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Câmara dos Deputados

Decisão de Eduardo Bolsonaro de deixar o país não passou pela cúpula do PL, diz vice na Câmara

Vice-presidente da Câmara e aliado e Valdemar da Costa Neto, Altineu Cortes, disse que não sabia da escolha do deputado, que foi pessoal

O deputado federal Eduardo Bolsonaro, no plenário da Câmara O deputado federal Eduardo Bolsonaro, no plenário da Câmara  - Foto: Mário Agra/Câmara dos Deputados

A decisão do deputado federal Eduardo Bolsonaro de permanecer nos Estados Unidos e se licenciar do cargo na Câmara não havia sido discutida com integrantes da cúpula do PL, como o vice-presidente da Casa, Altineu Côrtes, também ex-líder da legenda.

Até o fim da manhã de hoje, assessores do partido também não haviam sido informados. Côrtes disse que a decisão de Eduardo foi pessoal e corajosa.

— Foi uma decisão pessoal e corajosa. Soubemos no momento em que ele comunicou a todos, ninguém sabia. Ele não tinha comentado nada, mas o partido respeita a decisão dele — disse Altineu Côrtes.

Em vídeo divulgado mais cedo, Eduardo Bolsonaro disse que o líder da oposição na Câmara, coronel Zucco, assumiria a Comissão de Relações Exteriores (Creden) no seu lugar.

O vice-presidente da Câmara explicou, porém, que o nome para substituir Eduardo Bolsonaro na Creden ainda será definido e que Zucco vem fazendo um bom trabalho como líder da oposição.

— O nome vai ser decidido ainda, pode ser o Zucco ou outro nome. O Zucco tem muita relação com Eduardo, mas ele tem feito um super trabalho na liderança da oposição — afirmou Côrtes.

Integrantes do PL admitem ainda que Eduardo Bolsonaro precisou ficar nos Estados Unidos para não ter o passaporte apreendido, após ser aconselhado por aliados sobre os riscos de retornar ao Brasil.

Na gravação em que conta a decisão, Eduardo cita a possibilidade de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a sua prisão.

Em nota, o deputado Zucco disse que aguardará uma definição do partido sobre a Creden.

— Recebi o convite do meu colega e amigo, deputado Eduardo Bolsonaro, para presidir a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CREDN). A indicação do meu nome também foi endossada pelo presidente Jair Bolsonaro. No entanto, vou aguardar a definição da distribuição das comissões por parte da presidência da Câmara dos Deputados para que possa falar de forma oficial sobre o tema — afirmou.

Deputados do PL admitiam que, como presidente da comissão, Eduardo teria mais prestígio e status para defender o pai em eventos internacionais, movimentação que já vem ocorrendo.

O “zero três” liderou uma campanha contra Moraes nos últimos meses. No início de fevereiro, ele esteve em Washington, capital dos EUA, e voltou para a cidade na semana passada.

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