oriundas do jus in bellum. O mesmo é evocado no âmbito do Direito Internacional, onde devem ser observados durante o conflito e aplicar aos
prisioneiros, enfermos, feridos e aqueles que se encontram em combate e aos que não estão. Percebe-se a preocupação com o direito da guerra. Será que é possível saber como a guerra pode ser encarada como algo legítimo, já que somos dotados de razão?

Tucídides registrou em sua obra sobre a Guerra do Peloponeso, onde se conclui que o conflito sempre esteve presente entre os povos. Hegel disse que a ideia de paz é algo insípido e Maquiavel entendia que a guerra é quem mantém o Estado.

Lamentavelmente, se gasta muito mais para guerrear, do que para combater a fome. Somos o único ser terrestre que destruímos nossa própria espécie por prazer.

*Hely Ferreira é cientista político.

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