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Bolsonaro faz tour entre presidentes de partidos por apoio à anistia do 8 de janeiro

Ex-presidente procurou nos últimos dias Kassab, do PSD, e Rueda, do União Brasil

O ex-presidente Jair Bolsonaro vem buscando apoio para o projeto desde o ano passado e, inclusive, levou essa demanda para os novos presidentes do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP) e Hugo Motta (Republicanos-PB)O ex-presidente Jair Bolsonaro vem buscando apoio para o projeto desde o ano passado e, inclusive, levou essa demanda para os novos presidentes do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP) e Hugo Motta (Republicanos-PB) - Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O ex-presidente Jair Bolsonaro tem procurado presidentes de partidos com ampla representatividade no Congresso em busca de apoio ao projeto de anistia para os condenados do 8 de janeiro.

A ação acontece ao mesmo tempo em que o ex-presidente e a bancada bolsonarista no Congresso Nacional tentam avançar com um outro texto para reduzir o período de inelegibilidade de políticos condenados, de oito para dois anos e, com isso, garantir a participação dele nas eleições de 2026.

Na semana passada, Bolsonaro teve uma conversa reservada com o presidente do PSD, Gilberto Kassab, no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, enquanto ambos aguardavam o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), para um evento.

Segundo pessoas próximas dos dois políticos, o principal tema da conversa foi o projeto que pode reduzir a pena para os condenados pelos ataques às sedes dos Três Poderes em 2023.

Nesta semana, Bolsonaro fez o mesmo pedido para presidente do União Brasil, Antônio Rueda. O encontro aconteceu na sede do PL, em Brasília.

O escritório do partido de Bolsonaro fica no mesmo andar, em frente à sede do União. Rueda foi à sigla vizinha para encontrar o governador de Rondônia, Marcos Rocha (União), que estava lá com o ex-presidente.

Bolsonaro vem buscando apoio para o projeto desde o ano passado e, inclusive, levou essa demanda para os novos presidentes do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP) e Hugo Motta (Republicanos-PB).

Segundo aliados, o ex-presidente deve seguir buscando o apoio de dirigentes partidários que sinalizem positivamente ao projeto da anistia.

Na quarta-feira, Bolsonaro afirmou, em um vídeo postado nas redes sociais, que não busca anistia para si por "não estar condenado". Ele disse que Motta se comprometeu a pautar a iniciativa.

— Não é a minha anistia. Eu não estou condenado em absolutamente nada. É a anistia dessas pessoas, dezenas e dezenas de pessoas, condenadas a penas absurdas — afirmou Bolsonaro ao tratar sobre os condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro.

Motta afirmou que tratará de maneira "imparcial" o projeto de lei. Com apoio do PT de Luiz Inácio Lula da Silva ao PL de Bolsonaro e outras 16 siglas, o parlamentar foi eleito presidente da Câmara neste sábado e concedeu sua primeira entrevista coletiva a veículos de imprensa da Paraíba.

— Esse tema é o que mais divide a Casa hoje. Temos um PL que defende a votação da anistia para os presos do 8 de janeiro, enquanto o PT defende que o assunto não seja votado. A pauta é decidida pelo presidente, com participação dos líderes. Com certeza, esse será um tema levado para essas reuniões nos próximos dias, e vamos conduzir com a maior imparcialidade possível — disse o presidente da Câmara.

O projeto da anistia está parado na Câmara. O texto chegou a ser pautado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mas antes que fosse votado, o então presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), criou uma comissão especial para analisar a proposta. O colegiado, no entanto, não chegou a ser instalado.

Já o projeto que trata sobre a redução do período de inelegibilidade, alterando a Lei da Ficha Limpa, foi apresentado pelo deputado federal Bibo Nunes (PL-RS) em 2023, pretende reduzir de oito anos para dois anos o prazo de inelegibilidade se houver condenações por três tipos de conduta: por abuso de poder político ou econômico e uso indevido dos meios de comunicação.

As mudanças, conforme o texto, se restringem a um dos artigos da Lei das Inelegibilidades, de 1990 — que foi ampliada, em 2010, pela chamada Lei da Ficha Limpa.

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